terça-feira, 4 de dezembro de 2012

FARTO

Estou farto disto tudo!
Estou farto de ver o país sequestrado por corruptos.
Farto de ver políticos a mentir.
Farto de ver a Constituição ser trespassada.
Farto de ver adolescentes saltitantes e acéfalos, de bandeira partidária em punho, a lamberem as botas de meia dúzia de ilusionistas.
Farto de oportunistas que, após mil tropelias, acabam a dirigir os destinos do país.
Farto de boys que proliferam como sanguessugas e transformam o mérito em pouco mais do que uma palavra.
Farto da injustiça social e da precariedade.
Farto da Justiça à Dias Loureiro.
Farto dos procuradores de pacotilha.
Farto de viver num regime falso, numa democracia impositiva.
Farto da austeridade.
Farto das negociatas à terceiro mundo.
Farto das ironias, da voz irritante, dos gráficos e da falta de sensibilidade de Vítor Gaspar.
Farto dos episódios inacreditáveis do 'Dr.' Relvas, das mentiras de Passos Coelho e da cobardia de Paulo Portas.
Farto de me sentir inseguro cada vez que ouço José Seguro.
Farto de ter uma espécie de Tutankhamon como Presidente da República.
Farto dos disparates do Dr. Mário Soares.
Estou farto de ver gente a sofrer sem ter culpa.
Farto de ver pessoas perderem o emprego, os bens, a liberdade, a felicidade e muitas vezes a dignidade.
Farto de ver tantos a partir sem perspectivas, orientados pelo desespero.
Farto de silêncios.
Farto do FMI e da Troika.
Farto de sentir o pânico a cada esquina.
Farto de ver lojas fecharem a porta pela ultima vez e empresas a falir.
Farto de ver rostos fechados, sufocados pela crise.
Farto dos Sócrates, Linos, Varas, Campos e outros a gozarem connosco depois de terem hipotecado o futuro do país.
Farto da senhora Merkel.
Estou farto de ver gente miserável impor a miséria a milhões.
Farto da impunidade.
Farto de ver vigaristas, gente sem escrúpulos, triunfar.
Farto de banqueiros sem vergonha, corresponsáveis em tudo, a carpirem mágoas nos meios de comunicação social.
Farto de ver milhares de pessoas a entregarem as suas casas ao banco.
Farto de vergonhas como o BPN e as PPP.
Farto de ver um país maltratar os seus filhos e abandoná-los à sua sorte.
E, finalmente, estou farto de estar farto e imagino que não devo estar só. !
Tiago Mesquita (http://www.expresso.pt/)




--
Saudações cordiais
Arlindo Henriques

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domingo, 2 de dezembro de 2012

NÃO DEIXE DE LER... FABULOSO

poucos dias de completar 75 anos, a vida ensinou-me a não perder tempo com indivíduos arrogantes, incompetentes, ignorantes ou incoerentes daí, eu próprio, não entender a razão de estar a escrever-lhe, mas sinto que é um imperativo de consciência que dita esta carta.
Nasci um ano antes do início da segunda guerra mundial (se refiro o ano é apenas porque duvido que o senhor fosse capaz de, pelo facto de errar todas as contas, conseguir, a partir da minha idade, chegar ao ano do meu nascimento) e portanto, ainda miúdo, senti, embora as não vivesse, bem de perto a fome e a miséria. Sou natural de Aljustrel e como algum tempo depois do início da guerra a mina, sustento económico da vila, cessou a actividade, vi gente, muita gente, com fome, a alimentar-se de bolotas ou a comer açorda de coentros e alho, aquilo a que os restaurantes que o senhor deve frequentar chamam de sopa alentejana, sem azeite, ou seja, pão molhado em água a ferver. Anos depois imaginei que tal situação não viria a suportar-se mais no meu país mas, infelizmente o caminho que o senhor está a trilhar e a querer obrigar os portugueses a seguir conduzirá inexoravelmente a uma situação de miséria bem pior do que a que os portugueses já suportaram.
Em Outubro de 1945, alguns meses depois do fim da guerra, entrei pela primeira vez na escola e se lembro esse primeiro dia de aulas é pelo enorme pavor que tenho de que a história se repita.
Na parede fronteira às carteiras estava um crucifixo ladeado por 2 retratos, um senhor de bigode e fardado e um outro que estava de perfil com um nariz grande. Depois de algumas palavras a professora perguntou: Algum de vocês sabe de quem são as fotografias que ladeiam o crucifixo? O “Padreca” alcunha dum moço filho da maior beata da terra e, ao que se dizia, do padre, daí a alcunha, respondeu: São os dois ladrões que foram crucificados com Jesus Cristo. A professora exaltou-se e terminou a arenga dizendo que um retrato era do general Carmona, assim, sem senhor nem nada, Presidente da República e o outro de sua excelência o Senhor Dr. António de Oliveira Salazar, digníssimo presidente do conselho. Não sei se foi premonição se pelo ar da professora o certo é que embirrei logo com o “pencudo” que mais tarde viria a odiar. Porque refiro isto? Porque tenho receio de que os meus netos entrem numa sala de aula onde, no lugar do “pencudo”, estejam as olheiras de Vossa Excelência. Este meu medo funda-se no facto de na entrevista a que a seguir aludirei o senhor não ter falado como ministro das finanças mas sim como primeiro-ministro o que me leva a supor que o senhor se estará a preparar para seguir o percurso do professor de Santa Comba.
Avancemos, deixei de o ouvir, pelas razões que atrás refiro, mas acontece que fui visitar um amigo doente e acamado no dia em que o Senhor dava uma conferência de imprensa, creio que no passado dia 19 e lá tive que o escutar. No fim e após ouvir o comentário do meu amigo, que não reporto apenas porque não utilizo palavras de outros para dizer aquilo que pretendo, respondi ao meu amigo: Não me digas que estiveste a ouvir o “gajo” só para fazeres esse comentário?! Sorrimos os dois, porque o riso aberto já o senhor nos roubou.
Contrariamente ao que pensava a conferência de imprensa ficou a bailar-me nos ouvidos, a seguir, porque tenho gravado, fui ouvir as declarações do seu chefe (ou será o contrário?) feitas antes de ser primeiro-ministro, as declarações de Rafael Correa, Presidente do Equador na conferência realizada em Madrid na reunião entre os países Ibéricos e da América Latina e reler a tradução dum artigo que o senhor publicou no banco central europeu (Excess Burden and the Cost of Inefficiency Public Services Provision) no ano de 2006 (será que se lembra ainda do que então escreveu?) e tal agudizou a necessidade de lhe escrever e, o mais curioso é que a necessidade de gastar, ou perder, tempo com o senhor radicaliza nas mesmas razões que me levam a afirmar que não perco tempo com certas pessoas.
O senhor é arrogante: Só os arrogantes se afirmam donos da verdade absoluta e o senhor afirma e reafirma que o caminho que definiu é o único muito embora vozes autorizadas, até da sua área ideológica, digam que o caminho que o Senhor escolheu conduz o país, ou seja conduz os portugueses, ao precipício.
O senhor é incompetente: O senhor afirmou que com o orçamento de 2012, orçamento que me esbulhou de dois subsídios da reforma para que descontei durante 41 anos, o deficit das conta públicas ficaria nos 4,5% acordados com a troika, mais tarde veio afirmar que afinal o deficit ficaria nos 5% e agora já admite que mesmo esse objectivo não seja atingido. Só um incompetente comete tantos erros numa só operação. O Senhor afirmou e reafirmou que cumpriríamos metas e prazos, abjurando os que reclamavam a redefinição dos mesmos, para depois vir vangloriar-se de ter conseguido alteração das metas e dos prazos que, por pura incompetência, não atingiu. Mas o que revela ainda maior incompetência é o afirmar que uma “receita” que falhou redondamente em 2012 vai, desde que reforçada, produzir resultados diferentes em 2013.
O senhor é ignorante: Ignorante porque ignora a situação de miséria, aberta ou encapotada, em que já vivem mais de um milhão de portugueses e se prepara, com total indiferença, para aumentar o número de miseráveis do nosso país. Ignorante porque recusa as lições que a história nos dá, aconselho o senhor a ouvir as declarações do Presidente do Equador na cimeira Ibero-Americana. Ignorante porque não tira as ilacções que deveria tirar da situação grega. Ignorante porque não escuta as afirmações da directora geral do FMI.
O senhor é incoerente: Porque escreveu, no artigo que atrás refiro, em 2006 que “um estado eficiente podia reduzir para metade a carga fiscal” e está a duplicá-la, quando não a aumentá-la ainda mais. Eu vou recordar-lhe o que o Senhor escreveu sobre Portugal em 2006: “Em Portugal as receitas fiscais valiam 37,1% do PIB ou quase 60% do consumo privado. Se a provisão de serviços públicos fosse eficiente uma carga fiscal equivalente a 37,5% do consumo devia ser suficiente.”
Face ao que atrás ficou escrito, peço-lhe que ponha de lado a arrogância, a incompetência, a ignorância e a incoerência e preste um serviço a Portugal, demita-se e, se lhe for possível, leve também o resto do grupo que nos está a arrastar para o precipício.
No Alentejo, onde cresci e me fiz gente, ensinaram-me que se deve cumprimentar toda a gente, lembro-me de ouvir os mais velhos dizerem: “não se nega a salvação a ninguém”, mas, honestamente, não devo, não posso e não quero cumprimentar o ministro das finanças do desgoverno de Portugal.
Depois de terminar este escrito e antes de o reler estive a ouvir José Afonso que normalmente funciona como bálsamo para as minhas mágoas e ao escutar “O que faz falta é avisar a malta” decidi que esta carta será tornada pública no formato carta aberta.
José Nogueira Pardal

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

COMENTÁRIO DE JOAQUIM LETRIA

Por Joaquim Letria

A REDUÇÃO das reformas e pensões são as piores, mais cruéis, e
moralmente mais criminosas, das medidas de austeridade a que, sem
culpa nem julgamento, fomos condenados pelo directório tecnocrático
que governa o protectorado a que os nossos políticos reduziram
Portugal.

Para os reformados e pensionistas, o ano de 2013 vai ser ainda pior do
que este 2012. Os cortes vão manter-se ou crescer e, com o brutal
aumento de impostos, a subida dos preços dos combustíveis, do gás e da
electricidade, e o encarecimento de muitos bens essenciais, o
rendimento disponível dos idosos será ainda menor.

Os aposentados são indefesos. Com a existência organizada em função
dum determinado rendimento, para o qual se prepararam toda a vida,
entregando ao Estado o estipulado para este fazer render e pagar-lhes
agora o respectivo retorno, os reformados não têm defesa. São agora
espoliados e, não tendo condições para procurar outras fontes de
rendimento, apenas lhes resta, face à nova realidade que lhes criaram,
não honrar os seus compromissos, passar frio, fome e acumular dívidas.

No resto da Europa, os velhos viram as suas reformas não serem
atingidas e, em alguns casos, como sucedeu, por exemplo, em Espanha,
serem até ligeiramente aumentadas. Portugal não é país para velhos. Os
políticos devem pensar que os nossos velhos já estão mortos e que, no
fim de contas, estamos todos mal enterrados...

(12.11.12)
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Versão: 2012.0.2221 / Base de dados

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

PORTUGAL FELIZ

Passos Coelho vai à bruxa
A vidente concentra-se, fecha os olhos e diz:
- Vejo o senhor a passar numa avenida, em carro aberto, com o povo a acenar.
Encantado, Passos Coelho, pergunta:
- E a multidão, está feliz?

- Como nunca!
- E o povo, corre atrás do carro?
- Atrás e à volta. Como loucos!

- A polícia até tem dificuldade em abrir caminho
- As pessoas, carregam bandeiras, dísticos?
- Sim, bandeiras de Portugal e faixas com palavras de esperança

A sério?! E gritam, cantam?
- Gritam: "Agora sim!!! Agora tudo vai melhorar! "

- E eu, como é que eu reajo?

- Não dá p’ra ver.
- Não dá p’ra ver?!
- Não!
- O caixão vai fechado...
Imagem removida pelo remetente.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

QUEM FALA ASSIM NÃO É GAGO


2012-11-23

 

Exmº Senhor Ministro das Finanças

 

LISBOA

 

Excelência:

 

A poucos dias de completar 75 anos, a vida ensinou-me a não perder tempo com indivíduos arrogantes, incompetentes, ignorantes ou incoerentes daí, eu próprio, não entender a razão de estar a escrever-lhe, mas sinto que é um imperativo de consciência que dita esta carta.

Nasci um ano antes do início da segunda guerra mundial (se refiro o ano é apenas porque duvido que o senhor fosse capaz de, pelo facto de errar todas as contas, conseguir, a partir da minha idade, chegar ao ano do meu nascimento) e portanto, ainda miúdo, senti, embora as não vivesse, bem de perto a fome e a miséria. Sou natural de Aljustrel e como algum tempo depois do início da guerra a mina, sustento económico da vila, cessou a actividade, vi gente, muita gente, com fome, a alimentar-se de bolotas ou a comer açorda de coentros e alho, aquilo a que os restaurantes que o senhor deve frequentar chamam de sopa alentejana, sem azeite, ou seja, pão molhado em água a ferver. Anos depois imaginei que tal situação não viria a suportar-se mais no meu país mas, infelizmente o caminho que o senhor está a trilhar e a querer obrigar os portugueses a seguir conduzirá inexoravelmente a uma situação de miséria bem pior do que a que os portugueses já suportaram.

Em Outubro de 1945, alguns meses depois do fim da guerra, entrei pela primeira vez na escola e se lembro esse primeiro dia de aulas é pelo enorme pavor que tenho de que a história se repita.

Na parede fronteira às carteiras estava um crucifixo ladeado por 2 retratos, um senhor de bigode e fardado e um outro que estava de perfil com um nariz grande. Depois de algumas palavras a professora perguntou: Algum de vocês sabe de quem são as fotografias que ladeiam o crucifixo? O “Padreca” alcunha dum moço filho da maior beata da terra e, ao que se dizia, do padre, daí a alcunha, respondeu: São os dois ladrões que foram crucificados com Jesus Cristo. A professora exaltou-se e terminou a arenga dizendo que um retrato era do general Carmona, assim, sem senhor nem nada, Presidente da República e o outro de sua excelência o Senhor Dr. António de Oliveira Salazar, digníssimo presidente do conselho. Não sei se foi premonição se pelo ar da professora o certo é que embirrei logo com o “pencudo” que mais tarde viria a odiar. Porque refiro isto? Porque tenho receio de que os meus netos entrem numa sala de aula onde, no lugar do “pencudo”, estejam as olheiras de Vossa Excelência. Este meu medo funda-se no facto de na entrevista a que a seguir aludirei o senhor não ter falado como ministro das finanças mas sim como primeiro-ministro o que me leva a supor que o senhor se estará a preparar para seguir o percurso do professor de Santa Comba.

Avancemos, deixei de o ouvir, pelas razões que atrás refiro, mas acontece que fui visitar um amigo doente e acamado no dia em que o Senhor dava uma conferência de imprensa, creio que no passado dia 19 e lá tive que o escutar. No fim e após ouvir o comentário do meu amigo, que não reporto apenas porque não utilizo palavras de outros para dizer aquilo que pretendo, respondi ao meu amigo: Não me digas que estiveste a ouvir o “gajo” só para fazeres esse comentário?! Sorrimos os dois, porque o riso aberto já o senhor nos roubou.

Contrariamente ao que pensava a conferência de imprensa ficou a bailar-me nos ouvidos, a seguir, porque tenho gravado, fui ouvir as declarações do seu chefe (ou será o contrário?) feitas antes de ser primeiro-ministro, as declarações de Rafael Correa, Presidente do Equador na conferência realizada em Madrid na reunião entre os países Ibéricos e da América Latina e reler a tradução dum artigo que o senhor publicou no banco central europeu (Excess Burden and the Cost of Inefficiency Public Services Provision) no ano de 2006 (será que se lembra ainda do que então escreveu?) e tal agudizou a necessidade de lhe escrever e, o mais curioso é que a necessidade de gastar, ou perder, tempo com o senhor radicaliza nas mesmas razões que me levam a afirmar que não perco tempo com certas pessoas.

 

O senhor é arrogante: Só os arrogantes se afirmam donos da verdade absoluta e o senhor afirma e reafirma que o caminho que definiu é o único muito embora vozes autorizadas, até da sua área ideológica, digam que o caminho que o Senhor escolheu conduz o país, ou seja conduz os portugueses, ao precipício.

O senhor é incompetente: O senhor afirmou que com o orçamento de 2012, orçamento que me esbulhou de dois subsídios da reforma para que descontei durante 41 anos, o deficit das conta públicas ficaria nos 4,5% acordados com a troika, mais tarde veio afirmar que afinal o deficit ficaria nos 5% e agora já admite que mesmo esse objectivo não seja atingido. Só um incompetente comete tantos erros numa só operação. O Senhor afirmou e reafirmou que cumpriríamos metas e prazos, abjurando os que reclamavam a redefinição dos mesmos, para depois vir vangloriar-se de ter conseguido alteração das metas e dos prazos que, por pura incompetência, não atingiu. Mas o que revela ainda maior incompetência é o afirmar que uma “receita” que falhou redondamente em 2012 vai, desde que reforçada, produzir resultados diferentes em 2013.

O senhor é ignorante: Ignorante porque ignora a situação de miséria, aberta ou encapotada, em que já vivem mais de um milhão de portugueses e se prepara, com total indiferença, para aumentar o número de miseráveis do nosso país. Ignorante porque recusa as lições que a história nos dá, aconselho o senhor a ouvir as declarações do Presidente do Equador na cimeira Ibero-Americana. Ignorante porque não tira as ilacções que deveria tirar da situação grega. Ignorante porque não escuta as afirmações da directora geral do FMI.

O senhor é incoerente: Porque escreveu, no artigo que atrás refiro, em 2006 que “um estado eficiente podia reduzir para metade a carga fiscal” e está a duplicá-la, quando não a aumentá-la ainda mais. Eu vou recordar-lhe o que o Senhor escreveu sobre Portugal em 2006: “Em Portugal as receitas fiscais valiam 37,1% do PIB ou quase 60% do consumo privado. Se a provisão de serviços públicos fosse eficiente uma carga fiscal equivalente a 37,5% do consumo devia ser suficiente.”

 

Face ao que atrás ficou escrito, peço-lhe que ponha de lado a arrogância, a incompetência, a ignorância e a incoerência e preste um serviço a Portugal, demita-se e, se lhe for possível, leve também o resto do grupo que nos está a arrastar para o precipício.

 

No Alentejo, onde cresci e me fiz gente, ensinaram-me que se deve cumprimentar toda a gente, lembro-me de ouvir os mais velhos dizerem: “não se nega a salvação a ninguém”, mas, honestamente, não devo, não posso e não quero cumprimentar o ministro das finanças do desgoverno de Portugal.

 

Depois de terminar este escrito e antes de o reler estive a ouvir José Afonso que normalmente funciona como bálsamo para as minhas mágoas e ao escutar “O que faz falta é avisar a malta” decidi que esta carta será tornada pública no formato carta aberta.

 

 

José Nogueira Pardal

 

 

 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

R T P

RTP NÃO É FIGURANTE NAS ENCENAÇÕES DO GOVERNO
Toda a gente sabe que, no dia 14 de Novembro, a polícia foi apedrejada durante hora e meia sem reagir. Toda a gente sabe que, depois disso, a carga policial cilindrou por igual manifestantes violentos e manifestantes pacíficos, passantes acidentais em S. Bento e alguns no Cais Sodré. Toda a gente sabe que as dezenas de pessoas
detidas foram depois privadas de contacto com os seus advogados e submetidas a vexames em Monsanto. Toda a gente sabe que o ministro Miguel Macedo negou com solenidade a mesma existência de infiltrados que a PSP veio depois confirmar.A actividade dos infiltrados e a passividade da polícia, durante uma hora e meia, só podem ter servido para justificar aos olhos da opinião pública as violências e arbitrariedades policiais. Em última análise o plano só pode ter consistido em intimidar as centenas de milhares de pessoas que nos últimos meses têm participado em protestos contra o Governo e em dissuadi-las de voltarem à rua. Tudo teve os contornos de uma grande operação de guerra psicológica.
Para continuar, nos dias e meses seguintes, a fazer render essa operação de guerra psicológica, o Governo quis lançar mão de todos os recursos. Entre eles, quis contar com imagens gravadas pela RTP. Aqui enganou-se. A cada passo que dava dentro da RTP, o pedido governamental tropeçava na resistência dos trabalhadores.
A Comissão de Trabalhadores tomou desde o primeiro instante o seu lugar – e só o seu, sem ocupar o de mais ninguém – nessa espontânea resistência dos trabalhadores. Do primeiro ao último instante, insistiu para que fosse esclarecida toda esta história nebulosa.
Uma parte das responsabilidades foi assumida pelo Diretor de Informação e pelo Conselho de Administração. Nada foi dito pela Direção Geral de Conteúdos. Um inquérito interno irá correr para apurar outras responsabilidades: o ministro Miguel Macedo deverá saber que nem nós somos figurantes da sua encenação, nem a RTP é uma manifestação onde possa colocar impunemente os seus peões infiltrados.
E são estas as responsabilidades políticas que deverão ser apuradas por quem de direito. Não pode tolerar-se que Miguel Macedo, para efeitos da propaganda do Governo, induza ao crime – seja com as pedradas dos seus infiltrados, seja com pedidos de imagens que pressupõem uma violação da legalidade pela RTP. Não pode tolerar-se que homens de mão do ministro entrem na televisão pública como numa quinta sua, sem mandado judicial, para visionar e requerer cópias de imagens destinadas exclusivamente ao trabalho jornalístico. E não pode tolerar-se um Ministério da tutela que tolera toda esta intromissão e dela se faz cúmplice, por acção ou omissão.
A hora é de apurar também as responsabilidades políticas.
O Secretariado da Comissão de Trabalhadores da RTP
comissao.trabalhadores@rtp.pt

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O ZÉ

POVO VIVEU ACIMA DAS SUAS POSSIBILIDADES ???
Não me fecundem... porque fodido ando eu!
Zé do Tijolo resolveu fazer uma vivenda . Com as poupanças de uma vida de trabalho e uns dinheiritos que recebeu da herança dos seus sogros satisfez o sonho compartilhado com a mulher.
Pagou 23 % de IVA sobre os materiais , pagou as certidões das Finanças e da Conservatória , pagou o Imposto de Transacções , pagou o imposto de selo , pagou a Escritura e respectivo registo, pagou a ligação da água e da electricidade , pagou à Câmara as licenças, etc. etc. etc.
Apesar de ter perdido tanto tempo para pagar todos estes impostos ao Estado e de ter de pagar ainda durante toda a vida uma renda chamada IMI ,ficou de sorriso rasgado ao olhar para a sua bela casinha. O seu esforço , os muitos sacríficios e privações tinham valido a pena : tinha um teto a que podia chamar seu...
Qual não é o seu espanto quando houve um comentador de economia na TV, sujeito engravatado e bem falante, dizer o seguinte :
- o país está nesta grave crise porque os portugueses gastaram demais , construíram demasiadas moradias, por isso os sacrifícios impostos pela Troika , blá, blá, blá...
Zé do Tijolo sentiu-se um Zé do Calhau ! Sempre tinha pensado que tinha feito a sua casinha com o seu próprio dinheiro e nem um tostão tinha pedido ao Estado ! Era tão idiota , tão imbecil que chegara mesmo a pensar , dada a enorme panóplia de impostos que tinha liquidado ao Estado, que esse mesmo Estado devia estar agradecido pela sua contribuição.
Este importante catedrático de economia veio-lhe abrir os olhos. Afinal o dinheiro que tinha penosamente poupado ao longo da vida não era seu...nem o dinheiro da herançazita ...porque se fosse realmente seu como poderia ser responsável pela crise do país ? Zé do Tijolo sentiu uma enorme vergonha e remorso por ter feito o imóbil e ter dado trabalho e dinheiro a ganhar a tantas artes, provocando , segundo a tal sumidade catedrática , a bancarrota do seu país adorado.
O sorriso rasgado do Zé do Tijolo transformou-se num esgar : era ladrão... tinha roubado a pátria lusa e vivido acima das suas possibilidades...!?!?
O Manel Fangio vestiu-se com primor . Pegou no filho de 18 meses ao colo e acompanhado da mulher dirigiu-se ao Stand no centro da cidade. Ia ansioso e não via a hora de sentar o seu fiofó naquele sonhado Renault Clio prateado . Deu um longo suspiro de satisfação. Não mais teria que conduzir a velha e ruidosa motorizada , com a proa empinada pelo peso dos nadegueiros roliços da companheira grávida , obrigando-o a um equilibrismo de artista circense. O pior era o inverno , chuva e gelo , quando tinha de levar e trazer o rebento do infantário . Cortava-lhe o coração sujeitar o filho a tais condições e tremia de medo só de imaginar um acidente, que andava sempre à espreita . Águas passadas : agora tinha um popó que poderia chamar seu. Bem , não era mesmo seu porque pedira emprestado ao banco uma parte do dinheiro e só após 48 prestações mensais poderia ficar registado como sua propriedade.
Manel Fangio , assinou ansioso os documentos : o ISV , o IVA , o IUC , o seguro e o registo provisório...
Agora era rodar a chave , parar na estação se serviço e abastecer de combustível . Ufa ! Achou caro : o funcionário argumentou que sobre o preço do litro incidia um imposto para o Estado de 58 %, repartido pelo ISP e IVA.
Bem...não havia nada a fazer : era pagar e "não bufar" porque se bufasse estava sujeito a acelerar a evaporação do precioso líquido. Apanhou a SCUT e escutou nos pórticos um piar . Não , não era o chilrear de uma ave a repousar do vôo. Era a electrónica a zelar pelo erário público...
Enfim, chegou a casa. Ligou a "caixa que mudou o mundo" e escuta o perorar papagueado de um anafado comentador político , que dizia :
- o país está na bancarrota porque o povo viveu acima das suas possibilidades reais , compraram-se muitas viaturas , agora é preciso pagar a factura e aceitar a austeridade , blá , blá , blá...
Manel Fangio escorregou do sofá . Tinha, de facto , pedido dinheiro ao banco para pagar o automóvel , tinha pago do seu bolso todos os impostos inerentes ao Estado , nunca lhe passou pela "cachimónia" ,nem se lembrava, de ter pedido dinheiro ao dito Estado para comprar o veículo !!! Como poderia ser responsável pela crise do país ?
Bem...este lustroso político , licenciado em economia ainda muito jovem , com apenas 37 anos , possuidor de uma retórica invejável não podia estar enganado...era um doutor...
O sorriso de satisfação do Manel Fangio murchou: era um corrécio...tinha esbulhado a ditosa pátria muito amada , levando com o seu escandaloso dislate rodoviário o país à ruptura financeira...
Os pecados implicam penitências. Manel Fangio e sua família , incluindo o rebento e o que estava para rebentar , teriam que pagar durante décadas e com "língua de palmo" pelo crime da exuberância de ter passado da motorizada para o Clio.
como sou burro...
como sou jumento...
como sou asno...
como sou solípede...
como sou cavalgadura...
como sou asinino..
como sou jegue...
como sou azémola...
como sou alimária...
como sou tudo isso e muito mais...
e com a jeriquisse crónica de que sou feliz portador ou contemplado, pergunto :
O Zé do Tijolo e o Manel Fangio pediram algum dinheiro ao Estado ?
Viveram acima das suas possibilidades ou viveram com as suas possibilidades ?
Como podem ser criticados ou responsabilizados pelos médias ( apetecia-me dizer merdas...) pela crise que o país atravessa ?
O dinheiro não era deles ? e não podiam fazer com o seu dinheiro o que muito bem desejassem ?
Não pagaram, para além disso , uma imensidade de impostos ?
Em resumo: quando vejo os economistas residentes e afins ,a justificar a austeridade com o argumento de que o povo foi despesista ( para branquear a corrupção endémica dos políticos )
apetece-me mandá-los apanhar no subilatório...e só não mando porque não quero matar alguns com mimos...
Pensem nisto e deixem de me fecundar...porque fodido ando eu...
Por favor..., Não me fecundem; porque fodido ando eu!
El Jerico assanhado