terça-feira, 9 de agosto de 2011
FAZ PENSAR
Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no
Público, 2010-06-21
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e
complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Pedro Afonso
Médico psiquiatra
Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no
Público, 2010-06-21
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e
complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Pedro Afonso
Médico psiquiatra
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
UMA REFLEXÃO
Sair do euro ou não?
A escolha parece pois ser entre uma perigosa aventura e uma harmonização utópica. A questão política central é sair deste dilema.
Artigo
5 Agosto, 2011 - 17:39
Por Michel Husson
Euro - Foto de Images of Money/Flickr O desenrolar da crise pode resumir-se de maneira simples: durante as duas últimas décadas precedentes à crise, o capitalismo reproduziu-se acumulando uma montanha de dívidas. Para evitar o afundamento do sistema, os Estados responsabilizaram-se pelo essencial destas dívidas, que passaram de privadas a públicas. O seu projecto é agora passar a factura aos cidadãos sob a forma de cortes orçamentais, de aumento dos impostos mais injustos e de congelamento dos salários. Em resumo, a maioria da população (trabalhadores e reformados) deve garantir a realização dos lucros fictícios acumulados durante muitos anos.
“O bicho estava no fruto”
Querer construir um espaço económico com uma moeda única, mas sem orçamento, não era um projecto coerente. Uma união monetária truncada torna-se uma máquina de fabricar heterogeneidade e divergência. Os países que têm uma inflação superior à média perdem competitividade, são levados a assentar o seu crescimento no sobre-endividamento.
Retrospectivamente, a escolha do euro não tinha além disso justificação evidente em relação a um sistema de moeda comum, com um euro convertível para as relações com o resto do mundo, e moedas reajustáveis no seu interior. Na realidade, o euro foi concebido como um instrumento de disciplina orçamental e sobretudo salarial. Sendo impossível o recurso à desvalorização, o salário tornou-se a única variável de ajustamento.
No entanto, o sistema funcionou menos mal graças ao sobre-endividamento e, pelo menos num primeiro tempo, à baixa do euro em relação ao dólar. Estes expedientes não podiam deixar de esgotar-se, e as coisas começaram a degradar-se com a política alemã de deflação salarial que a levou a aumentar a sua posição no mercado, sobretudo no interior da zona euro. Mesmo que a zona euro estivesse globalmente em equilíbrio, o desvio ampliou-se entre os excedentes alemães e os défices da maioria dos outros países. As taxas de crescimento dos países da zona euro não se aproximaram: pelo contrário, têm tido tendência a divergir e isto desde a introdução do euro.
Esta configuração não era sustentável. A crise acelerou brutalmente os processos de fragmentação e a especulação financeira trouxe ao de cima as tensões inerentes à Europa neoliberal. A crise aprofundou a polarização da zona euro em dois grupos de países. De um lado, a Alemanha, a Holanda e a Áustria beneficiaram de importantes excedentes comerciais e os seus défices públicos continuaram moderados. Do outro lado, encontravam-se já os famosos “PIGS” (Portugal, Itália, Grécia, Espanha) numa situação inversa: fortes défices comerciais e défices públicos já acima da média. Com a crise, os défices públicos ampliaram-se em todos os países, mas muito menos no primeiro grupo de países que conservam excedentes comerciais. Em todos os outros, a situação degrada-se com a explosão dos défices públicos e um desequilíbrio crescente da balança comercial.
Na Europa, a crise das dívidas soberanas acelerou a viragem para a austeridade que, de qualquer forma, estava programada. A especulação contra a Grécia, depois contra a Irlanda e Portugal, só foi possível porque não houve nenhuma medida de controlo dos bancos, nem a assunção mutualizada das dívidas à escala europeia. Foram, além disso, os bancos centrais que forneceram as munições, emprestando aos bancos a 1% o dinheiro que seria em seguida utilizado para alimentar a subida das taxas impostas aos Estados e para embolsar a diferença.
O endividamento público assumiu o endividamento privado, a crise financeira agravou-se neste terreno. Deste ponto de vista, os planos de salvação do euro são na realidade planos de salvação dos bancos europeus que detêm uma boa parte da dívida dos países ameaçados. Os ataques especulativos são usados como argumento a favor de uma passagem rápida a planos de austeridade drásticos. É um absurdo que só pode levar a uma nova recessão, mesmo na Alemanha onde as exportações para os países emergentes não poderão compensar as perdas nos mercados europeus.
No fundo, os governos europeus têm apenas um objectivo: regressar o mais depressa possível ao business as usual1. Mas este objectivo é inatingível, precisamente, porque tudo o que tinha permitido gerir as contradições de uma integração monetária mal feita tornou-se inutilizável para a crise. Estes elementos de análise são hoje muito amplamente partilhados. No entanto, eles levam a prognósticos e orientações opostas: rebentamento da zona euro ou refundação da construção europeia.
Por uma refundação da Europa
O princípio essencial é a satisfação óptima das necessidades sociais. O ponto de partida é a distribuição da riqueza. Do ponto de vista capitalista, a saída da crise passa por uma reestruturação da rentabilidade e, portanto, por uma pressão suplementar sobre os salários e o emprego. Mas foi a parte do rendimento nacional retirada aos salários que alimentou as bolhas financeiras. E foram as contra-reformas neoliberais que agravaram os défices, mesmo antes do deflagrar da crise.
A equação é simples: não se sairá positivamente da crise sem uma modificação significativa da repartição dos rendimentos. Esta questão vem mesmo antes da do crescimento. Certamente, um crescimento mais sustentável seria favorável ao emprego e aos salários (sendo ainda necessário discutir o seu conteúdo de um ponto de vista ecológico) mas, de qualquer maneira, não podemos contar com esta variável se, ao mesmo tempo, a repartição dos rendimentos se torna cada vez mais desigual.
É preciso combater duplamente as desigualdades: por um lado, pelo aumento da massa salarial, por outro, pela reforma fiscal. A subida da parte dos salários poderá seguir a regra dos três terços: um terço para os salários directos, um terço para o salário socializado (a protecção social) e um terço para a criação de empregos através da redução do tempo de trabalho. Esta progressão far-se-á em detrimento dos dividendos, que não têm qualquer justificação económica nem utilidade social. O défice orçamental deverá ser reduzido progressivamente, não por um corte nas despesas, mas por uma nova fiscalização sobre todas as formas de rendimento que, pouco a pouco, foram dispensados de pagar imposto. No imediato, o custo da crise deverá ser assumido pelos seus responsáveis. Dito de outro modo: a dívida deverá ser em grande parte anulada e os bancos nacionalizados.
O desemprego e a precariedade eram já os males sociais mais graves deste sistema: a crise agrava-os, tanto mais que os planos de austeridade vão cortar nas condições de existência dos mais desfavorecidos. Sublinhando novamente: um hipotético crescimento não deve ser considerado o caminho indicado. Produzir mais para poder criar empregos? É pegar na questão ao contrário. É preciso operar aqui uma mudança total de perspectiva e tomar como ponto de partida a criação de empregos úteis. Quer seja pela redução do tempo de trabalho no privado ou pela criação de postos de trabalho nas administrações, nos serviços públicos e nas autarquias, é preciso partir das necessidades e compreender que são os empregos que criam riqueza (não forçosamente mercantil). E isto permite estabelecer uma conjugação com as preocupações ambientais: a prioridade ao tempo livre e à criação de empregos úteis são dois elementos essenciais de qualquer programa de luta contra as alterações climáticas.
A questão da repartição do rendimento é o ponto-chave, em torno deste princípio simples: “nós não pagaremos para a crise deles”. Isto não tem nada a ver com uma “retoma pelos salários”, mas com uma defesa dos salários, do emprego e dos direitos sociais, sobre a qual não deverá haver dúvidas. Pode-se então destacar a noção complementar de controlo: controlo sobre o que eles fazem dos seus lucros (aumentar dividendos ou criar empregos); controlo sobre a utilização dos impostos (subvencionar os bancos ou financiar os serviços públicos). O desafio é mudar a agulha da defesa para o controlo e só esta deslocação pode permitir que o questionamento da propriedade privada dos meios de produção (o verdadeiro anti-capitalismo) adquira uma audiência de massas.
Como bem resume Özelem Onaram2: “Emerge um consenso entre as forças anti-capitalistas europeias em torno de uma estratégia assente em quatro pilares: 1) resistência às políticas de austeridade; 2) reforma fiscal radical e controlo dos capitais; 3) nacionalização/socialização dos bancos sob controlo democrático; 4) auditoria da dívida sob controlo democrático seguido de um eventual não pagamento”.
Saída do euro?
Qual seria a vantagem de uma saída do euro? O argumento principal é que tornaria possível uma desvalorização da nova moeda que restabeleceria a competitividade do país em causa. Ela daria de novo ao Banco central a possibilidade de emitir moeda, a fim de financiar o défice de outra forma. Os mais optimistas vêem aí um meio de reindustrializar a economia, de atingir um crescimento mais elevado e de criar empregos.
A fusão das moedas nacionais no euro retirou uma variável de ajustamento essencial, a taxa de câmbio. Os países com a competitividade-preço em queda não têm outro meio, no quadro europeu actual, senão a contenção salarial e a corrida desenfreada ao endividamento. Isto é verdade, mas não evita que o cenário de saída do euro seja incoerente.
A saída do euro não resolveria a questão da dívida e pelo contrário agravá-la-ia, na medida em que a dívida aos não-residentes seria imediatamente aumentada devido à taxa de desvalorização. A reestruturação da dívida deveria, em qualquer caso, ser realizada antes da saída do euro.
Regressar a uma moeda nacional, para o caso de países que registam importantes défices externos, submete-os directamente à especulação com a moeda. Pertencer ao euro tinha pelo menos a vantagem de preservar os países destes ataques especulativos: assim, o défice comercial da Espanha chegou a cerca de 9% do PIB, sem qualquer efeito sobre a “sua” moeda. Uma desvalorização torna os produtos de um país mais competitivos, pelo menos em relação aos países que não desvalorizam. Assim, seria preciso que a saída do euro acontecesse apenas para um pequeno número de países. É pois uma solução nacional, não cooperativa, em que um país procura ganhar partes de mercado aos seus parceiros comerciais.
Mas uma desvalorização faz aumentar o preço das importações, o que se repercute na inflação interna e pode anular parte dos ganhos de competitividade nos preços de exportação. O economista Jacques Sapir, que estabeleceu um plano de saída do euro para a França3, reconhece que a inflação “imporá desvalorizações regulares (todos os anos ou de 18 em 18 meses)” para manter constante a taxa de câmbio real. Isto significa aceitar um círculo inflação-desvalorização sem fim. A competitividade de um país assenta em elementos materiais: os ganhos de produtividade, a inovação, a especialização industrial, etc. Pensar que a manipulação das taxas de câmbio pode ser suficiente para assegurar a competitividade é, em grande medida, uma ilusão.
É por isso que quase não há nenhuma experiência de desvalorização que não se tenha traduzido num aumento de austeridade, que recai em definitivo sobre os assalariados. Para que a desvalorização sirva para criar uma outra repartição do rendimento e um outro modelo de crescimento será necessária uma profunda transformação da relação de forças sociais. Fazer da saída do euro um pré-requisito significa inverter as prioridades entre transformação social e taxa de câmbio. Há aí um desvio extremamente perigoso. No seu documento, Jacques Sapir sublinha que a “nova moeda deveria ser inserida nas mudanças de política macro-económica e institucional (…) se se quiser que ela produza todos os efeitos desejados”. Entre as mudanças, ele cita uma recuperação dos salários, a defesa dos sistemas sociais, um rigoroso controlo dos capitais, a requisição do Banco de França, o controlo do Estado sobre os bancos e as companhias de seguros. Mas todas estas medidas deveriam ter sido impostas antes mesmo de qualquer projecto de saída do euro.
Além disso, um governo de transformação social cometeria um erro estratégico terrível começando por sair do euro, pois que se exporia a todas as medidas de retaliação. Politicamente, o risco de dar uma legitimidade de esquerda aos programas populistas é muito grande. Em França, a Frente Nacional faz da saída do euro um dos eixos da sua política. Ela retoma uma lógica nacional-socialista que combina o discurso xenófobo com uma perspectiva que faz da integração europeia a fonte exclusiva de todos os males económicos e sociais.
Este é o fundo da questão. A mundialização e a integração europeia neoliberais reforçam a relação de forças a favor do capital. Mas não é possível fazer disso a causa única, como se uma melhor partilha das riquezas se pudesse estabelecer espontaneamente, no interior de cada país, com a única condição de tomar medidas proteccionistas. Fazer crer que a saída do euro poderia, por si só, melhorar a relação de forças a favor dos trabalhadores é no fundo um erro de análise fundamental. Basta considerar o exemplo britânico: a libra esterlina não faz parte do euro, mas isso não protege a população de um dos mais brutais planos de austeridade da Europa.
Os partidários da saída do euro avançam um outro argumento: a saída do euro seria uma medida imediata, relativamente fácil de tomar, enquanto que uma perspectiva de refundação europeia estaria fora de alcance. Este argumento passa ao lado da possibilidade de uma estratégia de ruptura, que não se pressupõe que aconteça simultaneamente em todos os países europeus.
Para uma estratégia de ruptura e ampliação
A escolha parece pois ser entre uma perigosa aventura e uma harmonização utópica. A questão política central é sair deste dilema. Para tentar responder-lhe, é preciso trabalhar a distinção entre os fins e os meios. O objectivo de uma política de transformação social é, mais uma vez, assegurar ao conjunto dos cidadãos uma vida decente em todas as suas dimensões (emprego, saúde, reforma, habitação, etc.) O obstáculo imediato é a distribuição dos rendimentos, que precisa de ser alterada na fonte (entre lucros e salários) e corrigida a nível fiscal. É preciso tomar um conjunto de medidas para baixar os rendimentos financeiros e realizar uma reforma fiscal radical. Estas questões passam por pôr em causa os interesses sociais dominantes, os seus privilégios, e este confronto desenrola-se acima de tudo num quadro nacional. Mas os pontos fortes dos dominantes e as medidas de retaliação possíveis ultrapassam este quadro nacional: invoca-se imediatamente a perda de competitividade, as fugas de capitais e a ruptura com as regras europeias.
A única estratégia possível deve então apoiar-se na legitimidade das soluções progressistas, que resulta do seu carácter eminentemente cooperativo. Todas as recomendações neoliberais retornam em última instância à procura do aumento da competitividade: é preciso baixar os salários, reduzir os “encargos” para, no fim de contas, ganhar partes de mercado. Como o crescimento será fraco no período aberto pela crise na Europa, o único meio para um país criar empregos, será ganhar parte deles aos países vizinhos, tanto mais que a maioria do comércio externo dos países europeus se faz no interior da Europa. Isto é verdadeiro até para a Alemanha (primeiro ou segundo exportador mundial com a China), que não pode contar só com os países emergentes para o seu crescimento e os seus empregos. As saídas neoliberais da crise são pois por natureza não-cooperativas: só se pode ganhar contra os outros e é este o fundamento da crise da construção europeia.
Em contraste, as soluções progressistas são cooperativas: elas funcionam tanto melhor quanto se estenderem a um maior número de países. Se todos os países europeus reduzissem a duração do trabalho e taxassem os rendimentos do capital, esta coordenação permitiria eliminar os ataques a que seria exposta esta mesma política conduzida num único país. A via a explorar é pois a de uma estratégia de ampliação que um governo da esquerda radical possa seguir:
1. toma-se unilateralmente as “boas” medidas (por exemplo a taxação das transacções financeiras);
2. acompanhamo-las de medidas de protecção (por exemplo um controlo dos capitais);
3. corre-se o risco político de infringir as regras europeias:
4. propõe-se modificá-las estendendo à escala europeia as medidas tomadas;
5. não se exclui um braço de ferro e usa-se a ameaça de saída do euro.
Este esquema reconhece que não se pode condicionar a implementação de uma “boa” política à constituição de uma “boa” Europa. As medidas de retaliação de qualquer espécie devem ser antecipadas por meio de medidas que, efectivamente, fazem apelo ao arsenal proteccionista. Mas não se trata de proteccionismo no sentido habitual do termo, porque este proteccionismo protege uma experiência de transformação social e não os interesses dos capitalistas de um dado país face à concorrência dos outros. É pois um proteccionismo de ampliação, cuja lógica é desaparecer a partir do momento em que as “boas” medidas forem generalizadas.
A ruptura com as regras europeias não se faz numa base ideológica, mas a partir de uma medida justa e legítima, que corresponde aos interesses do maior número e que é proposta como caminho a seguir pelos países vizinhos. Esta esperança de mudança permite então contar com o apoio da mobilização social nos outros países e construir assim uma relação de forças que pode pesar nas instituições europeias. A recente experiência do plano de salvação do euro mostrou, além disso, que não é necessário mudar os tratados para passar por cima de um certo número das suas disposições.
Neste esquema, a saída do euro deixa de ser uma questão prévia. É pelo contrário uma arma a utilizar em último recurso. A ruptura deverá pois fazer-se sobre dois pontos que permitiriam alcançar verdadeiras margens de manobra: nacionalização dos bancos e denúncia da dívida.
Ruptura e refundação
O primeiro ponto de apoio é a capacidade de ir contra os interesses capitalistas: o país inovador pode reestruturar a sua dívida, nacionalizar os capitais estrangeiros, etc. ou ameaçar fazê-lo. Mesmo no caso de um pequeno país, a capacidade de resposta é considerável, tendo em conta a interligação das economias e dos mercados financeiros. Muitos poderão ter perdas, por exemplo os bancos europeus no caso da Grécia. Em vez de se ajoelhar diante da finança, Papandreou teria podido iniciar um braço de ferro dizendo: “A Grécia não pode pagar, portanto temos de discutir”. Foi o que fez a Argentina quando suspendeu o pagamento da dívida em 2001, obtendo com isso uma renegociação.
Mas o principal ponto de apoio residirá no carácter cooperativo das medidas tomadas. Esta é uma enorme diferença com o proteccionismo clássico que, no fundo, procura sempre ultrapassar as dificuldades ganhando partes de mercado aos seus concorrentes. Todas as medidas progressistas, pelo contrário, são tão mais eficazes quanto se generalizem a um maior número de países. É preciso falar aqui de uma estratégia de ampliação que assenta no seguinte discurso: afirmamos a nossa vontade de taxar o capital e tomamos as medidas de protecção adequadas. Mas esperamos que esta medida, como propomos, seja estendida ao conjunto da Europa. É em nome de uma outra Europa que assumiremos a ruptura com a Europa realmente existente. Devemos reflectir na articulação entre ruptura com a Europa neoliberal e projecto de refundação europeia, em vez de os pormos em oposição.
O projecto e a relação de forças
Um programa que visasse apenas regular o sistema à margem seria não só sub-dimensionado mas também pouco mobilizador. Por outro lado, uma perspectiva radical arrisca-se a desmoralizar perante a amplitude da tarefa. Trata-se em qualquer caso de determinar o grau óptimo de radicalidade. A dificuldade não é tanto elaborar dispositivos de ordem técnica: é evidentemente indispensável e é um trabalho largamente avançado, mas não existe nenhuma medida hábil que permita contornar o enfrentamento inevitável entre interesses sociais contraditórios.
Sobre os bancos, as hipóteses vão da nacionalização integral à regulação, passando pela constituição de um pólo financeiro público ou a aplicação de uma regulamentação muito restritiva. A dívida pública pode ser anulada, suspensa, renegociada, etc. A nacionalização integral dos bancos e a denúncia da dívida pública são medidas legítimas e economicamente viáveis mas podem parecer fora de alcance, devido à relação de forças actual. Aí situa-se o verdadeiro debate: qual é, na escala de radicalismo, a posição que melhor permite mobilizar? Não é aos economistas que cabe decidir este debate e é por isso que mais do que propor um conjunto de medidas este artigo procura pôr questões de método e sublinhar a necessidade, para a verdadeira saída da crise, de três ingredientes indispensáveis:
1. uma modificação radical na distribuição dos rendimentos;
2. uma redução massiva do tempo de trabalho;
3. uma ruptura com a ordem mundial capitalista, a começar pela Europa realmente existente.
O debate não pode ficar fechado numa oposição entre anti-liberais e anti-capitalistas. Esta distinção tem evidentemente sentido, conforme o projecto seja libertarmos o capitalismo da finança ou livrarmo-nos do capitalismo. Mas esta tensão não deverá impedir-nos de fazermos um longo caminho em conjunto, enquanto fazemos este debate. O “programa comum” poderá assentar aqui na vontade de impor outras regras de funcionamento ao capitalismo. Esta é a linha divisória entre a esquerda radical e o social-liberalismo. Em qualquer caso, a tarefa prioritária actual para a esquerda radical é construir um horizonte europeu comum, que sirva de base a um verdadeiro internacionalismo.
Artigo publicado em A l’encontre (“Do Contra”) a18 de Julho de 2011. Tradução de Carlos Santospara esquerda.net
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A escolha parece pois ser entre uma perigosa aventura e uma harmonização utópica. A questão política central é sair deste dilema.
Artigo
5 Agosto, 2011 - 17:39
Por Michel Husson
Euro - Foto de Images of Money/Flickr O desenrolar da crise pode resumir-se de maneira simples: durante as duas últimas décadas precedentes à crise, o capitalismo reproduziu-se acumulando uma montanha de dívidas. Para evitar o afundamento do sistema, os Estados responsabilizaram-se pelo essencial destas dívidas, que passaram de privadas a públicas. O seu projecto é agora passar a factura aos cidadãos sob a forma de cortes orçamentais, de aumento dos impostos mais injustos e de congelamento dos salários. Em resumo, a maioria da população (trabalhadores e reformados) deve garantir a realização dos lucros fictícios acumulados durante muitos anos.
“O bicho estava no fruto”
Querer construir um espaço económico com uma moeda única, mas sem orçamento, não era um projecto coerente. Uma união monetária truncada torna-se uma máquina de fabricar heterogeneidade e divergência. Os países que têm uma inflação superior à média perdem competitividade, são levados a assentar o seu crescimento no sobre-endividamento.
Retrospectivamente, a escolha do euro não tinha além disso justificação evidente em relação a um sistema de moeda comum, com um euro convertível para as relações com o resto do mundo, e moedas reajustáveis no seu interior. Na realidade, o euro foi concebido como um instrumento de disciplina orçamental e sobretudo salarial. Sendo impossível o recurso à desvalorização, o salário tornou-se a única variável de ajustamento.
No entanto, o sistema funcionou menos mal graças ao sobre-endividamento e, pelo menos num primeiro tempo, à baixa do euro em relação ao dólar. Estes expedientes não podiam deixar de esgotar-se, e as coisas começaram a degradar-se com a política alemã de deflação salarial que a levou a aumentar a sua posição no mercado, sobretudo no interior da zona euro. Mesmo que a zona euro estivesse globalmente em equilíbrio, o desvio ampliou-se entre os excedentes alemães e os défices da maioria dos outros países. As taxas de crescimento dos países da zona euro não se aproximaram: pelo contrário, têm tido tendência a divergir e isto desde a introdução do euro.
Esta configuração não era sustentável. A crise acelerou brutalmente os processos de fragmentação e a especulação financeira trouxe ao de cima as tensões inerentes à Europa neoliberal. A crise aprofundou a polarização da zona euro em dois grupos de países. De um lado, a Alemanha, a Holanda e a Áustria beneficiaram de importantes excedentes comerciais e os seus défices públicos continuaram moderados. Do outro lado, encontravam-se já os famosos “PIGS” (Portugal, Itália, Grécia, Espanha) numa situação inversa: fortes défices comerciais e défices públicos já acima da média. Com a crise, os défices públicos ampliaram-se em todos os países, mas muito menos no primeiro grupo de países que conservam excedentes comerciais. Em todos os outros, a situação degrada-se com a explosão dos défices públicos e um desequilíbrio crescente da balança comercial.
Na Europa, a crise das dívidas soberanas acelerou a viragem para a austeridade que, de qualquer forma, estava programada. A especulação contra a Grécia, depois contra a Irlanda e Portugal, só foi possível porque não houve nenhuma medida de controlo dos bancos, nem a assunção mutualizada das dívidas à escala europeia. Foram, além disso, os bancos centrais que forneceram as munições, emprestando aos bancos a 1% o dinheiro que seria em seguida utilizado para alimentar a subida das taxas impostas aos Estados e para embolsar a diferença.
O endividamento público assumiu o endividamento privado, a crise financeira agravou-se neste terreno. Deste ponto de vista, os planos de salvação do euro são na realidade planos de salvação dos bancos europeus que detêm uma boa parte da dívida dos países ameaçados. Os ataques especulativos são usados como argumento a favor de uma passagem rápida a planos de austeridade drásticos. É um absurdo que só pode levar a uma nova recessão, mesmo na Alemanha onde as exportações para os países emergentes não poderão compensar as perdas nos mercados europeus.
No fundo, os governos europeus têm apenas um objectivo: regressar o mais depressa possível ao business as usual1. Mas este objectivo é inatingível, precisamente, porque tudo o que tinha permitido gerir as contradições de uma integração monetária mal feita tornou-se inutilizável para a crise. Estes elementos de análise são hoje muito amplamente partilhados. No entanto, eles levam a prognósticos e orientações opostas: rebentamento da zona euro ou refundação da construção europeia.
Por uma refundação da Europa
O princípio essencial é a satisfação óptima das necessidades sociais. O ponto de partida é a distribuição da riqueza. Do ponto de vista capitalista, a saída da crise passa por uma reestruturação da rentabilidade e, portanto, por uma pressão suplementar sobre os salários e o emprego. Mas foi a parte do rendimento nacional retirada aos salários que alimentou as bolhas financeiras. E foram as contra-reformas neoliberais que agravaram os défices, mesmo antes do deflagrar da crise.
A equação é simples: não se sairá positivamente da crise sem uma modificação significativa da repartição dos rendimentos. Esta questão vem mesmo antes da do crescimento. Certamente, um crescimento mais sustentável seria favorável ao emprego e aos salários (sendo ainda necessário discutir o seu conteúdo de um ponto de vista ecológico) mas, de qualquer maneira, não podemos contar com esta variável se, ao mesmo tempo, a repartição dos rendimentos se torna cada vez mais desigual.
É preciso combater duplamente as desigualdades: por um lado, pelo aumento da massa salarial, por outro, pela reforma fiscal. A subida da parte dos salários poderá seguir a regra dos três terços: um terço para os salários directos, um terço para o salário socializado (a protecção social) e um terço para a criação de empregos através da redução do tempo de trabalho. Esta progressão far-se-á em detrimento dos dividendos, que não têm qualquer justificação económica nem utilidade social. O défice orçamental deverá ser reduzido progressivamente, não por um corte nas despesas, mas por uma nova fiscalização sobre todas as formas de rendimento que, pouco a pouco, foram dispensados de pagar imposto. No imediato, o custo da crise deverá ser assumido pelos seus responsáveis. Dito de outro modo: a dívida deverá ser em grande parte anulada e os bancos nacionalizados.
O desemprego e a precariedade eram já os males sociais mais graves deste sistema: a crise agrava-os, tanto mais que os planos de austeridade vão cortar nas condições de existência dos mais desfavorecidos. Sublinhando novamente: um hipotético crescimento não deve ser considerado o caminho indicado. Produzir mais para poder criar empregos? É pegar na questão ao contrário. É preciso operar aqui uma mudança total de perspectiva e tomar como ponto de partida a criação de empregos úteis. Quer seja pela redução do tempo de trabalho no privado ou pela criação de postos de trabalho nas administrações, nos serviços públicos e nas autarquias, é preciso partir das necessidades e compreender que são os empregos que criam riqueza (não forçosamente mercantil). E isto permite estabelecer uma conjugação com as preocupações ambientais: a prioridade ao tempo livre e à criação de empregos úteis são dois elementos essenciais de qualquer programa de luta contra as alterações climáticas.
A questão da repartição do rendimento é o ponto-chave, em torno deste princípio simples: “nós não pagaremos para a crise deles”. Isto não tem nada a ver com uma “retoma pelos salários”, mas com uma defesa dos salários, do emprego e dos direitos sociais, sobre a qual não deverá haver dúvidas. Pode-se então destacar a noção complementar de controlo: controlo sobre o que eles fazem dos seus lucros (aumentar dividendos ou criar empregos); controlo sobre a utilização dos impostos (subvencionar os bancos ou financiar os serviços públicos). O desafio é mudar a agulha da defesa para o controlo e só esta deslocação pode permitir que o questionamento da propriedade privada dos meios de produção (o verdadeiro anti-capitalismo) adquira uma audiência de massas.
Como bem resume Özelem Onaram2: “Emerge um consenso entre as forças anti-capitalistas europeias em torno de uma estratégia assente em quatro pilares: 1) resistência às políticas de austeridade; 2) reforma fiscal radical e controlo dos capitais; 3) nacionalização/socialização dos bancos sob controlo democrático; 4) auditoria da dívida sob controlo democrático seguido de um eventual não pagamento”.
Saída do euro?
Qual seria a vantagem de uma saída do euro? O argumento principal é que tornaria possível uma desvalorização da nova moeda que restabeleceria a competitividade do país em causa. Ela daria de novo ao Banco central a possibilidade de emitir moeda, a fim de financiar o défice de outra forma. Os mais optimistas vêem aí um meio de reindustrializar a economia, de atingir um crescimento mais elevado e de criar empregos.
A fusão das moedas nacionais no euro retirou uma variável de ajustamento essencial, a taxa de câmbio. Os países com a competitividade-preço em queda não têm outro meio, no quadro europeu actual, senão a contenção salarial e a corrida desenfreada ao endividamento. Isto é verdade, mas não evita que o cenário de saída do euro seja incoerente.
A saída do euro não resolveria a questão da dívida e pelo contrário agravá-la-ia, na medida em que a dívida aos não-residentes seria imediatamente aumentada devido à taxa de desvalorização. A reestruturação da dívida deveria, em qualquer caso, ser realizada antes da saída do euro.
Regressar a uma moeda nacional, para o caso de países que registam importantes défices externos, submete-os directamente à especulação com a moeda. Pertencer ao euro tinha pelo menos a vantagem de preservar os países destes ataques especulativos: assim, o défice comercial da Espanha chegou a cerca de 9% do PIB, sem qualquer efeito sobre a “sua” moeda. Uma desvalorização torna os produtos de um país mais competitivos, pelo menos em relação aos países que não desvalorizam. Assim, seria preciso que a saída do euro acontecesse apenas para um pequeno número de países. É pois uma solução nacional, não cooperativa, em que um país procura ganhar partes de mercado aos seus parceiros comerciais.
Mas uma desvalorização faz aumentar o preço das importações, o que se repercute na inflação interna e pode anular parte dos ganhos de competitividade nos preços de exportação. O economista Jacques Sapir, que estabeleceu um plano de saída do euro para a França3, reconhece que a inflação “imporá desvalorizações regulares (todos os anos ou de 18 em 18 meses)” para manter constante a taxa de câmbio real. Isto significa aceitar um círculo inflação-desvalorização sem fim. A competitividade de um país assenta em elementos materiais: os ganhos de produtividade, a inovação, a especialização industrial, etc. Pensar que a manipulação das taxas de câmbio pode ser suficiente para assegurar a competitividade é, em grande medida, uma ilusão.
É por isso que quase não há nenhuma experiência de desvalorização que não se tenha traduzido num aumento de austeridade, que recai em definitivo sobre os assalariados. Para que a desvalorização sirva para criar uma outra repartição do rendimento e um outro modelo de crescimento será necessária uma profunda transformação da relação de forças sociais. Fazer da saída do euro um pré-requisito significa inverter as prioridades entre transformação social e taxa de câmbio. Há aí um desvio extremamente perigoso. No seu documento, Jacques Sapir sublinha que a “nova moeda deveria ser inserida nas mudanças de política macro-económica e institucional (…) se se quiser que ela produza todos os efeitos desejados”. Entre as mudanças, ele cita uma recuperação dos salários, a defesa dos sistemas sociais, um rigoroso controlo dos capitais, a requisição do Banco de França, o controlo do Estado sobre os bancos e as companhias de seguros. Mas todas estas medidas deveriam ter sido impostas antes mesmo de qualquer projecto de saída do euro.
Além disso, um governo de transformação social cometeria um erro estratégico terrível começando por sair do euro, pois que se exporia a todas as medidas de retaliação. Politicamente, o risco de dar uma legitimidade de esquerda aos programas populistas é muito grande. Em França, a Frente Nacional faz da saída do euro um dos eixos da sua política. Ela retoma uma lógica nacional-socialista que combina o discurso xenófobo com uma perspectiva que faz da integração europeia a fonte exclusiva de todos os males económicos e sociais.
Este é o fundo da questão. A mundialização e a integração europeia neoliberais reforçam a relação de forças a favor do capital. Mas não é possível fazer disso a causa única, como se uma melhor partilha das riquezas se pudesse estabelecer espontaneamente, no interior de cada país, com a única condição de tomar medidas proteccionistas. Fazer crer que a saída do euro poderia, por si só, melhorar a relação de forças a favor dos trabalhadores é no fundo um erro de análise fundamental. Basta considerar o exemplo britânico: a libra esterlina não faz parte do euro, mas isso não protege a população de um dos mais brutais planos de austeridade da Europa.
Os partidários da saída do euro avançam um outro argumento: a saída do euro seria uma medida imediata, relativamente fácil de tomar, enquanto que uma perspectiva de refundação europeia estaria fora de alcance. Este argumento passa ao lado da possibilidade de uma estratégia de ruptura, que não se pressupõe que aconteça simultaneamente em todos os países europeus.
Para uma estratégia de ruptura e ampliação
A escolha parece pois ser entre uma perigosa aventura e uma harmonização utópica. A questão política central é sair deste dilema. Para tentar responder-lhe, é preciso trabalhar a distinção entre os fins e os meios. O objectivo de uma política de transformação social é, mais uma vez, assegurar ao conjunto dos cidadãos uma vida decente em todas as suas dimensões (emprego, saúde, reforma, habitação, etc.) O obstáculo imediato é a distribuição dos rendimentos, que precisa de ser alterada na fonte (entre lucros e salários) e corrigida a nível fiscal. É preciso tomar um conjunto de medidas para baixar os rendimentos financeiros e realizar uma reforma fiscal radical. Estas questões passam por pôr em causa os interesses sociais dominantes, os seus privilégios, e este confronto desenrola-se acima de tudo num quadro nacional. Mas os pontos fortes dos dominantes e as medidas de retaliação possíveis ultrapassam este quadro nacional: invoca-se imediatamente a perda de competitividade, as fugas de capitais e a ruptura com as regras europeias.
A única estratégia possível deve então apoiar-se na legitimidade das soluções progressistas, que resulta do seu carácter eminentemente cooperativo. Todas as recomendações neoliberais retornam em última instância à procura do aumento da competitividade: é preciso baixar os salários, reduzir os “encargos” para, no fim de contas, ganhar partes de mercado. Como o crescimento será fraco no período aberto pela crise na Europa, o único meio para um país criar empregos, será ganhar parte deles aos países vizinhos, tanto mais que a maioria do comércio externo dos países europeus se faz no interior da Europa. Isto é verdadeiro até para a Alemanha (primeiro ou segundo exportador mundial com a China), que não pode contar só com os países emergentes para o seu crescimento e os seus empregos. As saídas neoliberais da crise são pois por natureza não-cooperativas: só se pode ganhar contra os outros e é este o fundamento da crise da construção europeia.
Em contraste, as soluções progressistas são cooperativas: elas funcionam tanto melhor quanto se estenderem a um maior número de países. Se todos os países europeus reduzissem a duração do trabalho e taxassem os rendimentos do capital, esta coordenação permitiria eliminar os ataques a que seria exposta esta mesma política conduzida num único país. A via a explorar é pois a de uma estratégia de ampliação que um governo da esquerda radical possa seguir:
1. toma-se unilateralmente as “boas” medidas (por exemplo a taxação das transacções financeiras);
2. acompanhamo-las de medidas de protecção (por exemplo um controlo dos capitais);
3. corre-se o risco político de infringir as regras europeias:
4. propõe-se modificá-las estendendo à escala europeia as medidas tomadas;
5. não se exclui um braço de ferro e usa-se a ameaça de saída do euro.
Este esquema reconhece que não se pode condicionar a implementação de uma “boa” política à constituição de uma “boa” Europa. As medidas de retaliação de qualquer espécie devem ser antecipadas por meio de medidas que, efectivamente, fazem apelo ao arsenal proteccionista. Mas não se trata de proteccionismo no sentido habitual do termo, porque este proteccionismo protege uma experiência de transformação social e não os interesses dos capitalistas de um dado país face à concorrência dos outros. É pois um proteccionismo de ampliação, cuja lógica é desaparecer a partir do momento em que as “boas” medidas forem generalizadas.
A ruptura com as regras europeias não se faz numa base ideológica, mas a partir de uma medida justa e legítima, que corresponde aos interesses do maior número e que é proposta como caminho a seguir pelos países vizinhos. Esta esperança de mudança permite então contar com o apoio da mobilização social nos outros países e construir assim uma relação de forças que pode pesar nas instituições europeias. A recente experiência do plano de salvação do euro mostrou, além disso, que não é necessário mudar os tratados para passar por cima de um certo número das suas disposições.
Neste esquema, a saída do euro deixa de ser uma questão prévia. É pelo contrário uma arma a utilizar em último recurso. A ruptura deverá pois fazer-se sobre dois pontos que permitiriam alcançar verdadeiras margens de manobra: nacionalização dos bancos e denúncia da dívida.
Ruptura e refundação
O primeiro ponto de apoio é a capacidade de ir contra os interesses capitalistas: o país inovador pode reestruturar a sua dívida, nacionalizar os capitais estrangeiros, etc. ou ameaçar fazê-lo. Mesmo no caso de um pequeno país, a capacidade de resposta é considerável, tendo em conta a interligação das economias e dos mercados financeiros. Muitos poderão ter perdas, por exemplo os bancos europeus no caso da Grécia. Em vez de se ajoelhar diante da finança, Papandreou teria podido iniciar um braço de ferro dizendo: “A Grécia não pode pagar, portanto temos de discutir”. Foi o que fez a Argentina quando suspendeu o pagamento da dívida em 2001, obtendo com isso uma renegociação.
Mas o principal ponto de apoio residirá no carácter cooperativo das medidas tomadas. Esta é uma enorme diferença com o proteccionismo clássico que, no fundo, procura sempre ultrapassar as dificuldades ganhando partes de mercado aos seus concorrentes. Todas as medidas progressistas, pelo contrário, são tão mais eficazes quanto se generalizem a um maior número de países. É preciso falar aqui de uma estratégia de ampliação que assenta no seguinte discurso: afirmamos a nossa vontade de taxar o capital e tomamos as medidas de protecção adequadas. Mas esperamos que esta medida, como propomos, seja estendida ao conjunto da Europa. É em nome de uma outra Europa que assumiremos a ruptura com a Europa realmente existente. Devemos reflectir na articulação entre ruptura com a Europa neoliberal e projecto de refundação europeia, em vez de os pormos em oposição.
O projecto e a relação de forças
Um programa que visasse apenas regular o sistema à margem seria não só sub-dimensionado mas também pouco mobilizador. Por outro lado, uma perspectiva radical arrisca-se a desmoralizar perante a amplitude da tarefa. Trata-se em qualquer caso de determinar o grau óptimo de radicalidade. A dificuldade não é tanto elaborar dispositivos de ordem técnica: é evidentemente indispensável e é um trabalho largamente avançado, mas não existe nenhuma medida hábil que permita contornar o enfrentamento inevitável entre interesses sociais contraditórios.
Sobre os bancos, as hipóteses vão da nacionalização integral à regulação, passando pela constituição de um pólo financeiro público ou a aplicação de uma regulamentação muito restritiva. A dívida pública pode ser anulada, suspensa, renegociada, etc. A nacionalização integral dos bancos e a denúncia da dívida pública são medidas legítimas e economicamente viáveis mas podem parecer fora de alcance, devido à relação de forças actual. Aí situa-se o verdadeiro debate: qual é, na escala de radicalismo, a posição que melhor permite mobilizar? Não é aos economistas que cabe decidir este debate e é por isso que mais do que propor um conjunto de medidas este artigo procura pôr questões de método e sublinhar a necessidade, para a verdadeira saída da crise, de três ingredientes indispensáveis:
1. uma modificação radical na distribuição dos rendimentos;
2. uma redução massiva do tempo de trabalho;
3. uma ruptura com a ordem mundial capitalista, a começar pela Europa realmente existente.
O debate não pode ficar fechado numa oposição entre anti-liberais e anti-capitalistas. Esta distinção tem evidentemente sentido, conforme o projecto seja libertarmos o capitalismo da finança ou livrarmo-nos do capitalismo. Mas esta tensão não deverá impedir-nos de fazermos um longo caminho em conjunto, enquanto fazemos este debate. O “programa comum” poderá assentar aqui na vontade de impor outras regras de funcionamento ao capitalismo. Esta é a linha divisória entre a esquerda radical e o social-liberalismo. Em qualquer caso, a tarefa prioritária actual para a esquerda radical é construir um horizonte europeu comum, que sirva de base a um verdadeiro internacionalismo.
Artigo publicado em A l’encontre (“Do Contra”) a18 de Julho de 2011. Tradução de Carlos Santospara esquerda.net
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DENUNCIAR É URGENTE
A culpa da crise financeira é a sociedade do cambalacho”
Francisco Louçã classificou o caso BPN como um “cambalacho” e uma das razões para a crise financeira que Portugal vive, e acusou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, de ser "mais rápido que a própria sombra” ao negociar a venda deste banco.
Artigo
7 Agosto, 2011 - 01:03
Foto de Paulete Matos. Durante o comício realizado este sábado em Armação de Pêra, no qual participaram também a deputada Cecília Honório e o dirigente local do Bloco e membro da Mesa Nacional João Vasconcelos, Francisco Louçã defendeu que “não é por causa dos reformados, trabalhadores, desempregados, professores, enfermeiros que há a razão da crise financeira” e que “a culpa da crise financeira é a irresponsabilidade por encontrar os ladrões, é o desequilíbrio, é a sociedade do cambalacho”.
Referindo-se ao negócio do Banco Português de Negócios (BPN), o dirigente do Bloco lembrou que o Estado foi dono deste banco durante quase três anos e “não cobrou ao homem mais rico de Portugal [Américo Amorim]”. “Não há regra nenhuma para quem tem a compreensão do Governo”, sublinhou, acrescentando que “tudo é possível. Tornar-se Américo Amorim, o mais rico de Portugal e ser em simultâneo o maior devedor de Portugal”.
No que respeita à notícia veiculada de que Paulo Portas teria começado a negociar em Angola as condições para vender o BPN quando o governo ainda não tinha decidido, Louçã acusou o actual ministro dos Negócios Estrangeiros de negociar “mais depressa que a sua própria sombra”.
O Bloco não aceitará este “cambalacho” do BPN, tal como não aceita a “privatização dos correios” ou da água, avançou Louçã.
“Responder à pobreza é criar emprego e combater a precariedade dos jovens”
O Programa de Emergência Social (PES) também mereceu a crítica de Francisco Louçã, que condenou a intenção do executivo de pôr os desempregados a trabalhar gratuitamente no privado e no público.
Outra das medidas alvo de crítica diz respeito ao facto de as creches e os lares de idosos virem a ter regras diferentes das dos restaurantes no que diz respeito à higiene. “A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) deixa de ter qualquer poder para verificar as cozinhas de creches e dos lares de idosos. O que garante a higiene num restaurante são regras que deixam de ser aplicadas para uma criança numa creche ou para um idoso acamado”, realçou Louçã.
No entender do Bloco de Esquerda, “responder à pobreza é criar emprego e combater a precariedade dos jovens, não é desprezando nem criando regras especiais para os pobres”, frisou o dirigente.
Juntar crise à crise
A deputada Cecília Honório e o dirigente local do Bloco e membro da Mesa Nacional João Vasconcelos fizeram uma alusão ao novo sistema de portagens introduzido na Via do Infante e acusaram o executivo PSD e CDS de juntar crise à crise.
Termos relacionados: Notícias políticaVersão para imprimirVersão PDF
Francisco Louçã classificou o caso BPN como um “cambalacho” e uma das razões para a crise financeira que Portugal vive, e acusou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, de ser "mais rápido que a própria sombra” ao negociar a venda deste banco.
Artigo
7 Agosto, 2011 - 01:03
Foto de Paulete Matos. Durante o comício realizado este sábado em Armação de Pêra, no qual participaram também a deputada Cecília Honório e o dirigente local do Bloco e membro da Mesa Nacional João Vasconcelos, Francisco Louçã defendeu que “não é por causa dos reformados, trabalhadores, desempregados, professores, enfermeiros que há a razão da crise financeira” e que “a culpa da crise financeira é a irresponsabilidade por encontrar os ladrões, é o desequilíbrio, é a sociedade do cambalacho”.
Referindo-se ao negócio do Banco Português de Negócios (BPN), o dirigente do Bloco lembrou que o Estado foi dono deste banco durante quase três anos e “não cobrou ao homem mais rico de Portugal [Américo Amorim]”. “Não há regra nenhuma para quem tem a compreensão do Governo”, sublinhou, acrescentando que “tudo é possível. Tornar-se Américo Amorim, o mais rico de Portugal e ser em simultâneo o maior devedor de Portugal”.
No que respeita à notícia veiculada de que Paulo Portas teria começado a negociar em Angola as condições para vender o BPN quando o governo ainda não tinha decidido, Louçã acusou o actual ministro dos Negócios Estrangeiros de negociar “mais depressa que a sua própria sombra”.
O Bloco não aceitará este “cambalacho” do BPN, tal como não aceita a “privatização dos correios” ou da água, avançou Louçã.
“Responder à pobreza é criar emprego e combater a precariedade dos jovens”
O Programa de Emergência Social (PES) também mereceu a crítica de Francisco Louçã, que condenou a intenção do executivo de pôr os desempregados a trabalhar gratuitamente no privado e no público.
Outra das medidas alvo de crítica diz respeito ao facto de as creches e os lares de idosos virem a ter regras diferentes das dos restaurantes no que diz respeito à higiene. “A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) deixa de ter qualquer poder para verificar as cozinhas de creches e dos lares de idosos. O que garante a higiene num restaurante são regras que deixam de ser aplicadas para uma criança numa creche ou para um idoso acamado”, realçou Louçã.
No entender do Bloco de Esquerda, “responder à pobreza é criar emprego e combater a precariedade dos jovens, não é desprezando nem criando regras especiais para os pobres”, frisou o dirigente.
Juntar crise à crise
A deputada Cecília Honório e o dirigente local do Bloco e membro da Mesa Nacional João Vasconcelos fizeram uma alusão ao novo sistema de portagens introduzido na Via do Infante e acusaram o executivo PSD e CDS de juntar crise à crise.
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UM DISCURSO QUE É UM TRATADO DE ECONOMIA
Abandonemos, ainda que por momentos, o preconceito que se instalou nas nossas cabeças em consequência da maneira como nos foi ensinado a História e apreciemos este discurso:
· DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO ·
Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia. ·
A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados, um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500...
O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram.
O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse.
Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América.
Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
***
Quando terminou o discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa...
· DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO ·
Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia. ·
A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados, um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500...
O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram.
O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse.
Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América.
Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
***
Quando terminou o discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa...
NÃO ACORDAMOS'
NUNCA É DEMAIS UM ALERTA PARA OS AMIGOS OU CONHECIDOS QUE PODEMESTAR MENOS ESCLARECIDOS.
- AFINAL, SE UNS RECEBEM DESPUDORADAMENTE ALTÍSSIMOS GANHOS,COMPARATIVAMENTE COM O SALÁRIO MÍNIMO, E, ATÉ O MÉDIO, PORQUÊ ACEITAR,RESIGNADAMENTE: SUBIDA DE PREÇOS ( ex.combustíveis, transportes, rendas de casaou bens de primeira necessidade), TAXAS OU IMPOSTOS (ex. o-IVA), etc. ; EM QUE O PREÇO É IGUALPARA TODOS?
- AFINAL, SÃO AS PENSÕES MÍNIMAS, O SALÁRIO MÍNIMO BAIXÍSSIMO OUOS POBRES SUBSÍDIOS SOCIAIS DE SOBREVIVÊNCIA QUE CAUSAM OU AFECTAM ACRISE, OU OS CHORUDOS HONORÁRIOS E MORDOMIAS (carros,condutores,gasolina,cartões, etc.) DE UM NÚMERO SIGNIFICATIVO DE GENTE AFECTA AO PODERECONÓMICO OU POLÍTICO?
- AFINAL, QUANDO ACORDAM TANTOS ENSONADOS QUE NELES TÊM VOTADO, OU NÃOVOTARAM PORQUE PENSAM QUE O MAL AINDA OS NÃO AFECTA ?
- AFINAL, ATENÇÃO, BERTOLD BRECHT ESTÁ ACTUALÍSSIMO!!! CUIDADO, AMANHÃ PODE SER TARDE OU MUITO MAIS DIFÍCIL !
Cel.
- AFINAL, SE UNS RECEBEM DESPUDORADAMENTE ALTÍSSIMOS GANHOS,COMPARATIVAMENTE COM O SALÁRIO MÍNIMO, E, ATÉ O MÉDIO, PORQUÊ ACEITAR,RESIGNADAMENTE: SUBIDA DE PREÇOS ( ex.combustíveis, transportes, rendas de casaou bens de primeira necessidade), TAXAS OU IMPOSTOS (ex. o-IVA), etc. ; EM QUE O PREÇO É IGUALPARA TODOS?
- AFINAL, SÃO AS PENSÕES MÍNIMAS, O SALÁRIO MÍNIMO BAIXÍSSIMO OUOS POBRES SUBSÍDIOS SOCIAIS DE SOBREVIVÊNCIA QUE CAUSAM OU AFECTAM ACRISE, OU OS CHORUDOS HONORÁRIOS E MORDOMIAS (carros,condutores,gasolina,cartões, etc.) DE UM NÚMERO SIGNIFICATIVO DE GENTE AFECTA AO PODERECONÓMICO OU POLÍTICO?
- AFINAL, QUANDO ACORDAM TANTOS ENSONADOS QUE NELES TÊM VOTADO, OU NÃOVOTARAM PORQUE PENSAM QUE O MAL AINDA OS NÃO AFECTA ?
- AFINAL, ATENÇÃO, BERTOLD BRECHT ESTÁ ACTUALÍSSIMO!!! CUIDADO, AMANHÃ PODE SER TARDE OU MUITO MAIS DIFÍCIL !
Cel.
sábado, 6 de agosto de 2011
TODOS IGUAIS...TODOS DIFERENTES
TODOS IGUAIS…TODOS DIFERENTES
· As últimas noticias que nossa o trazidas pela comunicação social não podem deixar de nos fazer reflectir. Eis algumas:
1. Parece comprovado que o ex-director das “secretas” passou para a Ongoing(entidade de que temos falado) informações confidenciais.Vá lá que a dita Ongoing nãoé a AL-Qaeda:
2. Repetem-se as afirmações de “transparência”. Por exemplo o BPN que já custou ao Estado 2.400 milhões de euros vai ser vendido em condições ruinosas. Isso já se sabia…mas o Governo decidiu vender por 40 milhões ao BIC ( banco de capitais angolanos e do empresário Américo Amorim) recusando uma outra proposta de valor três vezes superior .A afirmação subjacente é a de que está em jogo o interesse público;
3. A Assembléia da República com os votos PSD-CDS-PS recusou mais impostos sobre rendimentos de capitais ou sobre os lucros das instituições de crédito. Mas aumentam em percentagem elevadíssimas os custos dos transportes, da electricidade ,do gás, etc,etc
4. O subsídio de Natal esse já se foi…
5. Em compensação os remédios em fim de prazo de validade vão ser entregues aos chamados “pobrezinhos os mesmos para quem vão ser abertas “cozinhas económicas” ou talvez as antigas “sopas dos pobres”(que curiosamente são dispensadas de fiscalização sanitária por parte da ASAE..fiscalização essa que abrange todo o sector alimentar)
6. Voltando ao BPN…essa fraude gigantesca..arrasta-se pelos tribunais há mais de 2 anos. Culpados? Não temos ouvido falar disso..até agora só um e em liberdade com pulseira eletrónica…
7. Haverá dúvidas de que somos todos iguais… mas afinal somos tratados de modo tão diferente,de caso para caso.?
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
A GENTEPAGA..esta já é antiga mas é mais um caso
Presidente dos CTT recebia dois ordenados
COMPRENDE-SE POR QUE É PORTUGAL ESTÁ NAS LONAS . OU PRECISA-SE DE MAIS EXPLICAÇÕES ?????????????'
23-Dez-2010
O Presidente do Conselho de Administração dos CTT, Estanislau Mata da Costa - que se demitiu no final do mês passado, sem ter terminado o mandato - recebeu, durante cerca de dois anos, dois vencimentos em simultâneo: um pelo cargo nesta empresa, de cerca de 15 mil euros, e outro correspondente às suas anteriores funções na PT, de 23 mil euros. E isto apesar de ter suspendido o vínculo laboral com a PT.
A descoberta foi feita pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), na sequência de uma auditoria realizada após denúncias da comissão de trabalhadores dos CTT sobre actos de alegada má gestão na empresa. Segundo soube o SOL, o Conselho de Administração da empresa terá recebido o relatório preliminar desta auditoria no dia 29. A demissão de Mata da Costa foi anunciada no dia seguinte e justificada pelo próprio com «razões exclusivamente do foro pessoal e familiar».
A IGF classifica esta acumulação de vencimentos por parte de Mata da Costa - num valor mensal de cerca de 40 mil euros (ao todo, um milhão e 575,6 mil euros recebidos entre Junho de 2005 e Agosto de 2007) - como «eticamente reprovável, ainda que possível do ponto de vista legal». Ainda assim, a IGF decidiu encaminhar o caso para a Procuradoria-Geral da República, por ter «dúvidas quanto à legalidade» da situação.
Segundo o relatório preliminar da IGF, a que o SOL teve acesso, Mata da Costa, que era quadro da PT, foi nomeado para presidir aos CTT em Junho de 2005. Mas, em vez de se desligar desta empresa, fez um acordo de «suspensão do contrato de trabalho, embora estranhamente sem perda de remuneração
Por favor dar conhecimento aos Portugueses porque os media andam distraídos(?)
COMPRENDE-SE POR QUE É PORTUGAL ESTÁ NAS LONAS . OU PRECISA-SE DE MAIS EXPLICAÇÕES ?????????????'
23-Dez-2010
O Presidente do Conselho de Administração dos CTT, Estanislau Mata da Costa - que se demitiu no final do mês passado, sem ter terminado o mandato - recebeu, durante cerca de dois anos, dois vencimentos em simultâneo: um pelo cargo nesta empresa, de cerca de 15 mil euros, e outro correspondente às suas anteriores funções na PT, de 23 mil euros. E isto apesar de ter suspendido o vínculo laboral com a PT.
A descoberta foi feita pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), na sequência de uma auditoria realizada após denúncias da comissão de trabalhadores dos CTT sobre actos de alegada má gestão na empresa. Segundo soube o SOL, o Conselho de Administração da empresa terá recebido o relatório preliminar desta auditoria no dia 29. A demissão de Mata da Costa foi anunciada no dia seguinte e justificada pelo próprio com «razões exclusivamente do foro pessoal e familiar».
A IGF classifica esta acumulação de vencimentos por parte de Mata da Costa - num valor mensal de cerca de 40 mil euros (ao todo, um milhão e 575,6 mil euros recebidos entre Junho de 2005 e Agosto de 2007) - como «eticamente reprovável, ainda que possível do ponto de vista legal». Ainda assim, a IGF decidiu encaminhar o caso para a Procuradoria-Geral da República, por ter «dúvidas quanto à legalidade» da situação.
Segundo o relatório preliminar da IGF, a que o SOL teve acesso, Mata da Costa, que era quadro da PT, foi nomeado para presidir aos CTT em Junho de 2005. Mas, em vez de se desligar desta empresa, fez um acordo de «suspensão do contrato de trabalho, embora estranhamente sem perda de remuneração
Por favor dar conhecimento aos Portugueses porque os media andam distraídos(?)
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