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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Frase da filósofa Any Rand (1920)

Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

NB QIALQUER SEMELHANÇA COM O QUE SE PASSA EM PORTUGAL NÃO É COINCIDÊNCIA

terça-feira, 24 de julho de 2012

O MEU PAÍS


Um  dos Motivos porque o  Governo se tornou fiador de 20 mil milhões
de euros de  transacções intra bancárias......???
Os de hoje, vão estar como  gestores de Banca amanhã,  pois os de
ontem, já estão por lá  hoje.
Correcto???? Se  pensas  que não, vejamos:
EIS A LISTA :
Fernando  Nogueira:
Antes -Ministro da  Presidência, Justiça e  Defesa
Agora - Presidente do  BCP Angola
-------------------------------------------------------------
Rui   Machete:   (AGORA NINGUÉM O  OUVE)
Antes - Ministro dos Assuntos   Sociais
Agora - Presidente do  Conselho Superior do  BPN; (o banco falido, é
só gamanço)  e Presidente do Conselho Executivo da   FLAD
------------------------------------------------------------------------------
Paulo  Teixeira Pinto:  (o tal que antes de trabalhar  já estavareformado)
Antes - Secretário  de Estado da  Presidência do Conselho de
Ministros, depois  Presidente  do BCP (Ex. - Depois de  3 anosde
'trabalho', Saiu com 10  milhões de  indemnização !!! e mais35.000EUR
x 15 meses por  ano até   morrer...)
Agora – Novo administrador da Comissão  Executiva da EDP
----------------------------------------------------------------------------
Celeste  Cardona:  (a tal que só  aceitava o lugar na Bibliotecado
Porto se tivesse carro e motorista  às ordens - mas o vencimento era
muito curto)
Antes -  Ministra da Justiça, depois  vogal do CA da CGD
Agora -  Nova administradora da Comissão  Executiva da EDP
------------------------------------------------------------------------------
José  Silveira Godinho:
Antes - Secretário  de Estado das  Finanças
Agora -  Administrador do  BES
--------------------------------------------------------------------------------
João de  Deus Pinheiro:  (aquele que agora  nem se vê)
Antes - Ministro da  Educação e Negócios  Estrangeiros
Agora - Vogal do  CA  do Banco Privado Português (O TAL QUE DEU O BERRO).
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Elias  da  Costa:
Antes - Secretário de Estado da Construção e  Habitação -
Agora - Vogal do  CA do  BES
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Ferreira do  Amaral: (O  ESPERTALHÃO, QUE PREPAROU O TERRENO)
Antes - Ministro das  Obras Públicas (que  entregou todas as pontes a
jusante de Vila Franca de Xira à  Lusoponte)
Agora - Presidente  da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o
contrato (POIS CLARO,  À TRIPA FORRA).
------------------------------------------------------------------------------------
  Eduardo Catroga:
Antes – Foi Vice Presidente da Quimigal,  Presidente do CA da SAPEC e
Ministro das Finanças do 12º Governo de  Cavaco Silva
Agora – Novo  Chairman da EDP, que acumula com Administrador não
Executivo da  NUTRINVESTE e do BANCO FINANTIA (não prescinde de
receber todas as  reformas e pensões a que tem direito, pudera também
eu!!!!!!)
etc etc etc...

O que é isto   ?

É Portugal no seu esplendor   .
...e depois até querem que  se  declarem as prendas de casamento e o
seu valor.
Já é tempo de parar esta  canalha nojenta !
Não te cales,DENUNCIA!
Passa este e-mail,  fá-lo  circular  por Portugal.

(Eu faço a minha parte. Por  mim estes sangue-sugas já os tinha posto
a trabalhar na  estiva...)
Sabes quem  é que tem a culpa desta roubalheira?
És tu, sou eu, somos  todos nós, que permitimos todas estas situações.
Como é que  estes gatunos ainda nos pedem sacrifícios?
Será que  continuamos a ser, como dizia um monarca português, um País
de  bananas governados por ladrões....ops, desculpem eu não queria
escrever ladrões mas sacanas.

"Em nome dos cortes salariais e do roubo, do subsídio de férias e
Natal, vamos circular este apelo que ESTÁ CIRCULANDO EM TODA A
ESPANHA!E PORQUE NÃO, EM PORTUGAL?
Exigimos:
Reduzir os salários de TODOS os cargos políticos em 50%.
Retirar TODOS os subsídios, abonos ou subvenções. Apenas poderão
auferir o salário.
Limitar o salário dos cargos políticos, ao valor de 5 salários mínimos
(+/- 2.500 ¤ ?)
Apenas poderão auferir UM salário.
Reforma para os políticos aos 65 anos de idade, como todos os outros
portugueses.
ESTÁ CIRCULANDO EM TODA A ESPANHA!
Vamos fazê-la circular em PORTUGAL....MUITAS VEZES, tantas quantas as
necessárias...




----- Fim

sexta-feira, 20 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

EXPERIÊNCIA

MIGUEL SOUSA TAVARES


O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado?
Como caixa de ressonância daqueles que de quem é porta-voz (tendo há muito deixado de ter voz própria), o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, veio alinhar-se com os conselhos da troika sobre Portugal: não há outro caminho que não o de seguir a “solução” da austeridade e acelerar as “reformas estruturais” — descer os custos salariais, liberalizar mais ainda os despedimentos e diminuir o alcance do subsídio de desemprego. Que o trio formado pelo careca, o etíope e o alemão ignorem que em Portugal se está a oferecer 650 euros de ordenado a um engenheiro electrotécnico falando três línguas estrangeiras ou 580 euros a um dentista em horário completo é mais ou menos compreensível para quem os portugueses são uma abstracção matemática. Mas que um português, colocado nos altos círculos europeus e instalado nos seus hábitos, também ache que um dos nossos problemas principais são os ordenados elevados, já não é admissível. Lembremo-nos disto quando ele por aí vier candidatar-se a Presidente da República.

Durão Barroso é uma espécie de cata-vento da impotência e incompetência dos dirigentes europeus. Todas as semanas ele cheira o vento e vira-se para o lado de onde ele sopra: se os srs. Monti, Draghi, Van Rompuy se mostram vagamente preocupados com o crescimento e o emprego, lá, no alto do edifício europeu, o cata-vento aponta a direcção; se, porém, na semana seguinte, os mesmos senhores mais a srª Merkel repetem que não há vida sem austeridade, recessão e desemprego, o cata-vento vira 180 graus e passa a indicar a direcção oposta. Quando um dia se fizer a triste história destes anos de suicídio europeu, haveremos de perguntar como é que a Europa foi governada e destruída por um clube fechado de irresponsáveis, sem uma direcção, uma ideia, um projecto lógico. Como é que se começou por brincar ao directório castigador para com a Grécia para acabar a fazer implodir tudo em volta. Como é que se conseguiu levar a Lei de Murphy até ao absoluto, fazendo com que tudo o que podia correr mal tivesse corrido mal: o contágio do subprime americano na banca europeia, que era afirmadamente inviável e que estoirou com a Islândia e a Irlanda e colocou a Inglaterra de joelhos; a falência final da Grécia, submetida a um castigo tão exemplar e tão inteligente que só lhe restou a alternativa de negociar com as máfias russas e as Three Gorges chinesas; como é que a tão longamente prevista explosão da bolha imobiliária espanhola acabou por rebentar na cara dos que juravam que a Espanha aguentaria isso e muito mais; como é que as agências de notação, os mercados e a Goldman Sachs puderam livremente atacar a dívida soberana de todos os Estados europeus, excepto a Alemanha, numa estratégia concertada de cerco ao euro, que finalmente tornou toda a Europa insolvente. Ou como é que um pequeno país, como Portugal, experimentou uma receita jamais vista — a de tentar salvar as finanças públicas através da ruína da economia — e que, oh, espanto, produziu o resultado mais provável: arruinou uma coisa e outra. E como é que, no final de tudo isto, as periferias implodiram e só o centro — isto é, a Alemanha e seus satélites — se viu coberto de mercadorias que os seus parceiros europeus não tinham como comprar e atulhado em triliões de euros depositados pelos pobres e desesperados e que lhes puderam servir para comprar tudo, desde as ilhas gregas à água que os portugueses bebiam.

Deixemos os grandes senhores da Europa entregues à sua irrecuperável estupidez e detenhamo-nos sobre o nosso pequeno e infeliz exemplo, que nos serve para perceber que nada aconteceu por acaso, mas sim porque umas vezes a incompetência foi demasiada e outras a inocência foi de menos.

O que podemos nós pensar quando o ex-ministro Teixeira dos Santos ainda consegue jurar que havia um risco sistémico de contágio se não se nacionalizasse aquele covil de bandidos do BPN? Será que todo o restante sistema bancário também assentava na fraude, na evasão fiscal, nos negócios inconfessáveis para amigos, nos bancos-fantasmas em Cabo Verde para esconder dinheiro e toda a restante série de traficâncias que de há muito — de há muito! — se sabia existirem no BPN? E como, com que fundamento, com que ciência, pode continuar a sustentar que a alternativa de encerrar, pura e simplesmente, aquele vão de escada “faria recuar a economia 4%”? Ou que era previsível que a conta da nacionalização para os contribuintes não fosse além dos 700 milhões de euros?

O que poderemos nós pensar quando descobrimos que à despesa declarada e à dívida ocultada pelo dr. Jardim ainda há a somar as facturas escondidas debaixo do tapete, emitidas pelos empreiteiros amigos da “autonomia” e a quem ele prometia conseguir pagar, assim que os ventos de Lisboa lhe soprassem mais favoravelmente?

O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado? Como poderíamos adivinhar que havia uns contratos secretos, escondidos do Tribunal de Contas, em que o Estado garantia aos concessionários das PPP que ganhariam sempre X sem portagens e X+Y com portagens? Mas como poderíamos adivinhá-lo se nos dizem sempre que o Estado tem de recorrer aos serviços de escritórios privados de advocacia (sempre os mesmos), porque, entre os milhares de juristas dos quadros públicos, não há uma meia dúzia que consiga redigir um contrato em que o Estado não seja sempre comido por parvo?

A troika quer reformas estruturais? Ora, imponha ao Governo que faça uma lei retroactiva — sim, retroactiva — que declare a nulidade e renegociação de todos os contratos celebrados pelo Estado com privados em que seja manifesto e reconhecido pelo Tribunal de Contas que só o Estado assumiu riscos, encaixou prejuízos sem correspondência com o negócio e fez figura de anjinho. A Constituição não deixa? Ok, estabeleça-se um imposto extraordinário de 99,9% sobre os lucros excessivos dos contratos de PPP ou outros celebrados com o Estado. Eu conheço vários.

Quer outra reforma, não sei se estrutural ou conjuntural, mas, pelo menos, moral? Obrigue os bancos a aplicarem todo o dinheiro que vão buscar ao BCE a 1% de juros no financiamento da economia e das empresas viáveis e não em autocapitalização, para taparem os buracos dos negócios de favor e de influência que andaram a financiar aos grupos amigos.

Mais uma? Escrevam uma lei que estabeleça que todas as empresas de construção civil, que estão paradas por falta de obras e a despedir às dezenas de milhares, se possam dedicar à recuperação e remodelação do património urbano, público ou privado, pagando 0% de IRC nessas obras. Bruxelas não deixa? Deixa a Holanda ter um IRC que atrai para lá a sede das nossas empresas do PSI-20, mas não nos deixa baixar parte dos impostos às nossas empresas, numa situação de emergência? OK, Bruxelas que mande então fechar as empresas e despedir os trabalhadores. Cumpra-se a lei!

Outra? Proíbam as privatizações feitas segundo o modelo em moda, que consiste em privatizar a parte das empresas que dá lucro e deixar as “imparidades” a cargo do Estado: quem quiser comprar leva tudo ou não leva nada. E, já agora, que a operação financeira seja obrigatoriamente conduzida pela Caixa Geral de Depósitos (não é para isso que temos um banco público, por enquanto?). O quê, a Caixa não tem vocação ou aptidão para isso? Não me digam! Então, os administradores são pagos como privados, fazem negócios com os grandes grupos privados, até compram acções dos bancos privados e não são capazes de fazer o que os privados fazem? E, quanto à engenharia jurídica, atenta a reiterada falta de vocação e de aptidão dos serviços contratados em outsourcing para defenderem os interesses do cliente Estado, a troika que nos mande uma equipa de juristas para ensinar como se faz.

Tenho muitas mais ideias, algumas tão ingénuas como estas, mas nenhumas tão prejudiciais como aquelas com que nos têm governado. A próxima vez que o careca, o etíope e o alemão cá vierem, estou disponível para tomar um cafezinho com eles no Ritz. Pago eu, porque não tenho dinheiro para os juros que eles cobram se lhes ficar a dever.

.










quinta-feira, 5 de julho de 2012

DESAPARECIDO



DESAPARECIDO -
Encontra-se desparecido da minha conta bancária, o meu subsídio de férias. Já em Novembro de 2011, um outro o de Natal, foi feito refém por um grupo terrorista, já identificado,

Há quem diga que foi visto em Bruxelas, mas outros afirmam que o viram entrar para um Banco na Alemanha, de onde nunca mais saíu.



Há ainda quem opine que simplesmente fugiu e em choque, foi parar ao bolso de diversos governantes com ligações ao BPN. Esteja onde estiver, deixou um grande vazio na minha vida (e sobretudo na minha carteira).



quarta-feira, 4 de julho de 2012

TOMA LÁ DISTO


Este Manifesto deveria ser fotocopiado em milhões de folhetos e lançado sobre Portugal à moda antiga. De avioneta.
Hoje em dia está reservado a poucos poderem falar e escrever sem pensar em consequências. Com verdadeira Liberdade!

 Portugal visto por Lobo Antunes

·         Um escritor genial, um retrato demolidor da " Nação valente e imortal". Façam o favor de ler.
 
Nação valente e imortal

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver

- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!

Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.

Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

(crónica satírica de António Lobo Antunes, in visão abril 2012)

domingo, 1 de julho de 2012

FALECIMENTO


Amigos e amigas:

Cumpre-me o penoso dever de comunicar o falecimento do meu subsídio de férias de que nesta altura sinto dolorosa falta.
Encontra-se em câmara ardente nos cofres do FMI, da União Europeia e do Banco Central Europeu a mando do Srs. Passos Coelho e Paulo Bicha Portas.
As cerimónias fúnebres decorrerão um pouco por todo o país nos mais diversos serviços públicos, nomeadamente nos que são afectos à Autoridade Tributária e Aduaneira.

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