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quinta-feira, 28 de junho de 2012

domingo, 24 de junho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

POLVO


"O POLVO" E A OPERAÇÃO FACE OCULTA COM RABO DE FORA
     1-  A partir de 2008 torna-se evidente que a operação Face Oculta foi redireccionada pela investigação e pelos Media para  passar a visar principalmente Sócrates. Era preciso derrubar Sócrates e mudar de governo, porque havia gigantescos interesses em jogo e, em particular, o caso BPN prometia dar cabo do PSD.
     2. Das fraudes do BPN ignora-se ainda hoje a maior parte. Trata-se de uma torrente de lama inesgotável, que todos os nossos Media evitam tocar.
     3. O agora falado caso IPO/Duarte Lima, de que Isaltino também foi uma peça fulcral, nem foi sequer abordado durante o Inquérito Parlamentar sobre o BPN , inquérito a que o PSD se opôs então com unhas e dentes, como é sabido.
     A táctica então escolhida pelo polvo  laranja foi desencadear um
inquérito parlamentar paralelo, para averiguar se Sócrates estava ou não a «asfixiar» a comunicação social ! Mais uma vez, uma produção de ruído para abafar o caso BPN e desviar as atenções.
     4. Mas é interessante examinar como é que o negócio IPO/Lima foi por água abaixo.
     5. Enquanto Lima filho, Raposo e Cia. criavam um fundo com dezenas de milhões, amigavelmente cedidos pelo BPN de Oliveira e Costa, Isaltino pressionava o governo para deslocar o IPO para uns terrenos de Barcarena, concelho de Oeiras.  Isaltino comprometia-se a comprar os terrenos (aos Limas e Raposo, como sabemos hoje) com dinheiro da autarquia e a «cedê-los generosamente» ao Estado para lá construir o IPO.
     Fazia muito jeito que fosse o município de Oeiras a comprar os
terrenos e não o ministério da Saúde, porque assim o preço podia ser ajustado entre os amigos vendedores e compradores, quiçá com umas comissões a transferir para a Suíça.
     6. Duarte Lima tinha sido vogal da comissão de ética (!) do IPO entre 2002 e 2005, estava bem dentro de todos os assuntos e tinha óptimas relações para propiciar o negócio. Além disso, construiu a imagem de homem que venceu o cancro, história lacrimosa com que apagava misérias anteriores. O filho e o companheiro do PSD Vítor Raposo eram os escolhidos para dar o nome, pois ao Lima pai não convinha que o seu nome figurasse como interessado no negócio.
     7. Em Junho de 2007 Isaltino dizia ainda que as negociações para a compra dos terrenos em causa estavam "em fase de conclusão" (só não disse nunca foi a quem os ia comprar, claro). E pressionava o ministro da Saúde: "Se se der uma mudança de opinião do governo, o cancelamento do projecto não será da responsabilidade do município de Oeiras."
     8. Como assim, "mudança de opinião do governo"?
     9. Na verdade, Correia de Campos apenas dissera à Lusa que o governo encarava a transferência do IPO para fora da Praça de Espanha e que estava a procurar um terreno, em Lisboa ou fora da cidade, para esse efeito.
Nenhuma decisão tinha sido tomada, nem nunca o seria antes das eleições para a Câmara de Lisboa, que iam realizar-se pouco depois, em Julho de 2007.
     10. No decorrer do ano de 2007, porém, a Câmara de Lisboa, cuja presidência foi conquistada por António Costa, anunciou que ia
disponibilizar um terreno municipal para a construção do novo IPO no Parque da Bela Vista Sul, em Chelas, Lisboa. Foi assim que se lixou o projecto Lima-Isaltino: o ministro Correia de Campos não cedeu às pressões de Isaltino e a nova Câmara de Lisboa pretendia que o IPO se mantivesse em Lisboa. Com Santana à frente da autarquia e um ministro da Saúde do PSD teria tudo sido  muito diferente. E os Limas e Raposos não teriam hoje as chatices que se sabe. E Duarte Lima até talvez já tivesse uma estátua no Parque dos Poetas do amigo Isaltino.
     11. Sabemos como, alguns meses depois deste desfecho, o ministro Correia de Campos foi atacado por Cavaco no discurso presidencial de Ano Novo, em 1 de janeiro de 2008. Desgostado com as críticas malignas do vingativo Presidente, Correia de Campos pediu a sua demissão ainda nesse mês.
     Não sabemos  o que terá levado Cavaco a visar dessa maneira um ministro do governo Sócrates, por sinal um dos mais competentes.  Que Cavaco queria a pele de Correia de Campos, foi bem visível. Ele foi a causa do fracasso do projecto do IPO/Oeiras e dos prejuízos causados ao clan do seu amigo Duarte Lima e ao polvo laranja (ª).
     É bem possível que essa tenha sido a razão.
     (ª) - é bom que se entenda que o polvo laranja tem o seu pai no
Senhor Silva, hoje PR, que nunca falou sobre o BPN, mas o lodo deste senhor é bem maior !!! Oxalá Portugal fosse uma França !!!
     MAS SE QUERES REVERTER ESTA SITUAÇÃO E VER A JUSTIÇA SENDO FEITA PELA
FORÇA DOS CIDADÃOS, ENTÃO REPASSA PARA TODOS OS TEUS CONTATOS SEM RECEIO DO
QUE POSSAM VIR A PENSAR DE TI.




     Ajuda-os a serem CIDADÃOS, despertando sua consciência.















sexta-feira, 22 de junho de 2012

GRÉCIA E ALEMANHA


Vamos passando para que o mundo não esqueça
                  
 












Em 1953, a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou Kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país. Tal qual como a Grécia actualmente.

A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que entraram em incumprimento na década de 30 após o
colapso da bolsa em Wall Street. O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo Reino Unido.
Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no pós-guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA), de 1953. O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na crescente economia alemã.
O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia.

As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial. Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas. Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento da dívida.
Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrota em que se encontrava.
Ora os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros. Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas do exército alemão de ocupação.

As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38 960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome). Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.
Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas financeiros da Grécia? Segundo esta, a Grécia devia considerar vender terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua dívida.
Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no sector público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender algumas ilhas, defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, do partido da chanceler Merkel. Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon, e algumas ilhas gregas no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota.
"Os que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus credores", disseram ao jornal "Bild". Depois disso, surgiu no seio do executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar permanentemente as contas gregas em Atenas.
O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou recentemente à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor do século XX. O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a dívida grega de hoje parecer insignificante.
"No século XX, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há memória", afirmou. "Foi apenas graças aos Estados Unidos, que injectaram quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa. Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido", sublinha Ritsch.

O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas.

A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua prosperidade económica a outros países.
Por isso, alguns parlamentares gregos sugerem que seja feita a contabilidade das dívidas alemãs à Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve actualmente.
Sérgio Soares, jornalista português











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quinta-feira, 21 de junho de 2012

OBRIGADO GOVERNO DO MEU PAÍS

Obrigado, Querido Governo!

Da leitora...
Agradeço ao governo pelo que tem feito pelos reformados, pois eles não precisam de aumento (e podem muito bem viver sem 13º e 14º mês), não pagam luz, gás, rendas, remédios, etc., como todas as outras categorias. Tudo lhes é dado gratuitamente, ao contrário de parlamentares, juízes, ministros, etc., que têm de trabalhar duro para conseguir o pouco que têm. Aposentado só trabalhou por 30, 35, 40 ou mais anos, descontando durante esses anos todos para uma Segurança Social que hoje o acha culpado de todos os males. Reformado vive de teimoso, pois já não se precisa mais dele, agora que não trabalha mais; é um vagabundo e só serve para receber o valor da reforma. Além disso, a única greve que os reformados podem fazer é a de não mais morrerem e entupirem um pouco mais os hospitais públicos, com suas doenças.
Cordiais saudações.
Nós, os reformados, agradecemos seu carinho e respeito.
Não deixem de repassar.... Portugal precisa acordar!



 

terça-feira, 19 de junho de 2012

ARTIGO DE LOBO ANTUNES PUBLICADO NA "VISÃO"


António Lobo Antunes, in Visão Abril 2012)


Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

HISTÓRIA DO ANIBAL


 sonho do Aníbal














Esta não é mentira mas podia ser!

O Aníbal, o tal aluno bem comportado, numa destas noites, já depois da
 Maria ter ido para a cama, fez, uma vez mais,  contas à vida.
E depressa concluiu que o dinheiro das reformas não iria chegar para
todas as despesas.
Já cansado, triste, preocupado, foi para  a cama.
Adormeceu e teve pesadelos.  Acontece a todos.  Também ao Aníbal.
Coitado do Aníbal.
Sentado na cama, aos gritos, disse:
TOU TESO, TOU TESO...!
A Maria acordou, ouviu, sorriu, suspirou e, suavemente, muito devagar,
 devagarinho, apalpou e disse:
Até a dormir és mentiroso.




























domingo, 17 de junho de 2012

DESCOBERTAS








Mais 2 descobertas alentejanas








1.ª descoberta
Depois de observar como trabalha a troika, conclui-se que trabalha a pilhas:
Pilha tudo.

2.ª descoberta

Sócrates, afinal, é um exemplo a seguir:
Se todos os políticos o seguissem e fossem viver para o estrangeiro...
vivia-se muito melhor em Portugal.

sábado, 16 de junho de 2012

ARTIGO DE MIGUEL SOUSA TAVARES


HÁ ALGUNS INCOMPETENTES, MAS POUCOS INOCENTES
por Miguel Sousa Tavares - Expresso
Como caixa de ressonância daqueles que de quem é porta-voz (tendo há muito deixado de ter voz própria), o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, veio alinhar-se com os conselhos da troika sobre Portugal: não há outro caminho que não o de seguir a “solução” da austeridade e acelerar as “reforma...s estruturais” — descer os custos salariais, liberalizar mais ainda os despedimentos e diminuir o alcance do subsídio de desemprego. Que o trio formado pelo careca, o etíope e o alemão ignorem que em Portugal se está a oferecer 650 euros de ordenado a um engenheiro electrotécnico falando três línguas estrangeiras ou 580 euros a um dentista em horário completo, é mais ou menos compreensível para quem os portugueses são uma abstracção matemática. Mas que um português, colocado nos altos círculos europeus e instalado nos seus hábitos, também ache que um dos nossos problemas principais são os ordenados elevados, já não é admissível. Lembremo-nos disto quando ele por aí vier candidatar-se a Presidente da República.
Durão Barroso é uma espécie de cata-vento da impotência e incompetência dos dirigentes europeus. Todas as semanas ele cheira o vento e vira-se para o lado de onde ele sopra: se os srs. Monti, Draghi, Van Rompuy se mostram vagamente preocupados com o crescimento e o emprego, lá, no alto do edifício europeu, o cata-vento aponta a direcção; se, porém, na semana seguinte, os mesmos senhores mais a srª Merkel repetem que não há vida sem austeridade, recessão e desemprego, o cata-vento vira 180 graus e passa a indicar a direcção oposta. Quando um dia se fizer a triste história destes anos de suicídio europeu, haveremos de perguntar como é que a Europa foi governada e destruída por um clube fechado de irresponsáveis, sem uma direcção, uma ideia, um projecto lógico. Como é que se começou por brincar ao directório castigador para com a Grécia para acabar a fazer implodir tudo em volta. Como é que se conseguiu levar a Lei de Murphy até ao absoluto, fazendo com que tudo o que podia correr mal tivesse corrido mal: o contágio do subprime americano na banca europeia, que era afirmadamente inviável e que estoirou com a Islândia e a Irlanda e colocou a Inglaterra de joelhos; a falência final da Grécia, submetida a um castigo tão exemplar e tão inteligente que só lhe restou a alternativa de negociar com as máfias russas e as Three Gorges chinesas; como é que a tão longamente prevista explosão da bolha imobiliária espanhola acabou por rebentar na cara dos que juravam que a Espanha aguentaria isso e muito mais; como é que as agências de notação, os mercados e a Goldman Sachs puderam livremente atacar a dívida soberana de todos os Estados europeus, excepto a Alemanha, numa estratégia concertada de cerco ao euro, que finalmente tornou toda a Europa insolvente. Ou como é que um pequeno país, como Portugal, experimentou uma receita jamais vista — a de tentar salvar as finanças públicas através da ruína da economia — e que, oh, espanto, produziu o resultado mais provável: arruinou uma coisa e outra. E como é que, no final de tudo isto, as periferias implodiram e só o centro — isto é, a Alemanha e seus satélites — se viu coberto de mercadorias que os seus parceiros europeus não tinham como comprar e atulhado em triliões de euros depositados pelos pobres e desesperados e que lhes puderam servir para comprar tudo, desde as ilhas gregas à água que os portugueses bebiam.
Deixemos os grandes senhores da Europa entregues à sua irrecuperável estupidez e detenhamo-nos sobre o nosso pequeno e infeliz exemplo, que nos serve para perceber que nada aconteceu por acaso, mas sim porque umas vezes a incompetência foi demasiada e outras a inocência foi de menos.
O que podemos nós pensar quando o ex-ministro Teixeira dos Santos ainda consegue jurar que havia um risco sistémico de contágio se não se nacionalizasse aquele covil de bandidos do BPN? Será que todo o restante sistema bancário também assentava na fraude, na evasão fiscal, nos negócios inconfessáveis para amigos, nos bancos-fantasmas em Cabo Verde para esconder dinheiro e toda a restante série de traficâncias que de há muito — de há muito! — se sabia existirem no BPN? E como, com que fundamento, com que ciência, pode continuar a sustentar que a alternativa de encerrar, pura e simplesmente, aquele vão de escada “faria recuar a economia 4%”? Ou que era previsível que a conta da nacionalização para os contribuintes não fosse além dos 700 milhões de euros?
O que poderemos nós pensar quando descobrimos que à despesa declarada e à dívida ocultada pelo dr. Jardim ainda há a somar as facturas escondidas debaixo do tapete, emitidas pelos empreiteiros amigos da “autonomia” e a quem ele prometia conseguir pagar, assim que os ventos de Lisboa lhe soprassem mais favoravelmente?
O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado? Como poderíamos adivinhar que havia uns contratos secretos, escondidos do Tribunal de Contas, em que o Estado garantia aos concessionários das PPP que ganhariam sempre X sem portagens e X+Y com portagens? Mas como poderíamos adivinhá-lo se nos dizem sempre que o Estado tem de recorrer aos serviços de escritórios privados de advocacia (sempre os mesmos), porque, entre os milhares de juristas dos quadros públicos, não há uma meia dúzia que consiga redigir um contrato em que o Estado não seja sempre comido por parvo?
A troika quer reformas estruturais? Ora, imponha ao Governo que faça uma lei retroactiva — sim, retroactiva — que declare a nulidade e renegociação de todos os contratos celebrados pelo Estado com privados em que seja manifesto e reconhecido pelo Tribunal de Contas que só o Estado assumiu riscos, encaixou prejuízos sem correspondência com o negócio e fez figura de anjinho. A Constituição não deixa? Ok, estabeleça-se um imposto extraordinário de 99,9% sobre os lucros excessivos dos contratos de PPP ou outros celebrados com o Estado. Eu conheço vários.
Quer outra reforma, não sei se estrutural ou conjuntural, mas, pelo menos, moral? Obrigue os bancos a aplicarem todo o dinheiro que vão buscar ao BCE a 1% de juros no financiamento da economia e das empresas viáveis e não em autocapitalização, para taparem os buracos dos negócios de favor e de influência que andaram a financiar aos grupos amigos.
Mais uma? Escrevam uma lei que estabeleça que todas as empresas de construção civil, que estão paradas por falta de obras e a despedir às dezenas de milhares, se possam dedicar à recuperação e remodelação do património urbano, público ou privado, pagando 0% de IRC nessas obras. Bruxelas não deixa? Deixa a Holanda ter um IRC que atrai para lá a sede das nossas empresas do PSI-20, mas não nos deixa baixar parte dos impostos às nossas empresas, numa situação de emergência? OK, Bruxelas que mande então fechar as empresas e despedir os trabalhadores. Cumpra-se a lei!
Outra? Proíbam as privatizações feitas segundo o modelo em moda, que consiste em privatizar a parte das empresas que dá lucro e deixar as “imparidades” a cargo do Estado: quem quiser comprar leva tudo ou não leva nada. E, já agora, que a operação financeira seja obrigatoriamente conduzida pela Caixa Geral de Depósitos (não é para isso que temos um banco público, por enquanto?). O quê, a Caixa não tem vocação ou aptidão para isso? Não me digam! Então, os administradores são pagos como privados, fazem negócios com os grandes grupos privados, até compram acções dos bancos privados e não são capazes de fazer o que os privados fazem? E, quanto à engenharia jurídica, atenta a reiterada falta de vocação e de aptidão dos serviços contratados em outsourcing para defenderem os interesses do cliente Estado, a troika que nos mande uma equipa de juristas para ensinar como se faz.
Tenho muitas mais ideias, algumas tão ingénuas como estas, mas nenhumas tão prejudiciais como aquelas com que nos têm governado. A próxima vez que o careca, o etíope e o alemão cá vierem,  estou disponível para tomar um cafezinho com eles no Ritz. Pago eu, porque não tenho dinheiro para os juros que eles cobram se lhes ficar a dever.



















Clique

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ANEDOTA

Um casal fez um acordo que, se existisse reencarnação, o primeiro a morrer informaria o outro como é que era.
O marido foi primeiro, contactou a mulher e contou-lhe:
"Bem, levanto-me cedo e faço sexo.
Tomo o dejejum e vou para o campo de golfe. Faço mais sexo, apanho sol e faço sexo mais algumas vezes.
Depois almoço (você gostaria: muitas verduras!!). Mais sexo, um passeio pelo campo de golfe e mais sexo o resto da tarde.
Depois do jantar, volto ao campo de golfe e faço mais sexo até anoitecer.
Depois durmo muito bem para recuperar, e no dia seguinte recomeça tudo igual outra vez."

terça-feira, 12 de junho de 2012

O TAL PASSOS


 esta a sua experiência!

Consulte aqui todos osinvestimentos do "New Energy Fund".

Um dos projectos a Albaidas de que PedroPassos Coelho era administrador executivo, na sequência de uma denúncia sobregestão danosa durante os anos de 2008 e 2009 em que referem ter havido umdesvio de cerca de 1 milhão de euros, foi objecto de uma deliberação daComissão Executiva do Banif para que se procedesse a uma investigação exaustivadesses graves factos culminando com a realização de um memorando daCuatrecasas.

Podem ver e fazer download dascartas do Banif à Fomentinvest, a denúncia da gestão danosa, a carta do Banif àMCO2-SGFIM e o memorando da Cuatrocasas.

Da apreciação do Comité de investimentos daNIF foi detectado, entre outras coisas, que "em 2009, as contasapresentadas não reflectiam sequer os saldos que o NEF tinha desembolsado atítulo do financiamento do projecto", bem como, outras irregularidades.

Este fundo "NEF" tem participaçãode diversas instituições financeiras e estão neste momento completamentedesvalorizados e descapitalizados em relação ao investimento inicial nelefeito.

Podem ver este quadro quecomprova essa desvalorização.

Existe, também, a intenção de caso o PSDganhe as eleições integrar este fundo do Grupo Fomentinvest na CGD de forma adiluir o enorme buraco financeiro acumulado e assim compensar os diversosaccionistas que passam por diversas instituições financeiras.

PPC que trouxe à campanha a sua capacidade degestão empresarial como economista podia explicar o que tem a dizer àapreciação demolidora na sua gestão na Albaidas e se pode garantir que casoganhe as eleições o fundo das energias e também o fundo do carbono (outroaltamente desvalorizado) da Fomentinvest do seu amigo Ângelo Correia não seráadquirido pela CGD.

Encontre aqui, disponível paraconsulta, um ponto de situação sobre o projecto Albaida.

Outro projecto com gravíssimos problemas deirregularidades na sua gestão foi MARL Energia.

Análises que podem, igualmente,ser aqui consultadas.

Pergunto eu: É isto que queremos paraPortugal?

Consulte em (http://verdadeirolapisazul.blogspot.com/) epartilhe com os seus amigos por mail e nas redes sociais.


domingo, 10 de junho de 2012

PORQUE NÃO SE CALAM ?


Começam a faltar-me epítetos quenão ultrapassem os limites da educação para classificar 'gente' como esta.Depois de afirmar que os salários devem ser reduzidos em Portugal, AntónioBorges auferiu, em 2011, 225 mil euros livres de impostos. Aoque parece, os senhores do FMI que andam por aí a mandar os outros pagar impostos, estãoisentos do pagamento de impostos. Este privilégio assiste aos que têm estatutode funcionário de organização internacional. O mínimo que se lhe podia exgirera que calassem aquelas bocas e tivessem o mínimo de respeito por quem vive deuns ridículos euros e está reduzido a vidas miseráveis, também porque o Estadonos abafa com impostos e as assistências internacionais sufocam ironicamentequem alegadamente ajudam. Só não lhes chamo animais porque adoro bicharada erespeito-os infinitamente mais do que 'coisas' destas.














quarta-feira, 6 de junho de 2012

POEMA CURTO

A vida é filha da puta,
    A puta, é filha da vida...
    Nunca vi tanto filho da puta
    Na puta da minha vida!

terça-feira, 5 de junho de 2012

VENDE SE



Vende-se...


   EXCELENTE OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO (Especial atenção governos de Angola e China)VENDE-SE PAÍS PERIFÉRICO INTEGRADO NA UNIÃO EUROPEIA COM VÁRIAS ÁREASDE INTERESSE:- 2 MIL KM/2 DE PRAIAS; - 10 MILHÕES DE INQUILINOS / + DE 50% COM MÉDIA DE IDADES SUPERIOR A 60 ANOS(PERSPECTIVA DE VIDA DE CURTA DURAÇÃO), SEM COMPROMISSOS SOCIAIS EENCARGOS COM A POPULAÇÃO (completamente submissos). EXCELENTES ÁREAS DE EXPLORAÇÃO: ELECTRICIDADE, ÁGUAS, TRANSPORTES, COMPANHIA AÉREA, TELEVISÃO,CORREIOS, PETRÓLEO E ENERGIAS ALTERNATIVAS; MILHARES DE HECTARES DE TERRAS PARA CULTIVO ABANDONADAS; MILHARES DE KM DE AUTO-ESTRADAS DESERTAS; MILHARES DE KM2 DE MAR PARA PESCA AINDA SEM EXPLORAÇÃO; ALGUMAS MINAS DE OURO E OUTROS METAIS PARA EXPLORAÇÃO; CLIMA TROPICAL / APROXIMADAMENTE 7 MESES DE SOL / ANO; 2 REGIÕES AUTONOMAS  UMA DELAS CHEIA DE BURACOS, MAS COM OFFSHORES ECARNAVAL COM PALHAÇO ESPECIAL; DIVERSOS PALÁCIOS PÚBLICOS COM INQUILINOS A CONTRATO; 2 ESTALEIROS NAVAIS FECHADOS; 1 SIDERURGIA E VÁRIAS UNIDADES FABRIS DESACTIVADAS; REDE EFICIENTE DE COBRADORES; VÁRIOS ESTÁDIOS DE FUTEBOL SEM INQUILINOS; DOS MELHORES PARQUES AUTOMÓVEIS DA EUROPA; DOS MELHORES GESTORES PÚBLICOS DO MUNDO(a julgar pelos vencimentos e mordomias); UM EXÉRCITO DE DESEMPREGADOS QUE ACEITAM TUDO A QUALQUER PREÇO; OFERECE-SE COMO BÓNUS A MODERNIZAÇÃO DAS LINHAS FERROVIÁRIAS.  PREÇO BASE DE LICITAÇÃO: 240 MIL MILHÕES DE EUROS.    ENVIO DE PROPOSTAS PARA:  PALÁCIO DE SÃO BENTO, RUA DE SÃO BENTO, LISBOA AO CUIDADO DO SR. "Relvas de Coelho", MOTIVO:  ORÇAMENTO  2013.   













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segunda-feira, 4 de junho de 2012

A GRÉCIA E NÓS

NA GRÉCIA O POVO ESTÁ EM LUTA


Se nas eleições conseguuirem parar as miseráveis mnedidas da troika..não duvidemos que os efeitos se sentirãoi em portuygal

 

 

Syriza apresenta programa económico

Embalado pela sondagem de quinta-feira, que deu 31.5% de intenções de voto à coligação de esquerda grega, Alexis Tsipras voltou a prometer rejeitar o memorando da troika e reverter o corte salarial e o plano de privatizações.
Syriza quer taxar os ricos para pôr a economia a crescer com justiça social.
"Ou se implementa o memorando, ou se cancela", afirmou o líder da Syriza, citado pelo diário Ekathimerini, criticando as promessas da Nova Democracia e do PASOK de renegociar o memorando caso alcancem a maioria nas eleições de 17 de junho. Tsipras condenou ainda a campanha de medo e chantagem aos eleitores, destinada a transformar as eleições num referendo à permanência da Grécia na zona euro.
"O falso dilema euro-dracma revelou-se um favor dos responsáveis da União Europeia aos seus amigos necessitados que lhes pediram ajuda", afirmou Tsipras, referindo-se à notícia da Reuters acerca do pedido do ex-primeiro ministro Lucas Papademos a Durão Barroso para que este fizesse uma declaração forte sobre a possibilidade da Grécia sair do euro.
Tsipras apresentou um "plano de reconstrução nacional" com o objectivo de "reduzir a nossa dívida ou uma moratória e suspensão do pagamento dos juros até que a economia estabilize ou mostre sinais de recuperação". "O serviço da dívida deve estar ligado á taxa de crescimento da Grécia", acrescentou Alexis Tsipras.
Uma das medidas propostas é a rejeição do corte de 22% no salário mínimo, fazendo-o regressar aos 751 euros e alargar o subsídio de desemprego a um período de dois anos em vez de um. Para estabilizar a economia, a Syriza defende uma despesa pública entre 43% e 46% do PIB, em vez dos 36% previstos no memorando da troika. Para aumentar as receitas de 41% para 45% do PIB, a média comunitária, Alexis Tsipras propõe taxar a riqueza e os rendimentos milionários. E para implementar estas reformas, a Syriza quer criar um registo de bens detidos por cidadãos gregos no país e no estrangeiro, com a sua apreensão em caso de declarações falsas. A redução do IVA nos produtos alimentares essenciais, uma reforma fiscal menos penalizadora dos baixos rendimentos, o fim das isenções fiscais aos armadores, o investimento em tecnologia e meios humanos para combater a evasão fiscal e a nacionalização dos bancos recapitalizados pelo Estado são outras das propostas da Syriza para inverter o caminho da economia grega para a ruína.
Para viabilizar o sistema de segurança social, Tsipras quer usar as receitas da exploração de petróleo e gás para criar um fundo que garanta o futuro das pensões gregas. "O povo grego não está a pedir dinheiro. Não são pedintes. Querem trabalhar e poder suportar o seu custo de vida", afirmou o líder da Syriza, garantindo que "isto pode ser atingido sem os duros cortes impostos pelo memorando".

domingo, 3 de junho de 2012

´´E FARTAR... VILANAGERM


Aos meus amigos - Corrupção sem julgamento











Investigar PPP é incendiar enxofre: o ar torna-se náusea. Falemos de novo de Paulo Campos. Mas falemos, antes, de Alberto Pinto Nogueira. E da entrevista do procurador-geral distrital do Porto, hoje, no Negócios. É uma entrevista absolutamente estarrecedora sobre a corrupção e sobre a justiça. Não é, infelizmente, uma entrevista demolidora - este poder alapado não se demole.
Comecemos onde isto tudo acaba: na impunidade. É disso que fala Pinto Nogueira. Da falta de meios nos órgãos de polícia criminal. Mas também da falta de preparação - e de empenho. Na sua própria casa, o Ministério Público. E dos magistrados que se intimidam. Onde mora a corrupção? Em todo o lado. "Sobretudo nos grandes negócios do Estado e empresas públicas". É preciso dizer mais?
É, é preciso dizer mais. Pinto Nogueira tem uma vida inteira na profissão. Pelas suas mãos passaram-lhe dezenas de processos de corrupção. Vários arguidos foram condenados. Quantos estão presos? Poucos. Mas há esta resposta lacónica: há ex-autarcas condenados, não há autarcas; há ex-governantes condenados, não há governantes. "Sempre ex", ironiza. "O poder persegue e odeia os homens livres, mas favorece, protege e promove os medíocres e os bajuladores".
Num país que elege autarcas condenados, a palavra "ilegal" não incomoda muitas almas. "Escândalo" é infelizmente mais eloquente. Talvez por isso agentes da justiça acabem por gritar reformados o que escreveram durante a sua vida activa. As letras das sentenças foram sendo arquivadas. As palavras nos jornais sempre ecoam. Talvez por isso um procurador distrital, perto de deixar de o ser, assim denuncie a corrupção. Talvez por isso Carlos Moreno, agora jubilado do Tribunal de Contas, diga tantas vezes na praça pública o que ninguém ouvia nas sentenças. Vamos às PPP.
O Tribunal de Contas denunciou anexos a contratos de PPP que aumentam os encargos dos contribuintes, a favor de concessionárias e dos bancos, se determinadas contingências se verificarem no futuro. Ou seja, se o euro acabar, se a Grécia produzir contágio, se a economia for para o galheiro, se os juros dispararem, se estas "contingências" agravarem as condições dos contratos.
Paulo Campos deixou um rasto de polémicas quando foi secretário de Estado. A concessão da Estradas de Portugal. As inaugurações milionárias de estradas em que ninguém percebia para onde ia o dinheiro. O aeroporto de Beja. A Fundação para as Comunicações, o Magalhães. E as concessões em si mesmas, demasiadas para o que a economia podia e as finanças permitiam. Isso foi dito e escrito milhões de vezes. Não em 2012, mas em 2007. Mas hoje escrevemos sobre o caso concreto. Não é política, é justiça.
Contextualizemos. Até porque a revelação foi menos revelação do que parece: o Negócios escreveu lençóis sobre a história, que começa simples.
As concessões de estradas carecem de visto prévio do Tribunal de Contas, ou não podem ser adjudicadas. Com a crise financeira, os custos de financiamento dispararam. E o Tribunal de Contas começou a recusar esse visto porque, por causa do aumento das taxas de juro, a proposta final das concessões era mais cara do que a proposta inicial, o que violava o caderno de encargos. Criou-se um problema político. O impasse foi resolvido à portuguesa, uma espécie de desorçamentação. Os contratos voltaram aos preços iniciais e fizeram-se adendas para condições contingenciais, que não careciam de visto. Nem foram sequer vistas. Segundo o regulador das estradas, o InIR, Paulo Campos deu ordem para essa ocultação. O ex-governante nega. Mas já agora: aqui o Negócios, que teve mais desmentidos de Paulo Campos do que nenúfares há no Japão, noticiou na altura a existência desses anexos. O Tribunal de Contas podia ter pedido para vê-los. Pediu? Se não pediu, devia ter pedido. Se pediu, não recebeu. Recebemos nós a conta: mais 705 milhões de euros.
Vamos assumir a presunção do costume. Que ninguém andou a meter dinheiro ao bolso com isto. Que toda esta loucura resulta da alucinação visível no último Governo de fazer, construir, adjudicar, inaugurar, concretizar, de fazer tudo, a qualquer custo, a qualquer preço, para agradar aos autarcas, aos eleitores, aos utilizadores, até aos ministros das Finanças que queriam mais receitas na Estradas de Portugal para tirá-la do perímetro do Orçamento do Estado. Nesse caso, as concessões foram apenas negociadas com precipitação e prejuízo futuro. Mas também a introdução de portagens nas SCUT, que obrigaram um Estado em má situação negocial dar contrapartidas a privados. Renegociando equilíbrios financeiros por exemplo na concessão do Norte Litoral. Ou, no afã de introduzir portagens na Costa da Prata e no Grande Porto, de ceder à Mota-Engil uma renda fixa do Estado.
Esta presunção tem de ser mais do que o costume. Tem de ser validada. O Tribunal de Contas não é uma comissão de acompanhamento, é um tribunal. Repito: um tribunal. Como o Ministério Público, que está a investigar as PPP, é um órgão de justiça. E os crimes que está a investigar não são leves, são medonhos: corrupção, tráfico de influências, administração danosa, e participação económica em negócios. Como a Comissão de Inquérito às PPP, que está a decorrer. A corda que está ao pescoço do PS é mais grossa do que a que faz um colar ao PSD, mas esta Comissão tem a obrigação de, se encontrar indícios, acusar alguém formalmente junto do Ministério Público. Em democracia, as políticas erradas são julgadas nas urnas, mas as políticas danosas têm outro tribunal.
Paulo Campos pode considerar-se inocente. Mas não pode ignorar que está a ser julgado. Ou sai disto culpado ou sai disto inocente. Se não, o suspeito é outro: o Estado que não investiga nem pune. Aquele de que fala Alberto Pinto Nogueira: "A criminalidade aperfeiçoa-se, o Estado minimiza-se".






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Fazem parte dos QUADROS da PT os filhos/as de:
- Teixeira dos Santos.
- António Guterres.
- Jorge Sampaio.
- Marcelo Rebelo de Sousa.
- Edite Estrela.
- Jorge Jardim Gonçalves.
- Otelo Saraiva de Carvalho.
- Irmão de Pedro Santana Lopes.

Estão também nos quadros da empresa, ou da subsidiária TMN  os filhos de :
- João de Deus Pinheiro.
- Briosa e Gala.
- Jaime Gama.
- José Lamego.
- Luis Todo Bom.
- Álvaro Amaro.
- Manuel Frexes.
- Isabel Damasceno.
Para efeitos de "pareceres jurídicos" a PT recorre habitualmente aos
serviços de:
- Freitas do Amaral.
- Vasco Vieira de Almeida.
- Galvão Telles.

É ou não uma PERFEITA DEMONSTRAÇÃO DA
SOCIEDADE DO CUNHACIMENTO ?