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sábado, 29 de setembro de 2012

a cigarra e a formiga


Joaquim Amaro

Urbanização Quinta João de Ourém, Lote 8- 2.º Direito

8700-132 Olhão

 

 

                                     

                                               Exmo. Senhor

                                               Doutor Miguel Macedo

Ministro da Administração Interna

Praça do Comércio

                                               1149-015 Lisboa

 

Registada c/ Aviso de Receção

 

                                                                               Olhão,25/09/2012

 

Senhor Ministro,

 

Com os meus cumprimentos, dirijo-me a V. Excelência verberando as suas recentes declarações que transcrevo:

 

“Portugal é um País com muitas cigarras e poucas formigas”

 

Esta sua afirmação leva-me a concluir que o Senhor Ministro por ignorância ou desconhecimento, não sabe interpretar o sentido da fábula da cigarra e da formiga.

 

Eu explico:

 

As formigas são a maioria dos Portugueses que o Senhor ofendeu com a sua infeliz afirmação, que trabalham (aqueles que têm trabalho) e levam para casa uns míseros trocos para o sustento das suas famílias.

 

Para que o Senhor Ministro meça no futuro as suas palavras, não resisto a contar-lhe a fábula como eu a conheço:

 

Aqui vai, nasci no longínquo ano de 1939 numa freguesia rural do Alentejo.

Sou filho de um camponês que tinha mais cinco descendentes, sendo eu o mais velho.

 

A formiga era o meu pai que trabalhava de sol a sol (assim como uma grande parte dos portugueses).

 

Ouso perguntar-lhe: O Senhor Ministro alguma vez na sua vida ouviu cantar o galo? Eu disse galo, não disse cigarra, essa certamente já a ouviu, porque elas só cantam com o sol em pleno.

 

Era precisamente à hora que os galos cantavam no verão entre as 4,30 horas e as 5,00 da manhã que ele se levantava para ir trabalhar. Levava no alforge um bocado de pão, azeitonas, toucinho ou chouriço, quando o havia e iniciava mais um dia de calvário calcorreando cerca de 2 léguas a pé para chegar à Quinta de São Pedro, onde trabalhava.

 

Chegado ali, dirigia-se às cavalariças para aparelhar as mulas, dar-lhes de beber e alguma ração e em seguida iniciava os trabalhos consoante a época do ano e que consistiam, em lavrar e arar a terra, semear, mondar, ceifar, debulhar as sementes e muitos outros serviços inerentes à atividade agrícola.

 

O Senhor Ministro antes de dizer aquelas “palermices” tem consciência do que é estar à boca de uma debulhadora ou a ceifar sob o tórrido sol do Alentejo? Eu respondo por si; não tem porque o Senhor nasceu em berço de ouro.

 

Quando o sol desaparecia no horizonte, no verão cerca das 21,00 horas, dirigia-se às cavalariças, desaparelhava o gado, dava-lhes água, palha e ração e regressava a casa, muitas vezes debaixo de grandes intempéries (isto no inverno, como é óbvio), atravessando ribeiras e trilhando caminhos cheios de lama, muitas vezes às escuras e com um feixe de lenha às costas para os filhos se aquecerem no inverno. Ceava qualquer coisa e deitava-se mais morto do que vivo, porque muitos dias não conseguia dormir com as dores que sentia no corpo. 

 

O Senhor imagina o que é fazer este ritual todos os dias do ano, praticamente sem um dia de descanso a não ser no dia de festa da aldeia, sim, porque neste tempo não havia feriados, nem fins-de-semana.

 

Tudo isto para trazer para casa uma jorna de 105 escudos por semana, correspondente a 7 dias a 15 escudos diários.

 

 Depois do meu pai chegar a altas horas da noite a minha mãe ia à mercearia do Sr. Silvério, pagar o avio da semana para poder trazer o outro para a semana seguinte, porque se não o fizesse não havia seguinte.

 

O Senhor Ministro comeu alguma vez pão com 8 dias ou mais?

 

Com certeza que não porque o Senhor nunca comeu o pão que o diabo amassou, como diz o povo do qual se arvora em defensor.

 

O Senhor alguma vez ouviu falar nas cadernetas de racionamento?

 

Certamente pensará que estou a ironizar. Não estou não senhor. Não se trata de uma caderneta de cromos era um livrinho que foi distribuído às famílias para controlar o consumo a que estavam autorizados e obrigados ao tempo.

 

Sabe o Senhor Ministro o que é que esta formiga amealhou durante os anos em que viveu e tanto se sacrificou? Eu digo-lhe, miséria e fome, tal como alguns milhões que o senhor infelizmente apelida de cigarras.

 

Sabe qual foi a escolaridade dos meus irmãos? Nenhum chegou à 4.ª classe, porque tiveram que ir guardar porcos e trabalhar no campo para minorar a pobreza do agregado familiar.

 

Agora espero que tenha compreendido na verdadeira aceção da palavra, o papel da formiga, comento o papel da outra interveniente na fábula.

 

A cigarra é o Senhor que está no governo e muitos outros que por lá têm passado que conduziram o País à miséria e quase à bancarrota, arvorando-se em defensores dos desprotegidos e dos mais pobres, que são afinal as únicas vítimas da crise e dos desmandos que os senhores estão a praticar e praticaram.

 

A cigarra são os senhores bem-falantes que estão na Assembleia da República, com bons vencimentos, mordomias e privilégios que ninguém tem, que se intitulam defensores do povo. Qual povo, qual carapuça, os senhores são é defensores dos “tachos” quando aí estão e quando saem para a vida privada. Afirmam muitos que para servir o País e a bem de Portugal, estão a perder dinheiro.

 

Como tenho pena dos “coitados”. Porque não experimentam viver com o salário mínimo nacional durante uns anos? Porque não têm a reforma só aos 65 anos como a maioria dos portugueses, aqueles que apelidam de cigarras?

 

A cigarra leva a vida a cantar é o que vocês fazem tentando adormecer os portugueses. Cuidado que eles estão a despertar e o feitiço pode voltar-se contra o feiticeiro e de repente o tapete desaparece debaixo dos vossos pés e ainda podem vir a ser responsabilizados pelo mal que têm feito a este triste País.

 

Levam uma vida faustosa e de luxúria com bons carros, motoristas, grandes banquetes e sabe-se lá mais o quê e ainda têm o descaramento de chamar “cigarras” aos desgraçados que têm espoliado escandalosamente, contrariando inclusive a própria Constituição da República. Os Senhores foram mandatados para nos governar, não para nos “desgovernar”.

 

Sabe o Senhor Ministro porque temos muitas cigarras e poucas formigas, eu explico:

 

Porque os senhores são muitos e para cúmulo mandaram quase um milhão de formigas para o desemprego e para a miséria. Foram os senhores e os vossos antecessores, que mercês das vossas políticas desastrosas acabaram com o aparelho produtivo do País.

 

Foram os políticos que estiveram nos sucessivos governos que, escudados na obrigatoriedade de cumprirem diretivas emanadas da União Europeia, acabaram com a agricultura, com as pescas e outras atividades que eram o sustentáculo da produção nacional ao ponto de não sermos mais autossuficientes em alguns produtos.

 

O Senhor Ministro lembra-se ou alguma vez viu os campos verdejantes do Alentejo cobertos de trigo, cevada, grão, milho e outros cereais? Lembra-se de campos cobertos de papoilas e malmequeres?

 

Sabe o que vejo atualmente nesses campos outrora verdejantes e cultivados?

 

Vejo-os ao abandono e desertificados.

 

Triste realidade a que nos conduziram. Houve evolução depois do 25 de Abril, houve sim senhor. O País melhorou em muitos aspetos; melhorou sim senhor. Piorou noutros; piorou.

 

Deixou de haver respeito e palavra de honra, não se respeitam as autoridades, as instituições, os professores, os mais velhos e quanto à palavra de honra à gente que não sabe o seu significado, incluindo os políticos do seu governo que hoje dizem uma coisa e amanhã outra. Diz-se que navegam à vista, eu, diria navegam ao sabor das correntes, isto é, dos seus interesses.

 

É por causa das vossas políticas que as empresas abrem falência diariamente e são mandados para o desemprego milhares de portugueses que vão engrossar o número das “cigarras”.

 

O mais grave é que teimosamente os senhores não reconhecem os vossos erros.

 

A seu tempo o Imperador Napoleão Bonaparte censurou um dos seus generais de brigada e disse-lhe o seguinte:

 

“Junot o mal não está no erro, está na persistência do erro”

 

Este recuou na sua estratégia. Os senhores também recuam para depois investirem de forma mais austera, tendo sempre como destinatários os mais desfavorecidos e aqueles que trabalham.

 

Em suma, sempre os mesmos.

 

Dizem as cigarras estar preocupadas com a justiça, com a corrupção, com a fuga ao fisco e muito mais. O Dr. Paulo Morais, sabe e disse-o na televisão e numa entrevista no Correio da Manhã, onde está instalada a corrupção. Porque não lhe perguntam?

 

Certamente que ele vai colaborar e eu também, dizendo que estão instalados na Assembleia da República que é afinal o centro de todas as decisões.

 

Os lobby’s e os interesses instalados não abdicam dos seus privilégios e assim torna-se muito difícil tomar medidas estruturais.

 

Os problemas de Portugal além de estruturais são económicos. Se não produzimos, não exportamos e diminuímos o consumo interno.

 

Diminuindo o consumo interno asfixiamos o mercado nacional e somos obrigados a importar, fator que implica o agravamento da nossa balança comercial.

 

Deixo estas apreciações aos senhores economistas que tudo sabem, mas, que raramente estão em sintonia com as causas com que nos debatemos.

 

 Não vou alongar-me mais Senhor Ministro, apesar de ter muito para lhe dizer. Quando assisto aos debates na Assembleia da Republica, quase sempre nas vossas interpelações, oiço alguns gracejos, pelo que não devo bater-lhe mais, para não o deixar cheio de nódoas negras, mais, do que aquelas que já tem com a sua atuação que espero em breve ver julgada pelos portugueses.

 

O Senhor Ministro sabe a tristeza que eu sinto, quando perpasso o olhar pelo hemiciclo e oiço os senhores falarem em sacrifícios que os portugueses precisam de fazer para sair da crise e vejo um grupo de “emproados e anafados deputados”, defendendo as suas damas e acusando-se uns aos outros. Sim porque a culpa é sempre dos outros.

 

Senhor Ministro depois de ter ofendido a maioria dos portugueses que o elegeram, sugiro-lhe que se demita ou apresente a todos as suas desculpas, dizendo que as suas palavras foram deturpadas e foram reproduzidas fora de contexto? Aliás o final da sugestão é o que normalmente acontece quando os governantes metem “a pata na poça” como diz o povo. Reconhecer os erros é humildade, precisamente o contrário de arrogância.

 

Ouso perguntar-lhe se já viu a foto da menina que na manifestação de 19 do corrente junto ao Palácio de Belém, está a abraçar um polícia e que está a correr mundo nas redes sociais?

 

Se ainda não viu; veja que é elucidativa. Espero que o pobre coitado não seja castigado, pois, apesar de ter muita vontade, não esboçou sequer um sorriso apesar de a garota ser linda e muito ternurenta.

 

Penso que o elucidei sobre a verdadeira essência da fábula acima descrita para que não cometa mais “argoladas”

 

Reitero os meus cumprimentos,

 

 

.

 

a)   Joaquim Amaro

B.I. 1346083

 

 

VIDENTE

Passos Coelho vai à bruxa
A vidente concentra-se, fecha os olhos e diz:
- Vejo o senhor a passar numa avenida, em carro aberto, com o povo a acenar.
Encantado, Passos Coelho, pergunta:
- E a multidão, está feliz?
- Como nunca!
- E o povo, corre atrás do carro?
- Atrás e à volta. Como loucos!
- A polícia até tem dificuldade em abrir caminho
- As pessoas, carregam bandeiras, dísticos?
- Sim, bandeiras de Portugal e faixas com palavras de esperança
A sério?! E gritam, cantam?
- Gritam: "Agora sim!!! Agora tudo vai melhorar! "
- E eu, como é que eu reajo?
- Não dá p’ra ver.
- Não dá p’ra ver?!
- Não!
- O caixão vai fechado

ALMEIDA GARRETT


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ANEDOTA PARADESCONTRAIR

Você é médico? Muito actual! vale a pena ler
> Uma senhora, com seu filho de 5 anos, está a comer num restaurante.
>
> De repente, a criança mete uma moeda na boca e engasga-se.
>
> A mãe tenta fazê-lo cuspir a moeda dando-lhe palmadas nas costas, sem
> sucesso.
>
> O menino está a mostrar sinais de asfixia e a mãe, desesperada, grita por
> auxílio.
>
>
> Um homem levanta-se de uma mesa próxima e com surpreendente calma, sem dizer
> uma palavra, baixa as calças do miúdo, segura os seus pequenos testículos,
> aperta com força e puxa para baixo violentamente.
>
>
> Automaticamente, o garoto com dor irresistível cospe a moeda, e o fulano,
> com a mesma calma com que se aproximou, voltou para sua mesa sem dizer uma
> palavra.
>
>
> Após algum tempo, a senhora, já tranquilizada, aproxima-se para agradecer ao
> senhor por salvar a vida de seu filho, e pergunta:
>
>
> - Você é médico?
>
> - Não, minha senhora, eu sou o ministro das finanças Victor Gaspar, a minha
> especialidade é "espremer tomates até sacar a última moeda".
>
>
>
>

MÁSCARA

O texto vem de Moçambique que ao que parece têm em fraca conta o jornalista Mário Crespo.
O sujeito que observo neste texto é aquele que diariamente fecha o telejornal da SIC dizendo que a RTP gasta, diariamente, não sei quantos milhões e que dá pelo nome de Mário Crespo.
Este sujeito foi meu colega de liceu salazar, em Lourenço Marques, hoje Maputo. Sempre foi mau estudante, mas cheio de truques e boas amizades, sobretudo com a Mocidade Portuguesa.
Á custa das amizades, supõe-se, fez a "guerra" como relações públicas do Gen Kaúlza de Arriaga, Comandante Chefe, em Moçambique.
Com o fim da guerra tornou-se no "papagaio" da rádio do apartheid na África do Sul, a SABC.
Com os estertor do regime sul africano, esperto como é, resolveu mudar de ares. Como era bem falante em inglês,e certamente com bons contactos nos protectores do apartheid (USA), veio para Portugal onde logo lhe ofereceram um bom tacho na RTP- correspondente em Washington. Trabalhava pouco, o que parece ser mal de nascença, mas gastava muito do dinheiro de todos nós, em cartões de crédito, ajudas de custo, festas, whisky etc. Foi devolvido, por má figura, para Lisboa. Infelizmente, em vez de ser despedido, foi colocado na prateleira onde a SIC o foi buscar.
Imaginem quem o repatriou de Washington para Portugal. Um governo do PS! Está explicado o posicionamento político do crápula.
Os jornais revelaram que o seu amigo Relvas apadrinhava o regresso do Crespo à RTP. O Presidente da RTP, e bem, recusou.
Foi demitido.
PS- Para que se saiba.Quando durante o governo de José Sócrates, este já farto do aproveitamento da posição de pivot na SIC Notícias, Mário Crespo fazia em directo uma campanha sem fundamento e contra o governo, José Sócrates então declarou num restaurante a um amigo que almoçava com ele, que era preciso afastar o Mário Crespo. Esta frase de desabafo foi ouvida numa mesa ao lado onde se sentava um amigo do Mário Crespo que lhe foi dizer, atiçando-o e dando origem a uma série de atitudes de aproveitamento político que envolveram a Assembleia da Republica onde o Mário Crespo também foi depor, fazendo então uma cena ridícula com uma Tshirt. Ora, quem era o amigo do Mário Crespo que ouviu o desabafo de José Sócrates....foi o "dr" Miguel Relvas.
Pertencem ambos ao mesmo conjunto de pessoas-tipo.
Jorge Toscano Alvarez
Acrescento eu: Por causa dessa conversa ouvida por "segundos", publicou o fulano uma crónica no Jornal de Notícias, que lhe pediu a confirmação das afirmações.
Achou-se o fulano alvo de censura e "insultou" o J.N. na pessoa do seu director na altura.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

QUADRAS DE ANTÓNIO ALEIXO

CINCO QUADRAS
DE ANTÓNIO ALEIXO


Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.

Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.

Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.

Não me deem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!

Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.
António Aleixo










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A VACA E O LEITE


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CONHECE A ISLÂNDIA ?

Partilha - Todos devem ficar a saber o PORQUÊ do SILÊNCIO ABSOLUTO SOBRE A
ISLÂNDIA.

Se há quem acredite que nos dias de hoje não existe censura, então que nos
esclareça porque é ficámos a saber tanta coisa acerca do que se passa no
Egipto e porque é que os jornais não têm dito absolutamente nada sobre o que
se passa na Islândia.
Na Islândia:
- o povo obrigou à demissão em bloco do governo;
- os principais bancos foram nacionalizados e foi decidido não pagar as
dívidas que eles tinham contraído junto dos bancos do Reino Unido e da
Holanda, dívidas que tinham sido geradas pelas suas más políticas
financeiras;
- foi constituída uma assembleia popular para reescrever a Constituição.
Tudo isto pacificamente. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu
a esta crise. E aí está a razão pela qual nada tem sido noticiado no decurso
dos últimos dois anos. O que é que poderia acontecer se os cidadãos europeus
lhe viessem a seguir o exemplo?

Sinteticamente, eis a sucessão histórica dos factos:
- 2008: o principal banco do país é nacionalizado. A moeda afunda-se, a
Bolsa suspende a actividade. O país está em bancarrota.
- 2009: os protestos populares contra o Parlamento levam à convocação de
eleições antecipadas, das quais resulta a demissão do primeiro-ministro e de
todo o governo.
A desastrosa situação económica do país mantém-se. É proposto ao Reino Unido
e à Holanda, através de um processo legislativo, o reembolso da dívida por
meio do pagamento de 3.500 milhões de euros, montante suportado mensalmente
por todas as famílias islandesas durante os próximos 15 anos, a uma taxa de
juro de 5%.
- 2010: o povo sai novamente à rua, exigindo que essa lei seja submetida a
referendo.
Em Janeiro de 2010, o Presidente recusa ratificar a lei e anuncia uma
consulta popular.
O referendo tem lugar em Março. O NÃO ao pagamento da dívida alcança 93% dos
votos.

Entretanto, o governo dera início a uma investigação no sentido de enquadrar
juridicamente as responsabilidades pela crise. Tem início a detenção de
numerosos banqueiros e quadros superiores. A Interpol abre uma investigação
e todos os banqueiros implicados abandonam o país.
Neste contexto de crise, é eleita uma nova assembleia encarregada de redigir
a nova Constituição, que acolha a lições retiradas da crise e que substitua
a actual, que é uma cópia da constituição dinamarquesa.
Com esse objectivo, o povo soberano é directamente chamado a pronunciar-se.
São eleitos 25 cidadãos sem filiação política, de entre os 522 que
apresentaram candidatura. Para esse processo é necessário ser maior de idade
e ser apoiado por 30 pessoas.
- A assembleia constituinte inicia os seus trabalhos em Fevereiro de 2011 a
fim de apresentar, a partir das opiniões recolhidas nas assembleias que
tiveram lugar em todo o país, um projecto de Magna Carta. Esse projecto
deverá passar pela aprovação do parlamento actual bem como do que vier a ser
constituído após as próximas eleições legislativas.

Eis, portanto, em resumo a história da revolução islandesa:
- Demissão em bloco de um governo inteiro;
-- Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões económicas
fundamentais;
- Prisão dos responsáveis pela crise e
- reescrita da Constituição pelos cidadãos:
Ouvimos falar disto nos grandes media europeus?

Ouvimos falar disto nos debates políticos radiofónicos? Vimos alguma imagem
destes factos na televisão? Evidentemente que não!
O povo islandês deu uma lição à Europa inteira, enfrentando o sistema e
dando um exemplo de democracia a todo o mundo.












--



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nuno manuel nunoman

domingo, 23 de setembro de 2012

HÁ UMA LNHA


CLARO QUE A CULPA É DELES...

Deles..os funcionários públicos(alguns)

Sim, a culpa da crise é do funcionário público Vítor Constâncio que não
viu, ou não quis ver o buraco do BPN;

Sim, a culpa da crise é do
funcionário público Teixeira dos Santos que não
viu, ou não quis ver o buraco da Madeira;

Sim, a culpa da crise é do
funcionário público Alberto João Jardim que
criou "às escondidas para os do continente não cortarem nas tranches" um
buraco de seis mil milhões de euros;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos da Assembleia da
República
que auferiram só em ajudas de custo no ano de 2010 a módica
quantia de três milhões de euros, fora os salários e demais benefícios;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que gerem, continuamente,
em prejuízo as empresas públicas
como a Metro do Porto, CP, ANACOM, REFER,
REN, CARRIS, EDP, PT, Estradas de Portugal, Águas de Portugal, . a lista é
interminável, mas não abdicam das viaturas topo de gama, telemóveis, talões
de combustível... enfim a lista é interminável;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos das Juntas de Freguesia e
Câmaras Municipais
que ganham por cada reunião assistida;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos da Assembleia da
República, já reformados
, com as suas subvenções vitalícias por meros 6
anos de "serviço". Reformados alguns com apenas 40 anos de idade!!! Quantos
são desde 1974? Enfim, a lista é interminável.

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que presidem fundações
como a Guimarães 2012 com salários imorais, na ordem dos milhares de euros.
Quantas são? Enfim, a lista é interminável;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que compram submarinos;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que adjudicam pareceres
jurídicos
a empresas de advogados, quando podiam solicitar o mesmo serviço
às Universidades, pagando dez vezes menos, ajudando dez vezes mais as
finanças das mesmas;

Sim, a culpa da crise é dos
funcionários públicos que adjudicaram obras
permitindo as famosas "derrapagens financeiras". E quem paga? É o Estado!!!

Etc., etc., etc..

Sim, a culpa da crise
é desses funcionários públicos, e não dos funcionários publicos que trabalham arduamente para alimentar estes pulhas


Carlos Couto, funcionário público,

O pagador de impostos.

ONDE ELES ESTUDARAM

AS INCLINAÇÕES DESTE GOVERNO ... ???

Ninguém tirou o curso na Pública?

Eis algumas das Universidades Privadas mais representativas:

- Universidade Moderna - Encerrada pelas Autoridades por ser Centro de Crime Organizado.

- Universidade Independente - Encerrada pelas Autoridades por ser Centro de Crime Organizado.

- Universidade Internacional - Encerrada pelas Autoridades por ser Centro de Crime Organizado.

- Universidade Lusófona - Os processos de equivalência provam que há licenciaturas fraudulentas.

- Universidade Livre que (passou a Universidade Lusíada) - Nada leva a crer que seja melhor que as outras.

MINISTROS:

1 - MINISTRA DA JUSTIÇA – Paula Teixeira da Cruz – Licenciada pela Universidade Livre.

2 - PRIMEIRO MINISTRO – Pedro Passos Coelho – Licenciado pela Universidade Lusíada (ex-Livre)

3 - MINISTRO DA SEGURANÇA SOCIAL – Pedro Mota Soares – Licenciado pela Universidade Internacional.

4 - MINISTRO DE ADJUNTO – Miguel Relvas – Licenciado(???) pela Universidade Lusófona.

5 - MINISTRO DAS FINANÇAS – Vitor Gaspar – Licenciado pela Universidade Católica.

6 - MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS – Paulo Portas – Licenciado pela Universidade Católica.

SECRETÁRIOS DE ESTADO:


1 - Secretária de Estado do Tesouro e das Finanças - Maria Luís Albuquerque – Universidade Lusiada.

2 - Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais - Paulo Núncio – Licenciado pela Universidade Católica.

3 - Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Europeus - Miguel Morais Leitão – Licenciado pela Universidade Católica.

4 - Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional - Paulo Braga Lino – Universidade Portucalense.

5 - Secretário de Estado da Administração Interna - Filipe Lobo D'ávila – Universidade Católica.

6 - Secretário de Estado Adjunto do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares - Feliciano Barreiras Duarte – Universidade Lusófona.

7 - Secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar - João Casanova de Almeida – Universidade Lusófona.

8 - Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas - José Cesário – Universidade Lusófona.

9 - Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social - Marco António Costa – Universidade Católica.

10 - Secretário de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território - Pedro Afonso de Paulo – Não diz.

11 - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - Luís Marques Guedes – Não diz.

12 - Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional – Não tem curso.

13 - Secretário de Estado da Energia - Artur Trindade – Não se sabe.


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

MIGUEL SOUSA TAVARES

Há alguns incompetentes, mas poucos inocentes

O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado?
Como caixa de ressonância daqueles que de quem é porta-voz (tendo há muito deixado de ter voz própria), o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, veio alinhar-se com os conselhos da troika sobre Portugal: não há outro caminho que não o de seguir a ?solução? da austeridade e acelerar as ?reformas estruturais? ? descer os custos salariais, liberalizar mais ainda os despedimentos e diminuir o alcance do subsídio de desemprego. Que o trio formado pelo careca, o etíope e o alemão ignorem que em Portugal se está a oferecer 650 euros de ordenado a um engenheiro electrotécnico falando três línguas estrangeiras ou 580 euros a um dentista em horário completo é mais ou menos compreensível para quem os portugueses são uma abstracção matemática. Mas que um português, colocado nos altos círculos europeus e instalado nos seus hábitos, também ache que um dos nossos problemas principais são os ordenados elevados, já não é admissível. Lembremo-nos disto quando ele por aí vier candidatar-se a Presidente da República.
Durão Barroso é uma espécie de cata-vento da impotência e incompetência dos dirigentes europeus. Todas as semanas ele cheira o vento e vira-se para o lado de onde ele sopra: se os srs. Monti, Draghi, Van Rompuy se mostram vagamente preocupados com o crescimento e o emprego, lá, no alto do edifício europeu, o cata-vento aponta a direcção; se, porém, na semana seguinte, os mesmos senhores mais a srª Merkel repetem que não há vida sem austeridade, recessão e desemprego, o cata-vento vira 180 graus e passa a indicar a direcção oposta. Quando um dia se fizer a triste história destes anos de suicídio europeu, haveremos de perguntar como é que a Europa foi governada e destruída por um clube fechado de irresponsáveis, sem uma direcção, uma ideia, um projecto lógico. Como é que se começou por brincar ao directório castigador para com a Grécia para acabar a fazer implodir tudo em volta. Como é que se conseguiu levar a Lei de Murphy até ao absoluto, fazendo com que tudo o que podia correr mal tivesse corrido mal: o contágio do subprime americano na banca europeia, que era afirmadamente inviável e que estoirou com a Islândia e a Irlanda e colocou a Inglaterra de joelhos; a falência final da Grécia, submetida a um castigo tão exemplar e tão inteligente que só lhe restou a alternativa de negociar com as máfias russas e as Three Gorges chinesas; como é que a tão longamente prevista explosão da bolha imobiliária espanhola acabou por rebentar na cara dos que juravam que a Espanha aguentaria isso e muito mais; como é que as agências de notação, os mercados e a Goldman Sachs puderam livremente atacar a dívida soberana de todos os Estados europeus, excepto a Alemanha, numa estratégia concertada de cerco ao euro, que finalmente tornou toda a Europa insolvente. Ou como é que um pequeno país, como Portugal, experimentou uma receita jamais vista ? a de tentar salvar as finanças públicas através da ruína da economia ? e que, oh, espanto, produziu o resultado mais provável: arruinou uma coisa e outra. E como é que, no final de tudo isto, as periferias implodiram e só o centro ? isto é, a Alemanha e seus satélites ? se viu coberto de mercadorias que os seus parceiros europeus não tinham como comprar e atulhado em triliões de euros depositados pelos pobres e desesperados e que lhes puderam servir para comprar tudo, desde as ilhas gregas à água que os portugueses bebiam.
Deixemos os grandes senhores da Europa entregues à sua irrecuperável estupidez e detenhamo-nos sobre o nosso pequeno e infeliz exemplo, que nos serve para perceber que nada aconteceu por acaso, mas sim porque umas vezes a incompetência foi demasiada e outras a inocência foi de menos.
O que podemos nós pensar quando o ex-ministro Teixeira dos Santos ainda consegue jurar que havia um risco sistémico de contágio se não se nacionalizasse aquele covil de bandidos do BPN? Será que todo o restante sistema bancário também assentava na fraude, na evasão fiscal, nos negócios inconfessáveis para amigos, nos bancos-fantasmas em Cabo Verde para esconder dinheiro e toda a restante série de traficâncias que de há muito ? de há muito! ? se sabia existirem no BPN? E como, com que fundamento, com que ciência, pode continuar a sustentar que a alternativa de encerrar, pura e simplesmente, aquele vão de escada ?faria recuar a economia 4%?? Ou que era previsível que a conta da nacionalização para os contribuintes não fosse além dos 700 milhões de euros?
O que poderemos nós pensar quando descobrimos que à despesa declarada e à dívida ocultada pelo dr. Jardim ainda há a somar as facturas escondidas debaixo do tapete, emitidas pelos empreiteiros amigos da ?autonomia? e a quem ele prometia conseguir pagar, assim que os ventos de Lisboa lhe soprassem mais favoravelmente?
O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado? Como poderíamos adivinhar que havia uns contratos secretos, escondidos do Tribunal de Contas, em que o Estado garantia aos concessionários das PPP que ganhariam sempre X sem portagens e X+Y com portagens? Mas como poderíamos adivinhá-lo se nos dizem sempre que o Estado tem de recorrer aos serviços de escritórios privados de advocacia (sempre os mesmos), porque, entre os milhares de juristas dos quadros públicos, não há uma meia dúzia que consiga redigir um contrato em que o Estado não seja sempre comido por parvo?
A troika quer reformas estruturais? Ora, imponha ao Governo que faça uma lei retroactiva ? sim, retroactiva ? que declare a nulidade e renegociação de todos os contratos celebrados pelo Estado com privados em que seja manifesto e reconhecido pelo Tribunal de Contas que só o Estado assumiu riscos, encaixou prejuízos sem correspondência com o negócio e fez figura de anjinho. A Constituição não deixa? Ok, estabeleça-se um imposto extraordinário de 99,9% sobre os lucros excessivos dos contratos de PPP ou outros celebrados com o Estado. Eu conheço vários.
Quer outra reforma, não sei se estrutural ou conjuntural, mas, pelo menos, moral? Obrigue os bancos a aplicarem todo o dinheiro que vão buscar ao BCE a 1% de juros no financiamento da economia e das empresas viáveis e não em autocapitalização, para taparem os buracos dos negócios de favor e de influência que andaram a financiar aos grupos amigos.
Mais uma? Escrevam uma lei que estabeleça que todas as empresas de construção civil, que estão paradas por falta de obras e a despedir às dezenas de milhares, se possam dedicar à recuperação e remodelação do património urbano, público ou privado, pagando 0% de IRC nessas obras. Bruxelas não deixa? Deixa a Holanda ter um IRC que atrai para lá a sede das nossas empresas do PSI-20, mas não nos deixa baixar parte dos impostos às nossas empresas, numa situação de emergência? OK, Bruxelas que mande então fechar as empresas e despedir os trabalhadores. Cumpra-se a lei!
Outra? Proíbam as privatizações feitas segundo o modelo em moda, que consiste em privatizar a parte das empresas que dá lucro e deixar as ?imparidades? a cargo do Estado: quem quiser comprar leva tudo ou não leva nada. E, já agora, que a operação financeira seja obrigatoriamente conduzida pela Caixa Geral de Depósitos (não é para isso que temos um banco público, por enquanto?). O quê, a Caixa não tem vocação ou aptidão para isso? Não me digam! Então, os administradores são pagos como privados, fazem negócios com os grandes grupos privados, até compram acções dos bancos privados e não são capazes de fazer o que os privados fazem? E, quanto à engenharia jurídica, atenta a reiterada falta de vocação e de aptidão dos serviços contratados em outsourcing para defenderem os interesses do cliente Estado, a troika que nos mande uma equipa de juristas para ensinar como se faz.
Tenho muitas mais ideias, algumas tão ingénuas como estas, mas nenhumas tão prejudiciais como aquelas com que nos têm governado. A próxima vez que o careca, o etíope e o alemão cá vierem, estou disponível para tomar um cafezinho com eles no Ritz. Pago eu, porque não tenho dinheiro para os juros que eles cobram se lhes ficar a dever.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

VC SABIA?

O Que é o BCE?
- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E donde veio o dinheiro do BCE?
- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuiram com 30%.
E é muito, esse dinheiro?
- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a Portugal, ou não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas.
- Não, não pode.
Porquê?!
- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.

Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?
- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE.
- Pois.

Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem directamente ao BCE?
- Bom... sim.... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!
Agora não percebi!!..
- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!
- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

Isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem parte do 13º mês.
As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?
- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.
Então, os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1%, para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos que são donos do BCE?
- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.
Então nós somos os donos do dinheiro e não podemos pedir ao nosso próprio banco!...
- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.
Mas, e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?
- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

Mas então eles não estão lá eleitos por nós?
- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois.... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século para cá.
Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E onde o foram buscar?
- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...

Mas meteram os responsáveis na cadeia?
- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E então como é? Comemos e calamos?
- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...