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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

CONTO DE NATAL-autor CARLOS DOMINGOS


CINCO PERGUNTAS AO PAI NATAL





por CARLOS DOMINGOS


Dezembro entrara tempestuoso e gélido. No jardim fronteiro à Escola Primária as árvo-
res bailavam furiosamente ao ritmo desvairado das sirenes do vento.
Era o fim da tarde e era também o fim do período de aulas antes do Natal. Ao toque da campainha, como explosão de pássaros chilreantes, um turbilhão de garotos, entrapados
como podiam contra o frio, espalhou-se pelas imediações do edifício.
– Joãããão!!! – gritou uma voz infantil à saída do portão da Escola. Era o Ricardo, aluno da 2ª classe, mochila às costas, grossas luvas de lã, gorro de pele até às orelhas.
Lá mais adiante, o interpelado, o João, parou e voltou-se. Mãos nos bolsos, cachecol à volta do pescoço, aproximou-se, a passos lentos, do Ricardo.
– O que foi que pediste ao Pai Natal? – quis saber este.
O João não respondeu logo. A professora marcara para essa tarde, como último exercício de português, «Uma carta ao Pai Natal». Já o ano passado tinham também escrito uma carta com pedidos de prendas mas, talvez por escreverem ainda muito mal, poucos pedidos foram atendidos. O João, esse, não tivera sorte nenhuma, ao contrário do Ricardo, que recebe sempre tudo aquilo que deseja.
– Então, o que foi que pediste? – insistiu o Ricardo.
– Pedi-lhe um piano.
– Um piano!! – admirou-se o outro.
– Pois. A minha tia é professora de música. Se eu tivesse um piano, sempre ela me ia dando umas lições...
– Eh pá! O Pai Natal não vai trazer isso. É muito pesado. Porque é que não pediste outra coisa?
– Pedi. Se não puder ser o piano, então que seja um vídeo e uma televisão para o meu quarto. E tu o que é que pediste?
– Muita coisa. Livros, brinquedos, uns esquis para a neve, jogos de computador. E vou ter tudo isso.
– Como é que sabes?
– O Pai Natal dá-me sempre tudo aquilo que eu peço.
Um carro vermelho parou entretanto junto do Ricardo.
– É a minha mãe. Queres boleia?
– Bom...
– Anda. Passamos perto da tua casa.
Já instalados no banco de trás, a mãe do Ricardo perguntou:
– És o João? Como é que vão as coisas lá na Escola?
Foi o Ricardo quem respondeu:
– Ele é o melhor da classe.
– Ah, bom...
Após um silêncio, a mãe do Ricardo lembrou ao filho:
– Ricardo, hás-de convidar o João para ir lá a casa estudar contigo.
Depois, já à despedida, o João:
– Obrigado pela boleia. E feliz Natal.
– Feliz Natal também para ti e para os teus pais.
Em casa do João já começara a azáfama da árvore de Natal. Um pinheiro adquirido no quartel dos bombeiros, espetado na terra de um grande vaso, era progressivamente decorado com fitas brilhantes, luminárias, figuras natalícias, estrelas e, finalmente, as prendas misteriosamente envolvidas em lindos papéis de fantasia.
Etelvina, a mãe do João, era quem se encarregara da Árvore, com a colaboração preciosa e entusiástica do filho.
Fazer as compras de Natal foi a operação mais complicada, especialmente no que toca às prendas. Era preciso manter em segredo o que cada um iria receber.
A elaboração dos embrulhos passou a ser uma actividade secreta de cada membro da família. À medida em que iam ficando prontos, eram logo depositados junto da Árvore. E, quanto mais ia aumentando a quantidade de prendas, mais crescia a ansiedade do João.
No entanto, a sua maior impaciência, embora reprimida, dizia respeito aos presentes que esperava receber do Pai Natal. E esses não seriam colocados na Árvore. Seria o Pai Natal em pessoa que os viria deixar na chaminé na própria noite de Natal. Precisamente à meia-noite.

Nos dias que antecederam o Natal as grandes tarefas desenrolavam-se na cozinha. Sucediam-se as filhós, as rabanadas, as farófias, o arroz doce, o pão-de-ló.
A Etelvina desdobrava-se, Daniel, o pai, auxiliava no que podia e o João, teimando em ajudar, acabava lambuzado de açúcar e polvilhado de farinha..
– Menino, são horas de ir para a cama. Já para a casa de banho! Dani, encarrega-te agora tu dele, enquanto eu acabo isto.

Debaixo do chuveiro, o João ensaboava-se.
– Pai, como é que o Pai Natal vai conseguir descer pela chaminé, se nós não temos chaminé?
– Não temos chaminé?
– Não. Temos um exaustor de fumos, com um tubo muito estreito, que nem um gato lá cabe.
O pai engoliu em seco.
– Sabes, João, o Pai Natal é um mago. Só um mago consegue vir da Lapónia até aqui sem gastar tempo nenhum. E é por não gastar tempo que ele pode estar à meia-noite nas chaminés de todos os meninos. E é também utilizando a magia que ele pode passar por um tubo estreito ou por qualquer orifício ou até mesmo através das paredes...
– Eu pensava que isso era só nas histórias ou nos filmes da televisão. Pai, tu acreditas nisso?
– Olha, filho, há quem não acredite. Mas há também quem acredite. Uma coisa é certa: se acreditamos no Pai Natal, então temos de acreditar que a magia existe...
Foi difícil convencer o João a ir para a cama. Mas o sono acabou por vencer.

Etelvina é empregada na caixa de um estabelecimento de pronto-a-vestir, onde aufere um ordenado relativamente baixo.
Daniel, o marido, trabalha como funcionário administrativo numa empresa francesa fabricante de aparelhagem eléctrica. Uma remuneração razoável tem-lhe permitido garantir à família um nível de vida equilibrado. Aproximam-se, no entanto, tempos difíceis para a empresa, que os franceses pretendem encerrar, transferindo a actividade para outro país. Esta situação traz o Daniel preocupado e deprimido. De vez em quando senta-se e fica silencioso, de olhar absorto, como se o tempo tivesse parado.
Foi assim que a Etelvina, terminada a faina da cozinha, o encontrou na sala, às escuras. Acendeu a luz e, aparentando um ar natural, sentou-se e começou a falar:
– O nosso filho vai ter uma desilusão.
– Uma desilusão porquê?
– Desilusão com a prenda do Pai Natal. Fui à Escola, à reunião de pais, e a professora distribuiu as cartas que os miúdos lhe escreveram. O nosso pedia-lhe um piano, vê lá tu! E, se não pudesse ser o piano, então queria um televisor e um vídeo para o quarto dele.
– Pois. O piano não há espaço para ele, o João compreenderá facilmente. Quanto ao resto, até não seria pedir muito, não fosse a nossa situação actual. Ou melhor, a minha situação...
– Então sempre se confirma que eles vão fechar?
– Confirmar, ainda não se confirma. Mas a situação é crítica. Temos dois meses de salários em atraso. No fim do mês pagaram-nos Setembro. E subsídio de Natal, nada! Já despediram quase metade do pessoal fabril. Agora estão a estudar a racionalização da parte administrativa. Não tarda muito que eu esteja no desemprego.
– Não sejas pessimista. Não havemos de chegar a isso. Deus é grande. Deus não há-de permitir.
– E não há-de permitir porquê? Quantas centenas de empresas foram encerradas nos últimos anos? Quantos milhares de trabalhadores ficaram sem emprego? E Deus permitiu. Mais: quantos milhões de crianças morrem de fome e de doença por esse mundo fora? Mesmo aqui na Europa, milhares de crianças são exploradas, prostituídas ou vítimas de pedofilia. Quantos jovens são dizimados pela droga e pela SIDA? E Deus não permite isso tudo?
– Sim, mas...
– E as guerras? Seres humanos chacinam-se uns aos outros porque é preciso manter o tráfico de armas. E Deus continua a permitir. E o nazismo e os campos de concentração? O holocausto! Deus não permitiu? E a barbárie da Inquisição? Pessoas torturadas e queimadas vivas em nome de Deus! E Deus não permitiu?
– Mas o Papa já veio publicamente pedir perdão...
– Pois é. Se alguém matasse o teu filho e viesse depois pedir perdão, tu perdoavas?
– Credo, que horror!!
– Desculpa, não falemos mais nisso. Mas só quero dizer-te que é muito possível eu ficar sem emprego. A não ser que sejamos nós a não permitir. Nós, os trabalhadores. Unidos. Tomando consciência da nossa força. Força que afinal temos, mas está adormecida. É preciso voltar a pensar em sermos donos da nossa própria vida.
– Não fales tão alto. O menino pode acordar e ouvir-nos.
– Tens razão.
Seguiu-se um silêncio pesado e embaraçoso, pontilhado pelo ruído do relógio da sala,
que o Daniel quebrou finalmente:
– Bem, com algum esforço, para não dizer sacrifício, ainda podemos comprar um televisor pequeno para o quarto do João. O vídeo é que já não pode ser. Terá de ficar para outra oportunidade.
– Que bom! Assim o Pai Natal já não ficará mal visto. – alegrou-se a Etelvina.

A véspera do dia de Natal foi dominada pelos preparativos da ceia. O João punha e tirava discos com músicas alusivas à quadra. E a noite chegou, entretanto.
O João apreciou todas as iguarias, embora torcesse um pouco o nariz ao tradicional bacalhau. Já o peru repetiu com satisfação, embora aos doces é que ele se atirou com avidez.
Passava das onze da noite quando os pais resolveram fazer uma saúde com vinho do Porto. E um brinde especial à esperança no futuro. O João brindou com sumo de ananás.
– Pronto. – disse a mãe – Já é tarde, vamos deitar, amanhã de manhã abrimos as prendas.
– Não! – gritou o João – Eu espero pela meia-noite. Eu quero ver o Pai Natal!
E o pai, com paciência:
– Sabes, o Pai Natal não gosta de ser visto quando anda a trabalhar.
– Não importa. Eu tenho cinco perguntinhas para lhe fazer.
– E podes fazê-las. Levantas-te e fazes as perguntas em voz alta. O Pai Natal ouve, mesmo sem estar presente.
– Ouve, mas não responde.
– Dá-te a resposta depois. Talvez por escrito. E que perguntas são essas?
O João, muito sério, pôs-se de pé. Tirou do bolso das calças um papelucho amachucado, onde tinha gatafunhado umas palavras.
– Primeira pergunta: é verdade que o Pai Natal tem magia? Segunda pergunta: o Pai Natal lê as cartas de todos os meninos ou só lê algumas, à sorte? Terceira pergunta: Porque é que o Pai Natal nunca me dá nada do que lhe peço e dá tudo ao Ricardo, que é mau estudante, falta muito à escola e bate nos outros meninos? Quarta pergunta: porque é que o Pai Natal não gosta de mim? Última pergunta: porque é que o Pai Natal só gosta dos meninos ricos?
Daniel e Etelvina entreolharam-se. Com aquela eles não contavam.
O João sentara-se, com os cotovelos sobre a mesa e as mãos cerradas segurando a cabeça.
Daniel levantou-se e dirigiu-se à cozinha.
– Tenho de ir beber um copo de água.
Quando vinha de regresso, ouviu-se um ruído lá dentro, qualquer coisa a cair, enquanto o relógio da sala começava a contar as doze badaladas.
O João deu um salto na cadeira e saiu disparado para a cozinha.
– O Pai Natal!
O pai e a mãe seguiram-no, sorridentes.
– Azar, não cheguei a tempo! – exclamou o João, excitado – Já se foi. Mas deixou cá uma coisa. Uma caixa!
– Vamos ver o que é – lembrou a mãe.
Desfizeram a caixa freneticamente. Lá dentro, pasme-se!
– Um televisor! O Pai Natal trouxe-me um televisor! – fez o João, radiante.
Continuou, porém, a vasculhar com fúria no fundo da caixa.
– E o vídeo? Onde está o vídeo? Falta o vídeo! O raio do velho não me trouxe o vídeo! Chiça!
Tiveram muito trabalho para o acalmar. Acabaram por transportar o pequeno televisor para o seu quarto.
– Pronto. – disse o pai – O vídeo virá depois. Havemos nós de comprá-lo. Quando puder ser. Agora já tens o teu televisor. Ligamo-lo amanhã, que hoje já é muito tarde.
– Está bem – concordou o João, sonolento – E também desembrulhamos as prendas da Árvore.

Foi o pai quem o meteu na cama. Abraçou-o e ficou algum tempo a acariciá-lo.
– Pai!
– Diz lá, filho.
– Pai, tu acreditas em Deus?
Daniel embatocou como se lhe tivessem dado um murro. Depois resolveu responder com verdade.
– Meu filho, a tua mãe acredita, mas eu... Confesso que não acredito lá muito...
– Fazes bem, pai.
– Filho!! Porque é que dizes isso?
O João esboçou um sorriso, meigo e conivente. E murmurou:
– Eu também já não acredito no Pai Natal.
Daniel não teve mais palavras. Apagou a luz para esconder uma lágrima que lhe aflorava.
– Até amanhã, filho, e feliz Natal.
– Feliz Natal, papá.

NUNCA DUVIDE

Nunca duvide que jogador, treinador e comentador de futebol é pessoa culta.
João Pinto, ex-jogador do Porto
- "Comigo, ou 'sem-migo', o Porto vai ser campeão!"
- "Sim, estamos felizes porque estamos contentes."
- "Não foi nada de especial, chutei com o pé que estava mais a mão!"
- "O meu coração só tem uma côr: azul e branco."
- "O meu clube estava a' beira do precipício, mas tomou a decisão correcta: Deu um passo em frente..."




Jardel, ex-jogador do Porto e Sporting
- "Nestes jogos, sobe-me a NAFTALINA!..."
- " Clássico é clássico, e VICE-VERSA..."
- "O difícil, como vocês sabem, não é fácil"



Jaime Pacheco, ex-treinador do Boavista
- "...vamos jogar ao ataque, fechadinhos lá atrás..."
- "Jogar à defesa pode ser uma faca de dois legumes."
- "Querem fazer do Boavista um BODE RESPIRATÓRIO."



Jorge Jesus, ex-treinador do Belenenses e actual treinador do Benfica

- "O processo de NEUTRALIZAÇÃO do jogador pertence ao FORNO interno do clube."



Roger ex-jogador do Benfica
- "Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."



Rui Barros, ex-jogador do Porto

- "...Vou dar o meu melhor de mim."



Ricardo, ex-jogador do Boavista e do Sporting

- "Quando se leva um pontapé nas canelas ...dói mas não aleija."





Nuno Gomes, Benfica
- "Nós somos humanos como as pessoas"




Derlei, ex-jogador do Porto e Sporting
- "Eu DISCONCORDO com o que você disse."





José Peseiro, ex-treinador do Sporting
- "Não quero estar aqui a numerar nomes."





Barroso ex-jogador do Sporting de Braga
- "Não deu para fazer mais, estou de caganeira!"





Djair, ex-jogador do Belenenses, quando chegou ao Restelo
- "Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu"





Gabriel Alves, RTP
- "Juskowiak a vantagem de ter duas pernas!"
- "É um estádio bonito, moderno, arejado..."
- "A selecção não jogou nem bem nem mal, antes pelo contrario..."
- "Reparem como os jogadores do Bayern movimentam-se descrevendo figuras geométricas....O futebol é uma arte plástica..."
- "Existem muitos jogadores alemães a jogarem no campeonato germânico."
- "Kenneth Anderson, 1 metro e 93 de golo..."
- "Joao Pinto vai centrar para o meio da confusão... mas não está lá ninguém!"
- "Remate rasteiro a meia altura por cima da barra!"
- "E o jogador foi atingido por um objecto lançado provavelmente por algum telespectador."
- "...neste estádio OUVE-SE UM SILÊNCIO ENSURDECEDOR..."
- "Fica na retina um cheiro de bom Futebol."
- "Giggs, um jogador que remata bem do meio-campo para a frente."
- "E aí está uma enorme cavalgada de Thuram... este homem é um leão."




Nuno Luz, SIC

- "Inácio fechou os olhos e olhou para o céu."

José Marinho, SporTV

- "Henry não é um homem... é uma manada!"

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A CONFIRMAR

Parece afinal que no Ministério da Educação só mudaram as moscas...
Querem pôr roupa velha em novos manequins...
Aguardemos...

SÓCRATES E CAVACO... comentário de Luís Fazenda




Sócrates-kamikaze, precipitando legislativas, entregaria o governo de bandeja... punido pelos mesmos sectores que ambicionam a estabilidade a qualquer custo.
Artigo de Luís Fazenda
1. Tem sido apontado o artificialismo das querelas entre Cavaco Silva e José Sócrates. Deve compreender-se que no vaivém dos vetos presidenciais, em matéria de direitos civis, autonomias regionais, assuntos militares e de segurança, confrontam-se protecções eleitorais do presidente e do primeiro-ministro. Ambos são candidatos a eleições, em continuidade e disponibilidade exclusiva. Falam para eleitorados potenciais. Na história da democracia portuguesa pós-Abril, nem a cena é inédita, basta recordar os mandatos presidenciais, nem prenuncia qualquer conflito institucional. A imprensa ávida de tomar a sub-frase e a picardia como "disputa de poder", pode comparar a "elegância" das relações entre presidentes e primeiros-ministros, só idos, Eanes e Soares, Soares e Cavaco Silva. A luta política não é mesmo um redondo vocábulo.

Ao que conta, Cavaco Silva e Sócrates convergem nas regras das finanças públicas, na legislação económica e social, na política interna europeia e na política externa pró-NATO, ou seja, no essencial da governação.

As guerrinhas das "escutas" e das propaladas "intrigas", são efeitos pacóvios de políticos medíocres. A "má moeda" anda por muito lado nestes dias...

Simplesmente, a cooperação estratégica prevista por Cavaco Silva não é uma coabitação. Chega-lhes um ponto de encontro.

2. Chama-se a atenção para o óbvio. Cavaco Silva tem eleições próximas, a um ano. Ganhou o seu primeiro mandato à tangente. Quer confederar a direita e somar votos ao centro. Os seus (dele) apelos ao compromisso podem cheirar a união nacional mas é ao bloco central que acende a vela. Com Papa por cá. Mas pergunta-se: e Sócrates não quer (ele) eleições antecipadas na primeira oportunidade que os prazos constitucionais lhe permitam? Por que o faria? Cavaco-candidato não lhe dá esse pretexto em nome da estabilidade e do expectável apoio de "classes médias". Sócrates-kamikaze, precipitando legislativas, entregaria o governo de bandeja... punido pelos mesmos sectores que ambicionam a estabilidade a qualquer custo. Fora das especulações jornalísticas sobra apenas um pouco surpreendente empate. Isto é: a evolução na continuidade.

3. Como vamos de bloco central? O PSD conspira com o Governo para esvaziar a luta dos professores, aprovam no Parlamento o processo de apaziguamento PSD/PS. O PSD viabilizou o segundo orçamento rectificativo de 2009, até com cheque à Madeira. O PSD já deixou cair bandeiras eleitorais como o alargamento do subsídio de desemprego, o fim da co-incineração, ou quaisquer outras que possam assemelhar-se às horríficas "coligações negativas", que o PS pinta com as cores do apocalipse. Mesmo na lei de finanças regionais, um míssil do PSD/Madeira, tenta o estado-maior laranja um acordo de governo. Ficará o código contributivo da segurança social suspenso por um ano - o que são trocos para o orçamento. E neste piscar de olhos aos nano-micros empresários, de meias com o CDS, nem sequer é certo o destino do "pagamento especial por conta" do IRC.

A líder do PSD, uma espécie de holograma político, tem estendido a mão. Já sublinhou, imagine-se!, que não a norteia o combate ao défice orçamental mas a redução do endividamento. A prioridade que (ela) preconiza de apoio ao sector exportador e, em geral, pela produção de bens transaccionáveis, choca-se com a canalização de crédito disponível para grandes obras públicas. Esta divergência, a substância do confronto eleitoral das últimas legislativas, reproduz ao nível político uma fractura existente na classe capitalista. A crise financeira internacional apertou em muito o acesso ao crédito. O governo salva a banca, e o crédito às construtoras e indirectos, grosso modo, e a torneira fecha-se a outras indústrias e serviços conexos. Este é o miolo do negócio entre partes, ou talvez não, se o pragmatismo do PSD se limitar a dar pavio ao PS, na expectativa de que queime alguma coisa para factura eleitoral.

O PSD, acossado por igual pretensão do CDS, quer negociar a viabilização do OE para 2010.

4. Tal como o PSD, o CDS quer averbar pontos no seu cartão. Tantos mais pontos quanto a estabilidade possa "parecer" obra das suas iniciativas. O Graal na direita é a busca pela recomposição partidária e por um programa fortemente conservador, uma demanda algures entre Sarkozy e Berlusconi. O CDS quer ser parceiro e não apenas sócio. A negociação do "caderno de encargos" do CDS junto de Sócrates dá-lhe tempo e espaço para exalar oxigénio quando a nuvem carbónica envolve o PSD.

Sócrates vai à boleia da direita. Assim é a proximidade de interesses, por muito que o mau génio das personalidades o tente apagar.

5. O que é grave é a dramatização de falsos cenários, a tragicomédia de hipotéticas eleições antecipadas em 2010, para ocultar na atenção da opinião pública o desemprego galopante, a santa aliança do código de trabalho contra os direitos laborais, o colapso dos impostos por fuga para off-shores, os negócios contra o Estado nas parcerias público-privadas, a permissividade com a corrupção onde qualquer sucata tem a alquimia do ouro.

O que é grave é que há milhares de milhões de euros para acudir ao capital, sob diversas formas, e o PS impede o alargamento do subsídio de desemprego, supostamente porque custaria 600 milhões ao erário, contas não confirmadas, para 300 mil vítimas da crise e respectivas famílias!

O que é grave é a continuidade das políticas liberais do Governo PS, sob o beneplácito da direita. A crise social agudiza-se, o fracasso está estampado no rosto e nos nervos do executivo. A fuga para a frente é o choque social - essa é a cafeína do ministro das finanças.

6. Ingénuos ou crentes, ou gente de má fé, há quem acuse a esquerda de não negociar com o Governo do PS. Retenho que algumas pessoas podem querer lavar a consciência do Governo, ou estipular um jogo táctico, nota-se por exemplo nos textos de Soares. É curioso, mesmo assim, que não tenham tocado campainhas quando Sócrates propôs coligação governativa, ou acordo parlamentar, a qualquer um e a todos. A direita percebeu o sinal. É curioso também que todos esses críticos nem sequer esboçaram uma exclamação quando o Executivo de Sócrates se recusou a discutir com o Bloco de Esquerda políticas concretas, leis concretas, medidas mais que concretas. A direita percebeu o sinal.

A verdade é que Sócrates quer clivar com os partidos à esquerda. Necessidade política é certo. Mas sobretudo por cálculo eleitoral, a bipolarização como chantagem pode ser o confisco dos votos à sua esquerda, pensa-se no Largo do Rato. A luta social e o desastre governativo vão porém ditar a onda contrária, a de castigo ao primeiro-ministro anti-esquerdas. O desemprego vai falar. São 700 mil pessoas.

7. Tem um toque de soberba, pouco sofisticado concede-se, quando o primeiro-ministro acusa o Bloco de Esquerda de "só" querer atacar o Partido Socialista. Na verdade o programa de governo (do qual deriva governabilidade, repare-se...) que o B.E. sufragou apresenta políticas de igualdade, medidas sociais, elementos de democracia na Europa, propostas de distensão e paz internacionais, que são incompatíveis com o programa do PS e de toda a direita, afinal com o arco do poder vigente, a ordem política subjugada ao mercado. As "sociais-democracias", as "terceiras-vias", tudo isso já lá vai. O liberalismo é mais ou menos extremado, às vezes os protagonistas confundem-se, basta olhar a cartografia europeia.

No auge da crise do capitalismo (2007-2009) tinha a sua graça assistir ao talante do PS reclamar do neo-liberalismo e das suas desgraças. Mais ou menos imitando os banqueiros que zurziam nos supervisores dos bancos centrais, tudo gente de parentela à puridade. Qualquer ilusão em que este PS é reformável esbarra com uma imparidade pior do que a que resultou dos activos tóxicos na (in)solvência dos bancos. Veja-se: é longa a lista de dirigentes do PS que nos últimos 20 anos participou activamente no modelo privatizador, a todos os níveis, de pequenas a grandes empresas, aos serviços públicos. Do Estado, da Região dos Açores, dos municípios.

A osmose empresarial do PS, em sentido político assim o friso, e para o caso chega, dita a sua política. Os negociantes do Estado não são os reformadores do Estado, para que pilote o mercado e combata a desigualdade.

8. No próximo debate orçamental 2010 o Bloco de Esquerda não se demitirá de levar a votos as reivindicações sociais de urgência e os meios fiscais correspondentes. Não nos intimida a pressão. Não cedemos aos ataques políticos e pessoais, dos mais mesquinhos, em que tem sido pródigo o partido governista. Contudo, convém aclarar um ponto: a teoria de que a Assembleia da República não pode alterar a proposta de orçamento do Governo, ou entre orçamentos não pode votar incidências nos orçamentos futuros, é completamente inconstitucional. É o Governo que depende do Parlamento e não o inverso. Mesmo com maioria absoluta, de um ou mais partidos apoiantes do Governo, a responsabilidade orçamental é sempre da Assembleia. Ainda mais, assim será quando estamos em presença de um Governo minoritário que quer torcer o veredicto popular. O Povo não confiou a maioria ao PS, ponto final. Chantagear o Parlamento, sob qualquer pretexto, não é um mero truque político, mas um golpe no regime democrático.

Luís Fazenda

27/12/09

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ESTA NÃO É PARA RIR

Para que não penseis que só mando tralha em desfavor dos craques do aparelho governativo.Gostava mesmo era de vê-los todos,os aproveitadores,oportunistas e vigaristas,claro, no mesmo presídio,em regime de trabalhos forçados.Não torço por nenhuma "cor".

CASO BPN: ESCÂNDALO E IMPUNIDADE
A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal !!!
O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.
Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETE­CENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS.....) poderíamos:
Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).
Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.
Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.
Construir 5 pontes para travessia do Tejo.
Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.
Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4850 carrinhas de transporte de valores!
Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.
Distribuído pelos 10 milhões de portugueses,
caberia a cada um cerca de 971 € !!!
E que tamanho deveria ter a prisão para albergar esta gen­te?!

EM ÉPOCA DE FIM DE ANO FAZ BEM RIR...VERÍDICA

A descrição do caso relatado abaixo, aliás de consequências muito sérias, quase me fez chorar. Não se pense que de tristeza, pois infelizmente foi por não parar de rir ao imaginar a cena.

Trata-se de um acidente ocorrido aqui na zona de Cascais e esta foi a explicação complementar dada pelo acidentado - um operário português - à Companhia de Seguros que não entendera lá muito bem a participação inicial.
À Companhia Real Seguros, Sub Sede de Cascais

Exmos. Srs.

Em resposta ao pedido de informações adicionais, tenho a explicar o que se segue:

No quesito 3 da minha participação a V.Exas. do acidente que sofri, mencionei "Tentando fazer o trabalho sozinho", como causa do acidente. Disseram na vossa carta que deveria dar uma explicação mais pormenorizada, pelo que espero que os detalhes abaixo sejam suficientes.

Sou assentador de tijolos. No dia do acidente, eu estava a trabalhar sozinho no telhado de um edifício novo, de 6 andares.
Quando acabei o trabalho, verifiquei que tinham sobrado 350 quilos de tijolos.
Em vez de os levar á mão para baixo, decidi colocá-los dentro de um barril, com a ajuda de uma roldana, a qual felizmente estava fixada num dos lados do edifício, no 6º andar. Desci e atei o barril com uma corda, fui para o telhado, puxei o barril para cima. Coloquei os tijolos dentro.Voltei para baixo, desatei a corda e segurei-a com força, de modo que os 350 quilos descessem devagar.
(De notar que no quesito 11 indiquei que pesava 80 quilos).
Devido á surpresa de ter saltado repentinamente do chão, perdi a minha presença de espírito, e esqueci-me de largar a corda. Desnecessário será dizer que fui içado do chão a grande velocidade.
Nas proximidades do 3º andar bati no barril que vinha a descer. Isto explica a clavícula partida e a fratura do crânio.
Continuei a subir a uma velocidade ligeiramente menor, não tendo parado até os nó dos dedos das mãos, estarem entalados na roldana. Felizmente que já tinha recuperado a presença de espírito e consegui, apesar das dores, agarrar novamente a corda.
Mais ou menos ao mesmo tempo, o barril com os tijolos caíu no chão e o fundo partiu-se. Sem os tijolos o barril pesava 25 quilos (refiro-me novamente ao meu peso indicado no quesito 11). Como podem imaginar, comecei a descer ràpidamente.
Próximo do 3º andar, bato no barril que vinha a subir. Isto justifica a natureza dos tornozelos partidos, das lacerações nas pernas, bem como na parte inferior do corpo.
O encontro com o barril diminuíu a velocidade da minha descida, o suficiente para minimizar os meus sofrimentos quando caí em cima dos tijolos, e assim, felizmente, só fraturei 3 vertebras.
Lamento no entanto informar que enquanto me encontrava caído em cima dos tijolos, com dores, incapacitado de me levantar e vendo o barril por cima de mim, perdi novamente a presença de espírito e larguei a corda. O barril pesava mais do que a corda e então desceu em cima de mim, partindo-me as 2 pernas.

Espero ter dado a informação solicitada do modo como ocorreu o acidente e ainda explicando que não posso assinar esta, pois ainda me encontro com os dedos engessados. "
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Há mesmo dias em que não se pode sair à rua.
Responder Encaminhar

O CASO "CASA PIA" .PARA REVER

UM VÍDEO QUE FAZ PENSAR

domingo, 27 de dezembro de 2009

Um vídeo bem antigo..para recordar

video

PABLO NERUDA-POEMA

Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»
Pablo Neruda

sábado, 26 de dezembro de 2009

CARTA A UM BANCO

(Esta carta foi direccionada ao banco BES, porém devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser direccionada a todas as instituições financeiras.)
Exmos. Senhores Administradores do BES
Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal?
Pois, ontem saí do BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma 'taxa de acesso ao pão', outra 'taxa por guardar pão quente' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.
Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de crédito'-equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pão', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar
Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de conta'.
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura de padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como 'Papagaios'. Para gerir o 'papagaio', alguns gerentes sem escrúpulos cobravam 'por fora', o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de 'por fora' temos muitos 'por dentro'.
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR 'para manutenção da conta' - semelhante àquela 'taxa de existência da padaria na esquina da rua'.
A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quente'.
Mas os senhores são insaciáveis.
A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. Banco.
Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.
Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vais acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.
Corroboro totalmente com o queixoso e neste campo o bes é useiro e beseiro. Tenho razões para estar de acordo total com esse amigo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

COPIADO DO BLOGUE "FLISCORNO"

MesmSegundo o diário mais correcto (na perspectiva de Sócrates), «novos Magalhães só depois da Páscoa». Claro que se se tivesse optado por equipar as escolas em vez de dar prendas aos papás eleitores, este problema não se colocava agora ao ministério nem aos meus bolsos. Mas se é para a Páscoa, a avaliar pela ânsia socialista por novas eleições (!), parece-me que o ministério não terá muito com que se preocupar. Tudo há-de ficar em águas de bacalhau.o no Natal há que reflectir...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

COMUNICADO DO "PROMOVA"

com uma espera indefinida pelo novo modelo de avaliação e pela nova estrutura da carreira docente, decidimos suspender, a partir de hoje, a suspensão a que nos havíamos remetido.
Este período de suspensão da actividade do PROmova, funcionando também como uma forma de pressão (irónica, mas incisiva) sobre o PSD e os intervenientes nas negociações entre ME e sindicatos, foi propositadamente coincidente com o Projecto de Resolução proposto pelo PSD e viabilizado pelo Parlamento, o qual deu ao governo 30 dias para a consumação de um novo modelo de avaliação, para a revogação da divisão na carreira e consequente revisão do ECD.
Como era expectável, o Pai Natal, na sua versão PSD, não só não chegou, nem no momento parlamentar adequado, nem findo o prazo que ele próprio estabeleceu para que outros resolvessem os problemas por ele, como é, hoje, previsível que as “prendas” que repetida e publicamente prometeu aos professores não venham a ser entregues por ninguém nos tempos mais próximos.
Mas, o mais grave na estratégia da bancada parlamentar do PSD é a ausência de reacção ao esgotamento do prazo dado ao governo para apresentar um novo modelo de avaliação, a qual acresce à falta de seriedade com que deixou cair o seu compromisso de suspensão do modelo e do processo de avaliação.
Face ao incumprimento, por parte do governo, do Projecto de Resolução aprovado pela Assembleia da República, o PSD tem o dever e a responsabilidade de reagir publicamente e de assumir uma iniciativa parlamentar de convergência com os outros partidos da oposição, ouvindo os representantes dos professores, de forma a aprovarem legislação consensual que suporte um novo modelo de avaliação, uma nova estrutura unitária da carreira e o fim do sistema de quotas, sobretudo, quando, ainda nesta segunda-feira, constatou que a ministra da Educação não abdica deste sistema de contingentação administrativa, mecanismo crucial que inviabiliza a aceitação de qualquer modelo de avaliação montado em contingentações administrativas.
Assim sendo, o PROmova vai centrar a sua actividade imediata na intensificação da seguinte agenda:
1) exigir a anulação de toda e qualquer penalização e vantagem decorrente do 1º ciclo de avaliação, mostrando o caos, a arbitrariedade e o mal-estar que, neste momento, está instalado em inúmeras escolas/agrupamentos;
2) pressionar os partidos da oposição para assumirem, no Parlamento, a substituição do modelo de avaliação e a reestruturação da carreira – única e sem quotas, dado o arrastamento e o impasse em que se encontram as negociações entre ME e sindicatos.
Aproveitamos a oportunidade da comunicação do regresso do PROmova, para desejarmos a todos os professores e seus familiares um Natal Feliz e um Bom Ano Novo.
Aquele abraço,

PROmova
PROFESSORES – Movimento de Valorização

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CAVAQUICES

CAVACO SILVA E SÓCRATES ANDAM DE CANDEIAS ÁS AVESSAS...DIZEM.
MAS CAVACO..AGORA RESOKLVEU PROVAR QUE NÃO.
A OPOSIÇÃO TODA EM BLOCO ACABARA COM UMA DAS PIORES MEDIDAS DO GOVERNO SÓCRATES...AS TAXAS MODERADORAS QUE ATACAM FORTEMENTE AQUELES ( E SÃO A MAIORIA) QUE TÊM DE RECORRER AOS HOSPITAIS PÚBLICOS ( NÃO POR GOSTO MAS POR NECESSIDADE.).

POIS O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA QUE AFIRMA PREOCUPAR- SE ESSENCIALMENTE COM A SITUAÇÃO ECONÓMICA DOS PORTUGUESES RESOLVEU AGRADAR AO PRIMEIRO MINISTRO...E VAI DAÍ VETOU O DIPLOMA QUE A OPOSIÇÃO APROVARA.
AFINAL QUEM SE IMPORTA COM AS DIFICULDADES DOS PORTUGUESES?
HÁ UM DITADO QUE DIZ...
" o dibo que leve a escolha"...
e OUTRO
" E quem se .... é o mexilhão"

NORUEGA

'Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e
> acaba cedo (às 15.30). As mães e os pais noruegueses têm uma parte
> significativa dos seus dias para serem pais, para proporcionar aos
> filhos algo mais do que um serão de televisão ou videojogos. Têm um
> ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos
> por gravidez.'
>
>
> 'A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o
> maior nível salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos
> sensíveis ao argumento, o mais igualitário. Todos descontam um IRS
> limpo e transparente que não é depois desbaratado em rotundas e
> estatuária kitsh, nem em auto-estradas (só têm 200 quilómetros dessas
> «alavancas de progresso»), nem em Expos e Euros.'
>
> 'É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na
> Noruega, a fuga ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o
> cruzamento de dados «devassa» as contas bancárias, as apólices de
> seguros, as propriedades móveis e imóveis e as «ofertas» de património
> a familiares que, em Portugal, país de gentes inventivas, garantem
> anonimato aos crimes e «confundem» os poucos olhos que se dedicam ao
> combate à fraude económica.'
>
> 'Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os
> empresários portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para
> nos ensinar. E, já agora, os políticos.
> Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele país,
> afiança que os ministros não se medem pelas gravatas, nem pela alta
> cilindrada das suas frotas. Pelo contrário, andam de metro, e não se
> ofendem quando os tratam por tu. Aqui, cada ministério faz uso de
> dezenas de carros topo de gama, com vidros fumados para não dar lastro
> às ideias de transparência dos cidadãos. Os ministros portugueses
> fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o ambiente, dão
> maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para assuntos
> verdadeiramente importantes.'
>
> 'Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do
> país» com despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da
> gestão das contas públicas um exercício de ética e responsabilidade.
> Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba,
> não foi preciso desbaratarem milhões de contos para que o nome da
> capital norueguesa corresse mundo por uma boa causa.'
>
> 'Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos
> seus congéneres lusos em competições internacionais, nunca precisaram
> de pagar aos seus jogadores 400 salários mínimos por mês para que
> estes joguem à bola.
> Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses
> que ali montaram negócios florescentes. Um deles, isolado numa ilha
> acima do círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à
> «social-democracia nórdica».. Ao tempo para viver e à segurança
> social.'
> 'Ali, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos
> precisamos de apontar binóculos para o céu. Não andam de jipe e óculos
> escuros. Não clamam por messias nem por prebendas. Não se queixam do
> «excessivo peso do Estado», para depois exigirem isenções e
> subsídios.'
>
> É tempo de aprendermos que os bárbaros somos nós.
> Seria meio caminho andado para nos civilizarmos.
>
>
>
>

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PLANO MALUCO

PLANO PARA SALVAR PORTUGAL DA CRISE_
Passo 1:
Trocamos a Madeira e os Açores pela Galiza, mas os espanhóis têm que levar o Sócrates.
Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário). A indústria têxtil portuguesa é revitalizada.
A Espanha fica encurralada entre os Bascos e o Sócrates.
Passo 3:
Desesperados, os espanhóis tentam devolver o Sócrates.
A malta não aceita.
Passo 4:
Oferecem também o Pais Basco.
A malta mantém-se firme e não aceita.
Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência.
Cada vez mais desesperados, os espanhóis devolvem-nos a Madeira e os Açores e dão-nos ainda o Pais Basco e a Catalunha.
A contrapartida é termos que ficar com o Sócrates.
A malta arma-se em difícil mas aceita.
Passo 6:
Damos a independência ao País Basco.
A contrapartida é eles ficarem com o Sócrates.
A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar.
Sem o Sócrates Portugal torna-se um paraíso e a Catalunha não causa problemas.
Passo 7:
Afinal a Eta não aguenta o Sócrates, e o País Basco pede para se tornar território português.
A malta faz-se difícil mas aceita (apesar de estar lá o Sócrates).
Passo 8:
Fazemos um acordo com o Brasil.
Eles enviam-nos o lixo e nós mandamos-lhes o Sócrates.
Passo 9:
O Brasil pede para voltar a ser colónia portuguesa.
A malta aceita e manda o Sócrates para os Farilhões das Berlengas apesar das gaivotas perderem as penas e as andorinhas do mar deixarem de pôr ovos.
Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses, Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!
Passo 11:
Os espanhóis ficam tão desmoralizados, que nem oferecem resistência quando os mandamos para Marrocos.
Passo 12:
Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira portuguesa.
Passo 13:
A dimensão extraordinária adquirida que une a Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico.
Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos, que são sujeitos a uma sobretaxa tão elevada que nem o preço do petróleo os salva.
Passo 14:
Economicamente asfixiados eles tentam aterrorizar-nos com o Bin Laden, mas a malta ameaça enviar-lhes o Sócrates e eles rendem-se incondicionalmente.
Está ultrapassada a crise!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

FÁBULA

REFLEXÕES DE MIA COUTO

Mia Couto - Poeta Moçambicano
POBRES DOS NOSSOS RICOS

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.


Mas ricos sem riqueza.


Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.


Rico é quem possui meios de produção.


Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.


Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.


Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".


Aquilo que têm, não detêm.


Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.


É produto de roubo e de negociatas.


Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.


Vivem na obsessão de poderem ser roubados.


Necessitavam de forças policiais à altura.


Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.



Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.



Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)



MIA COUTO

NATAL

O QUE PENSO DO NATAL

NATAL

Já é lugar comum dizer-se que o Natal é a festa do consumo e que muito mais que celebrar valores cristãos há a obsessão das compras..muitas delas inúteis..e das ofertas..muitas também em que as pessoas que as recebem não as apreciam e nalguns casos até as tornam a oferecer a outros..numa espiral sem fim.
Mas ..embora haja pessoas que até se endividam para essas ofertas quase inúteis..o certo é que quem as faz em princípio tem dinheiro para isso e o problema é seu.
O que mais nos deve preocupar são as pessoas que, simplesmente não podem fazer seja que compra for, por não disporem dum mínimo de dinheiro para tal.
Aqui há uns anos dizia-se que vinha aí o mundo da abundância..as novas tecnologias viriam permitir a redução dos horários de trabalho a par do pleno emprego.
Infelizmente sucedeu exactamente o contrário… a geração dos nossos filhos e netos parece ser a primeira geração desde há séculos em que os filhos vão viver pior que os pais.
O desemprego aumenta dia a dia… a precariedade e total fala de garantias para quem ainda tem trabalho sobe de modo exponencial.
As desigualdades entre ricos e pobres são cada vez maiores. Enquanto, conforme foi divulgado na net, personalidades como o senhor Abramovich( patrão do Chelsea) gastam dezenas de milhar de euros num almoço, outros procuram comida nos caixotes de lixo.
Lá por África milhões morrem à fome… as chamadas novas economias emergentes crescem á custa de trabalho infantil e horários de trabalho dignos dos escravos da Antiguidade
Falando de Portugal por exemplo , enquanto os grandes bancos acumulam milhões de euros ( e até queriam que passássemos a pagar as operações no multibanco)milhões de pessoas tentam sobreviver com o ordenado mínimo, ou reformas que nem mínimas são.
Enquanto o governador do Banco de Portugal diz que é preciso travar os salários as suspeitas de corrupção de grandes figuras ligadas ao empresariado de nome e á alta politica são acusadas..mas nunca ninguém é condenado… nem um só para amostra.
Não somos defensores de igualitarismos demasiados..defendemos que o mérito deve ser recompensado… mas vejamos por exemplo no futebol. Ainda há dias jogaram Sporting e Costa de Caparica..os jogadores do Costa, conforme foi publicamente dito ganham 350 euros mensais..trabalham e estudam. No Sporting qualquer jogador auferirá no mínimo 100 vezes mais.
E quantos clubes com salários em atraso , cujos jogadores se limitam a sonhar com os poucos que militam nos chamados “grandes”.?
Mas se isto é no futebol, o mesmo se passa em muitas outras profissões, de advogados a médicos, de jovens com formação universitária que graças a um bom “padrinho” auferem bons ordenados em empresas prestigiadas a outros que com igual ou superior competência o mais que conseguem é um lugar de “caixa “ num supermercado.
Dum ensino que foi deixado em “cacos” por um ministério incompetente que só se preocupou em arrasar os professores a uma saúde onde a preocupação foi beneficiar os grandes grupos privados, tudo isto são sinais duma crise que nunca deveria ter existido se os diversos governos se preocupassem mais com o povo em menos consigo mesmos.
Neste Natal o mínimo que devemos fazer é reflectir…sobre o porquê de muita coisa que nos acontece,..da politica à economia ..ou à ecologia.
E..dessa reflexão pensarmos em como será ou não possível tentar construir um Mundo um pouco mais justo..onde as desigualdades sociais não sejam tão gritantes.

domingo, 20 de dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

CARTA AO B.E.S.

Carta de um cliente ao BES





Grande mail e muito importante, este sim deveria ser enviado em cadeia ao BES pois se todos os bancos cobram tudo e mais alguma coisa o BES é CAMPIÃO, muitas vezes so nos apercebemos do que cobram nos extractos de conta pois nem na publicidade que fazem nem ao balcão dão essa informação a não ser que o cliente expressamente a solocite.


(Esta carta foi direccionada ao banco BES, porém devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser direccionada a todas as instituições financeiras.)
Exmos. Senhores Administradores do BES

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal?
Pois, ontem saí do BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma 'taxa de acesso ao pão', outra 'taxa por guardar pão quente' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.
Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de crédito'-equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pão', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar
Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de conta'.
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura de padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como 'Papagaios'. Para gerir o 'papagaio', alguns gerentes sem escrúpulos cobravam 'por fora', o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de 'por fora' temos muitos 'por dentro'.
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR 'para manutenção da conta' - semelhante àquela 'taxa de existência da padaria na esquina da rua'.
A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quente'.
Mas os senhores são insaciáveis.
A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. Banco.
Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.
Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vais acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.

VACINAS

Será que há uma vacina para a LOUCURA.?
Então não é que estes "iluminados"" encomendaram( pagando muitos milhões de euros) CINCO MILHÕES de vacinas para a gripe A , a mais do que aquelas que se vão gastar?
Nem sequer tiveram os cuidados que alemães e espanhóis acautelaram de garantir a devolução das que não se gastassem.
E..já agora..vejam como estas multinacionais farmacêuticas trabalham.
Fizeram constar que cada pessoa que fosse vacinada teria de levar duas injecções.
O "esperto" do nosso Ministério da Saúde toca a encomendar à tripa forra( pudera ..quem paga somos nós)...
Depois ...os "tipos" que fazem a vacina e já com o dinheiro na mão...toca a dizer" afinal basta uma dose".
Resultado...três milhões de vacinas a mais...
Pois..mas não são três milhões..são cinco...
Pois..os outros dois milhões..foi que os ditos senhores do Ministéri alinharam num clima de pânico e pensaram que todo o portuguesinho ia a correr vacinar-se...
Afinal parece que o"zé povinho" tem mais medo da vacina que da gripe...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

É FARTAR VILANAGEM...

Grandes figurões...e grupo de "Otários" silenciosos - IMPORTANTE DIVULGAR
NÃO HÁ PALAVRAS...!!!!


Numa pequena notícia do Expresso,foi noticiado que prescreveu uma dívida de 700.000,00 Euros , de IRS de António Carrapatoso, figura de proa da Telecel/Vodafone.
Porque razão prescreveu esta dívida? Porque razão não se procedeu à cobrança coerciva, dado que o contribuinte em causa não tem, nem nunca teve, paradeiro desconhecido?
Aliás, António Carrapatoso nunca deixou de aparecer, com alguma frequência, nos écrans da televisão para entrevistas e comentários, onde sempre defendeu as virtudes do "sistema" em que vivemos e que nos é imposto (pudera!!!!).
Esta dívida não pode prescrever porque se trata de dinheiro devido ao Estado, ou seja a TODOS NÓS.
No dia 14 de Janeiro de 2005, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, durante um Encontro dos Correios de Portugal, os CTT pagaram 19.000,00 euros a Luís Felipe Scolari por uma palestra de 45 minutos, que teve como tema algo do tipo «Como fortalecer o espírito de grupo». A decoração custou mais de 430.000,00 euros e havia dois carros de luxo.
A despesa efectivamente, com a decoração do gabinete do presidente do Conselho da Administração dos CTT, Carlos Horta e Costa, bem como a sua sala de visitas e ainda das salas de visitas e refeições custou 430.691,00 euros.
Carlos Horta e Costa teve à sua disposição, um Jaguar S Type (a renda para o adquirir custou cerca de 50.758,00 euros) e um Mercedes Benz S320CDI comprado por 84.000,00 euros ).
Assim, o Relatório da Inspecção-Geral das Obras Públicas conclui haver «indícios de má gestão» e «falta de contenção de uma empresa que gere dinheiros públicos», pelo anterior Conselho de Administração que liderou os CTT.

Vítor Constâncio governador do Banco de Portugal ganha 272.628,00 € por ano, ou seja quase 18.200 contos MENSAIS, 14 meses/ano.
Outros ordenados chorudos do Banco de Portugal :
O Vice-governador, António Pereira Marta - 244.174,00 €/ano
O Vice-governador, José Martins de Matos - 237.198,00 €/ano
José Silveira Godinho - 273.700,00 €/ano
Vítor Rodrigues Pessoa - 276.983,00 €/ano
Manuel Ramos Sebastião - 227.233 €/ano

O Vice-governador, António Pereira Marta até acumula com o seu salário com a sua pensão como reformado ... do Banco de Portugal.
Aliás, o Vítor Rodrigues Pessoa, também tem uma reforma adicional de 39.101,00 €/ano Total 316.084 €/ano
e o José Silveira Godinho também acumula com uma pensão do BP, mais 139.550,00 €/ano Total 413.250,00 €/ano
Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças recebeu durante os dois meses em que esteve no Executivo 4.600,00 euros mensais de ordenado e uma reforma de 8.000,00 euros do Banco de Portugal.
Mira Amaral saiu da Caixa Geral de Depósitos (CGD) com uma reforma de gestor 18.000,00 euros. Na altura acumulava uma pensão de 1,8 mil euros, como deputado e 16.000,00 euros como líder executivo da CGD.
O que me choca não é o valor da reforma. É o facto de Mira Amaral poder auferir desta reforma (paga pelos contribuintes) ao fim de apenas um ano e nove meses!!!!!!
Esta situação é profundamente escandalosa e tem repercussões que afectam a própria credibilidade do regime democrático.
Esta forma aparentemente ligeira como é gasto o dinheiro dos contribuintes é grave pelo acto em si e pelo seu impacto na legitimidade do Estado para impor novas formas de captar receita.
LEMBRAM-SE O QUE O POVO PORTUGUÊS FEZ EM RELAÇÃO A TIMOR?????? E AGORA QUE FAZEMOS POR NÓS??????? NADA!!!!!!!!
LEMBRAM-SE O QUE O POVO PORTUGUÊS FAZ QUANDO A SELECÇÃO JOGA?????
SE NOS MOBILIZAMOS POR DETERMINADAS CAUSAS, PORQUE NÃO POR NÓS PRÓPRIOS? BANDEIRAS NAS JANELAS, COMO FIZEMOS COM A SELECÇÃO PORTUGUESA, MAS EM VEZ DA BANDEIRA PORTUGUESA, BANDEIRAS NEGRAS E ESCREVER NELAS AS PALAVRAS DE ZECA AFONSO "ELES COMEM TUDO E NÃO DEIXAM NADA"

Pelo menos divulga este documento, ou faremos parte de um grupo de "Otários" silenciosos.
Depois de apresentar este texto só posso dizer que tenho vergonha de ser português em Portugal.
Gostava de viver numa verdadeira Democracia!
Todos com o mesmo sistema de saúde;
Todos a pagarem impostos;
Todos a terem reformas merecidas e justas;
Todos com o mesmo sistema de Justiça
e não um para os ricos (intocáveis) e outro para os pobres.

Peço a quem ler esta mensagem que a divulgue !! mas não fiquem por aqui, estes a quem nos referimos ainda gozam c/ estas divulgações, há que tomar medidas rapidamente ou temos todos sangue de barata? É a n/ sobrevivência que está em jogo!!!!!!!Deixem-se de “futebóis”, isso não nos dá o pão!

A BURLA DO BPN

A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal !!!

O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.

Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS…..) poderíamos:
Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).
Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.
Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.
Construir 5 pontes para travessia do Tejo.
Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.
Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4850 carrinhas de transporte de valores!

Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.

Distribuído pelos 10 milhões de portugueses,
caberia a cada um cerca de 971 € !!!

Então e os Dias Loureiro e os Arlindos de Carvalho onde andam?!

UM TANGO PARA APRECIAR

iNGLÊS PERFEITO



( qUEM SABE BEM INGLÊS FÁCILMENTE PERCEBE QUE O CURSO TIRADO POR FAX PELO "ENGENHEIRO" SÓCRATES COM A NOTA DE QUINZE VALORES NA UNIVERSIDADE INDEPENDENTE FOI PERFEITAMENTE MERECIDO...
DEVIAM TER-LHE DADO VINTE...
ANALISEM A PERFEIÇÃO DESTE INGLÊS

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

RUI RIO

Rui Rio disse que a passagem dum festival aéreo do Porto para Lisboa era coisa de doidos.
Ele tem razão..mas não por esse motivo.
É coisa de doidos sim...gastar-se num festival desse tipo TRÊS MILHÕES E MEIO DE EUROS...
CRISE..QUAL CRISE...NUM PAÍS QUE DESPERDIÇA ASSIM O SEU DINHEIRO?

FRASE DO DIA

FRASE DITA PELO DR. DRÁUZIO VARELA:

Citação...
''No mundo actual está-se a investir cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para as mulheres do que para cura do Alzheimer.
Daqui a alguns anos teremos velhas de mamas grandes e velhos de pila dura, mas que não se lembrarão para que servem".

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

FILHOS DA...

Hoje a imprensa e a TV noticiaram que os salátrios dos gestores da Banca e doutra grandes empresas aumentaram no ultimo ano 13, 7 por cento num total de muitos..muitos milhões de euros..tantyos que nem sei contar.
A electricidade vai aumentar 2,9 porcento( números oficiais)
Mas querem aumentar os "trabalhadores" normais num máximo de um por cento em nome da crise...
FILHOS DA ... É POUCO PARA QUE O ELES MERECEM...
E NÃO HÁ UM RAIO QUE OS PARTA?

AUTOCOLANTE QUE CIRCULA NO BRASIL...




( EM PORTUGAL NÃO PRECISAMOS DE AUTOCOLANTES DESTES )

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

POEMA DA MENTE

Poema DA MENTE
Affonso Romano de Sant`Anna

Há um presidente que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.

E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,
Mais que mente, sobretudo, impune/mente...

Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Vai nos enganar eterna/mente.

NOVO ARTIGODE MÁRIO CRESPO

Será este o último artigo de Mário Crespo??????
(O bruxo de Paranhos já “futurou” que o homem vai morrer brevemente.
De “acidente” ou “por causas naturais desconhecidas”…

O palhaço ( JN de hoje, 14Dec2009)

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O FADO E OS FARDOS

O FADO E OS FARDOS

A LINGUA PORTUGUESA

ESTRANHA BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Este texto é dos melhores registos de língua portuguesa que eu tenho lido sobre a nossa digníssima 'língua de Camões', a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira.

Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:
- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:
- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa?

O candidato respondeu:
- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.

De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e 'atira':
- Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca (hic). E com todo a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic)pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta que o pariu!

POSTAL DE NATAL

Par


(Postal de Natal elaborado por alunos da Universidade de Aveiro)

domingo, 13 de dezembro de 2009

MAS QUE BELO JARDIM

COPIADO DO FLISCORNO
~
Ilha da Madeira: 245 mil habitantes
Endividamento aprovado pelo PSD e com consentimento do PS: 79 milhões
Quanto vão os contenentais cubanos pagar por isto, já que quem se endivida é porque não tem dinheiro: 79 milhões:
dividido pelos 4 (?) milhões de contribuintes = 19.75€
dividido pelos que efectivamente pagam impostos* = ?????
Preço do «diálogo sem conflitualidade»: 79 milhões
Consideração pelos deputados e partidos que permitiram isto: zero
*saber quantas pessoas pagam impostos em Portugal é uma missão quase impossível.

para ler com atenção

UMA BOA FOTOGRAFIA DA CRISE QUE NÃO NOS DEIXA E QUE, PELOS VISTOS, NÃO NOS DEIXARÁ TÃO CEDO.
jf






"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

Bertolt Brecht (1898-1956)


Seria aceitável que os mesmos Estados que se empenham em proteger os seus cidadãos contra os malefícios do tabaco fizessem o mesmo relativamente ao crédito. Entre nós, porventura, dado o nível de endividamento do país e conhecida que é a ignorância da maioria dos consumidores na matéria, seria mesmo recomendável.

Ontem, o Banco de Portugal poderia tê-lo feito. Utilizou o mecanismo certo, a fixação de um tecto máximo, mas, ao colocá-lo ao nível da média das taxas praticadas no último trimestre majoradas de mais um terço, o que fez foi estimular ainda mais a usura e transmitir a mensagem da possibilidade, legítima e legal, da cobrança de juros ainda mais absurdamente elevados : a partir de Janeiro, os juros máximos que poderão ser cobrados no crédito pessoal serão de 19,6 por cento, no crédito automóvel de 16,1 por cento e nos cartões de crédito de 32,8 por cento.

Na base da fixação de juros tão elevados, aos quais a maioria nem presta atenção, preferindo olhar para o valor em euros da prestação mensal respectiva, estará aquela lengalenga da remuneração crescente do risco associado a cada tipo de operação. Prevalece uma lógica que demonstra bem o que a actual crise não ensinou: que a concessão de crédito não se resume a uma questão de preços e que o crédito deve ser vedado a quem, porque aufere rendimentos baixos, não tem capacidade para se endividar (ilustrei-o, em tom de brincadeira, aqui). Comprovadamente, caso este não seja o princípio seguido, para além das réplicas perfeitas de amontoados de incobráveis que, por todo o mundo, foram resolvidos com o dinheiro dos contribuintes, o resultado é, no melhor dos cenários, o da oneração daqueles que têm capacidade de endividamento com a remuneração do risco daqueles que não a têm.

E nem vou aqui detalhar questões de ordem ética ou relacionadas com os custos sociais do fenómeno dos cada mais novos pobres, presas fáceis dos abutres da pobreza que graça no país. Com toda a certeza que não foi a pensar neles – nos primeiros, bem entendido – que o Banco de Portugal fixou estes limites e o objectivo deste post não é o de, eventualmente, despertar a acusação de “superioridade moral” com a qual aqueles que não têm outro argumento costumam brindar quem se insurja contra as suas vergonhas de estimação. Não serão, contudo, abordagens despropositadas.

Filipe Tourais

Ideologias de ontem e de hoje

sábado, 12 de dezembro de 2009

COPIADO DO "FLISCORNO"

Hoje foi aprovado no Parlamento mais um orçamento rectificativo. O Ministro das Finanças defendeu que não fazia sentido apresentar valores para o défice das contas do Estado nem os valor das dívidas das empresas públicas e afins como as Estradas de Portugal, o SNS, etc. Ficamos pois sem saber se foi aprovado um aumento de endividamento suficiente para pagar as despesas do Estado. O argumento é que as contas serão apresentadas com o próximo Orçamento de Estado. Eu acho que isso não acontecerá e tenho uma teoria. Pelos sinais
de constante dramatização do Governo+PS,
pela estratégia de procurar uma coligação governativa que o PS sabia nunca se concretizar,
pelas teses da coligação negativa,
pelo facto de estarmos com um governo paralisado,
pela tentativa de encostar à parede o Presidente da República,
pelo aparente recuar em tanta área bandeira do anterior governo,
sou levado a concluir que o PS optou pela estratégia de procurar a demissão de funções mal tenha um pretexto que lhe permita ganhar umas eleições antecipadas num contexto de extrema dramatização. Neste cenário, importa esconder a realidade do país. Dividida externa, défice, desemprego, endividamento público, prazos de pagamento a fornecedores, entre outros, constituem indicadores a adocicar. Não foram apresentados hoje com o orçamento rectificativo nem serão tornados públicos de forma não disfarçada no próximo orçamento pois isso seriam más notícias para a eleição antecipada por volta de Abril. Cá estaremos para aferir a previsão.

UM DISCURSO...PARA REFLEXÃO

DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO

· Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.

· A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.

· Eis o discurso:
·
· "Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
·
· Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
· Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
· Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
·
· Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.
· Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
· Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
· Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
·
· Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
· No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
·
· Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
·
· Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
·
· Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
·
· Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
·
· Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

· Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.

CONTINUANDO...

06 Dezembro 2009 - 22h00
Agricultura
Contratados 92 seguranças
Estado vai gastar de 3,5 milhões de euros com empresas privadas quando tem 900 funcionários na mobilidade.


O Ministério da Agricultura vai gastar mais de 3,5 milhões de euros durante um ano com a contratação de 92 funcionários de uma empresa de segurança para acompanhar os fiscais nos controlos das ajudas comunitárias.
O Ministério da Agricultura vai gastar mais de 3,5 milhões de euros durante um ano com a contratação de 92 funcionários de uma empresa de segurança para acompanhar os fiscais nos controlos das ajudas comunitárias.
O Ministério da Agricultura vai gastar mais de 3,5 milhões de euros durante um ano com a contratação de 92 funcionários de uma empresa de segurança para acompanhar os fiscais nos controlos das ajudas comunitárias.
A medida do ex-ministro Jaime Silva, implementada em Novembro e justificada por fonte oficial do Governo como uma forma de reforçar e acelerar o controlo do pagamento das ajudas directas, está a ser fortemente contestada pelos dispensados do Ministério. Consideram uma 'atitude despesista' e uma 'ofensa' aos mais de 900 funcionários que ainda se encontram no quadro e mobilidade.
'Estão a pagar a funcionários do Ministério para estar sem ocupação e vão gastar agora milhares de euros a contratar meios de empresas privadas. Não se percebe esta gestão', sublinhou ao Correio da Manhã João Carrilho, presidente da Conferência Nacional dos Mobilizados.
Segundo o CM apurou, a necessidade de meios, sobretudo de veículos capazes de levar os técnicos às explorações agrícolas, levou o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) a abrir no Verão um concurso público internacional para a contratação de viaturas e técnicos para o controlo de superfícies das ajudas directas. A melhor proposta coube a um consórcio entre a empresa de segurança Strong – que fornece os meios humanos – e a empresa de transportes Bizarro Duarte – que fornece as viaturas.
Pelo contrato, com duração até Dezembro de 2010, o Governo irá pagar um total de 3 594 240,1, informou o Gabinete de Imprensa do Ministério da Agricultura.
Os contratados receberam formação do IFAP para integrar uma equipa com um controlador sénior do quadro do Ministério. Para a direcção regional no Norte do País foram enviados 50 novos técnicos. Para a zona centro 26 e para a região do Alentejo 16.
'Somos acompanhados para todo o lado e até nos vão buscar e levar a casa. A nossa profissão é agora de risco...', ironiza um fiscal que pediu anonimato. Este controlador acrescenta que os seguranças 'não estão preparados' para desempenhar as funções de fiscalidade.
'Não percebem nada disto e podem assinar documentos. Se houver um problema em tribunal, quem é que é chamado?' Questiona o mesmo fiscal.
Os controladores do Ministério foram surpreendidos no final de Novembro com a nova medida. Se, até à data, desempenhavam as funções com outro fiscal, passaram depois a trabalhar em equipa com um segurança.
'Até fazem perguntas sobre a nossa vida privada. Isto não faz qualquer sentido, até porque eles não fazem mais nada do que andar a conduzir o carro', referiu outro fiscal.
Para minimizar o impacto junto dos agricultores fiscalizados, a empresa Strong proibiu os seguranças de usar o uniforme.
PORMENORES
FASES
O contrato incluiu duas fases. Na primeira, até Maio de 2010, estarão ao serviço 92 técnicos. A partir desse mês, e até ao final do acordo, o número de seguranças é reduzido a meia centena.
IMPOSTOS
Ao valor do contrato (3 594 240,1 euros) é acrescido o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) no valor superior a 718 mil euros.
CONTROLADORES E SEGURANÇAS EM COLISÃO
Os controladores do Ministério da Agricultura dizem que a contratação dos seguranças 'estrangula' as acções de fiscalização e está a criar mal-estar nas equipas.
'Estamos totalmente manobrados por esses indivíduos. Muitos são arrogantes e pensam que mandam', referiu um funcionário que exemplificou uma situação de desentendimento: 'Em determinadas fiscalizações, levamos os agricultores nos nossos veículos, mas, como agora alguns são de dois lugares, alguém tinha de ficar de fora. A segurança ligou ao chefe e a resposta foi que o fiscal deveria ir na caixa do carro'.
As funções dos fiscais integram não só o controlo e execução de prémios, subsídios e outros apoios decorrentes da PAC (Política Agrícola Comum), como também o controlo de superfícies e animais.
EMPRESA PERTENCE AO EX-VEREADOR DAS FINANÇAS NA CÂMARA DE LISBOA
Cardoso da Silva, ex-vereador da autarquia de Lisboa com o pelouro das Finanças, é o dono da empresa que ganhou o concurso de segurança promovido pelo Ministério da Agricultura.
Foram duas as empresas ligadas aos sectores da segurança e transportes que concorreram, a Strong e a Bizarro. A primeira está registada no Portal da Justiça como sendo detida pela holding Trivalor – Sociedade Gestora de Participações Sociais, cujo presidente do conselho de administração é Cardoso da Silva.
O ex-autarca tem larga experiência na Banca. Foi líder do Bilbao Viscaya Portugal e ocupou o lugar de director-geral do BPA e BCP, de onde se reformou. O CM tentou, sem sucesso, contactá-lo.
MINISTRO READMITE DISPENSADOS
O Ministro da Agricultura, António Serrano, garantiu numa reunião com a Conferência Nacional dos Mobilizados que irá readmitir todos os dispensados com perfil adequado às necessidades. Para já, vão ser integrados 20 mobilizados na unidade de apoio ao Proder (Programa de Desenvolvimento Rural).
'O ministro deu instruções para que não fosse aberto mais nenhum concurso enquanto houvesse funcionários na mobilidade capazes de desempenhar as funções', referiu João Carrilho, presidente do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Mobilizados. Este engenheiro, afecto à região de Portalegre, informou que actualmente o número de dispensados não chega a um milhar. 'Fomos mais de 1700 mas agora somos cerca de 900. Continuamos a ter muitos problemas e muitos de nós passam o mês com 370 euros', disse.
Para João Carrilho, a impossibilidade de concorrer a subsídios para criar o próprio negócio é uma das barreiras que tem prejudicado os antigos funcionários do Ministério. 'Somos cidadãos excluídos. Estamos impedidos de trabalhar', frisa.
DISCURSO DIRECTO
'PAGOS PARA NADA FAZER', João Carrilho, Pres. Conf. dos Mobilizados
– Correio da Manhã – Como vê a integração dos seguranças nas equipas de controlo?
João Carrilho – É mais uma facada que dão a todos os funcionários do quadro de mobilidade. Somos pagos para nada fazer. Considero que muitos dos dispensados poderiam desempenhar essas funções.
– Os fiscais precisam de seguranças?
– A nossa profissão tem um risco mínimo. Em 34 anos de serviço nunca fui atacado por nenhum agricultor. Aliás, nem sequer eram mal-educados.
– Quais as reacções que tem recebido?
– Ninguém compreende. Parece que andam a ser espiados.
DISPENSADOS: TRÊS MIL
Faz três anos na próxima segunda-feira que foi publicada a Lei da Mobilidade. No ministério da Agricultura estava prevista a dispensa de três mil dos nove mil funcionários. Foram 1700.
MOBILIDADE: REMUNERAÇÕES
Os funcionários públicos colocados no quadro da mobilidade estão a receber 66 por cento do vencimento. Todos perderam o direito ao subsídio de refeição
CRÉDITO: MILHÕES
O ministro da Agricultura, António Serrano, vai reforçar em 25 milhões de euros as ajudas às agro-indústrias e uma nova linha de crédito para a agricultura de 50 milhões de euros

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

FRASE DO DIA

NÃO SEI DE QUEM É A FRASE, MAS QUE É BOA...
LÁ ISSO É!

"O governo do PS compõe-se de dois grupos: um formado por gente totalmente incapaz e outro por gente capaz de tudo."

DIZ-ME ONDE MORAS ( artigo de Miguel Esteves Cardoso)

-me onde moras... (por Miguel Esteves Cardoso)

"Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.
Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos, Murtosa, Angeja. ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.
Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. (...)
Ao ler os nomes de alguns sítios - Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na Europa.
De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?
Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses.
Imagine-se o impacto de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar.
Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).
E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).
É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro?
Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda.
Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso ? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas?
É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".
Ninguém é do Porto ou de Lisboa.
Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.
Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de
naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).
É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar
chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)
Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um
percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).

Miguel Esteves Cardoso