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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

VERDADE?

Como poderia o Relvas não estar no concelho nacional.Vejam só:
“1. A Tecnoforma, uma empresa de que Pedro Passos Coelho foi consultor e administrador, ficou com a parte de leão, na região Centro, de um programa de formação profissional — financiado por fundos europeus (programa Foral) — destinado a funcionários das autarquias, o qual era tutelado pelo Dr. Relvas, então secretário de Estado da Administração Local do Governo Barroso/Portas.
Os números são, de facto, esmagadores: só em 2003, 82% do valor das candidaturas aprovadas a empresas privadas na região Centro, no quadro do deste programa de formação profissional, coube à Tecnoforma. E entre 2002 e 2004, 63% do número de projectos aprovados a privados pelos responsáveis desse programa pertenciam à mesma empresa.
A história regista, entre outras, uma ideia de génio da Tecnoforma: a concepção de um programa de formação no valor de 1,2 milhões de euros para funcionários de aeródromos que estavam fechados, que eram pistas perdidas ou que tinham um ou mesmo nenhum funcionário.
Miguel Relvas era então o responsável político pelo programa, na qualidade de secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, Paulo Pereira Coelho era o seu gestor na região Centro, Pedro Passos Coelho era consultor da Tecnoforma, João Luís Gonçalves era sócio e administrador da empresa, António Silva era seu director comercial e vereador da Câmara de Mangualde. Em comum todos tinham o facto de terem sido destacados dirigentes da JSD e, parte deles, deputados do PSD.
2. Entretanto, o mesmo Pedro Passos Coelho criou oCentro Português para a Cooperação, uma organização não-governamental (ONG) concebida para obter financiamentos destinados a projectos de cooperação que interessassem à Tecnoforma. Entre os seus membros figuravam Marques Mendes, Ângelo Correia, Vasco Rato, Júlio Castro Caldas e outras destacadas figuras do PSD.
3. Hoje, soube-se algo mais sobre o desgraçado programa Foral, então tutelado pelo Dr. Relvas. Quando apenas uma circular teria sido suficiente para que autarquias locais ávidas de dinheiro pudessem ficar informadas dos objectivos do programa, descobre-se que houve uma campanha de comunicação, no valor de quase 450 mil euros, adjudicada em 2002 a uma empresa de publicidade detida exclusivamente por Agostinho Branquinho (a NTM), antigo deputado do PSD e actual secretário de Estado da Segurança Social. José Pedro Aguiar-Branco, agora ministro da Defesa, tornou-se presidente da assembleia geral pouco depois da adjudicação.
A história vem descrita no Público (e reproduzida aqui). Entre outras peripécias do concurso, sabe-se agora que:
• Entre as cinco concorrentes excluídas por insuficiência financeira se encontrava a subsidiária de um gigante internacional que ocupava o terceiro lugar na lista das 30 maiores empresas de publicidade do mercado português, a McCann Erickson Portugal (52 milhões de euros facturados em 2001) e a Caixa Alta então em 16º lugar no mesmo ranking da Associação Portuguesa de Agências de Publicidade e Comunicação (13,6 milhões nesse ano), com volume de vendas muito superior ao da NTM (3,7 milhões), que nem constava do mencionado ranking;

• Após a selecção prévia das propostas, restaram três concorrentes, sendo que a NTM foi a que apresentou o preço mais alto e era a que, na avaliação do júri, tinha a mais baixa capacidade técnica.
Segundo o Público apurou, este processo foi conduzido pelo então chefe de gabinete, Paulo Nunes Coelho, e por uma adjunta, Susana Viseu, do Dr. Relvas. Enquanto Paulo Nunes Coelho continua a cirandar pelos gabinetes governamentais, Susana Viseu foi nomeada administradora da Fomentinvest, precisamente a holding onde o terrível Ângelo tinha acolhido Pedro Passos Coelho.
Já tivemos dois PSD: o do cavaquismo que desaguou na foz do BPN; e o do pós-cavaquismo que apodrece placidamente
num imenso delta. Afinal, o que é o PSD?”

 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

ESCRITO POR JOSÉ GIL

O roubo do presente

José Gil

Há pelo menos uma década e meia está a ser planeada e experimentada quer a nível do nosso país, quer na Europa e no mundo uma nova ditadura- não tem armas, não tem aparência de assalto, não tem bombas, mas tem terror e opressão e domesticação social e se deixarmos andar, é também um golpe de estado e terá um só partido e um só governo- ditadura psicológica.

"Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspectivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro. O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu. O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho. O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stress, depressões, patologias, border-line, enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens). O presente não é uma dimensão abstracta do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direcções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público. Actualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efectiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil. Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espectral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si. Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria­-nos do nosso poder de acção. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país."
 


Imagem removida pelo remetente.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

CIRCO

não há dúvida que é no Coliseu que se apresentam os melhores espetáculos de circo do país. Querem melhor exemplo que o do congresso do PSD hoje terminado? Que categoria de palhaços... E então os ilusionistas... Fabulosos

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

CARTA DUM CÓNEGO

Carta de Cónego Rui Osório

É preciso chegarmos a velhos para que o Estado faça pouco de nós, somando os seus maus tratos às nossas fragilidades» .

Durante a minha vida profissional, ninguém me explicou a eventualidade de, um dia, um Governo português decidir diminuir a pensão a que teria direito quando cumprisse os 65 anos e por ter sido honesto nas minhas obrigações, com o privilégio de ter trabalhado em empresas cumpridoras. Pensava, ingenuamente, que o Governo, a ser democrático, como tanto desejava, seria pessoa de bem.

Foi uma ilusão, que tenho pago caro, ter sido tão ingénuo! Puro engano!
Acreditei de boa fé na seriedade e fiabilidade dos compromissos e, afinal, tenho vindo a ser esbulhado na minha pensão, com sacrifícios que pesam - e isso ainda me faz sofrer mais - na vida de tantos reformados, alguns dos quais, da minha geração, estão a ser o suporte de retaguarda de filhos desempregados e de netos que crescem para a vida.
Estamos, para bem, a viver uma esperança de vida alargada, mas, para mal, a pagar uma fatura muito cara, que nos desgraça impunemente a qualidade de vida!
Sou do tempo em que entravam nos cofres públicos mais contribuições de quem exercia ativamente a sua vida profissional do que os custos que o Estado suportava a pagar pensões. Mesmo assim, nunca acusei o Estado de se servir desses fundos para cobrir, não sei se com acerto e justiça, os seus défices e em que áreas era deficitário e que precisariam das contribuições de trabalhadores honrados.
É preciso chegarmos a velhos para que o Estado faça pouco de nós, somando os seus maus tratos às nossas fragilidades, agravando-as até a uma pesada amargura. Trata-nos como pessoas descartáveis, usando-as e deitando-as fora.
Chega-nos agora a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) como mais um veneno a matar-nos a esperança. Se não é um imposto, o que será para, ao menos, entendermos se vale a pena tantos sacrifícios?
Lamento ter andado uma vida longa a aconselhar a ética dos impostos para convencer as pessoas a ter respeito pelo bem comum que nos competiria salvaguardar e não apenas ao Estado. Vivendo do meu salário de profissional da Imprensa, estatuto que sempre teve a concordância explícita dos meus bispos, decidi renunciar a qualquer legítima remuneração por serviços pastorais, exercendo o ministério sacerdotal em regime de voluntariado. O salário chegava-me, como sonhava que a reforma também me bastaria. Mais um engano na minha ingenuidade, espoliada e maltratada por um Governo sanguessuga.
Não estou arrependido por ter semeado o bem. A minha consciência social não a troco por nada. Considero a CES uma abusiva e vergonhosa arbitrariedade. Como escrevia, há dias, Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, «a ideologia punitiva sobre os mais velhos prossegue entre um muro de indiferença, um biombo de manipulação, uma ausência de reflexão coletiva e uma tecnocracia gélida».

Cónego Rui Osório
In Voz Portucalense, 22.1.2014

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

TEXTO DE JULIO ISIDRO QUE NENHUMA TV REFERIU

Apareceu, por mão amiga, este texto de Júlio Isidro que dá para este fim de semana dar ânimo a todos os que bem pensam sobre o nosso futuro.

NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!!
NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO  PARA  JÁ SABER TUDO!
 Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.
E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.
Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.
Sou dos que acreditam na invenção desta crise.
Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.
Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.
Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.
Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida.
E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.
A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães.
 Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.
Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.
Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.
Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.
Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.
Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.
Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?
E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.
Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.
E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.
Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.
E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…
Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.
E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.
É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.
 Júlio Isidro

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O POLVO LARANJA

O  POLVO  LARANJA e  o seu  Principal  Dirigente  ç===============
 
.
Lá diz o povo, a  verdade é como o azeite. Acaba sempre por vir à  tona.
"O POLVO" E A  OPERAÇÃO FACE OCULTA COM RABO DE  FORA:


1-  A partir de 2008 torna-se  evidente que a operação Face Oculta foi redirecionada pela  investigação e pelos Media para  passar a visar  principalmente Sócrates. Era preciso derrubar Sócrates e mudar  de governo, porque havia gigantescos interesses em jogo e, em  particular, o caso BPN prometia dar cabo do PSD.

2. Das  fraudes do BPN ignora-se ainda hoje a maior parte. Trata-se de  uma torrente de lama inesgotável, que todos os nossos Media  evitam tocar.

3. O agora falado caso IPO/Duarte Lima,  de que Isaltino também foi uma peça fulcral, nem foi sequer  abordado durante o Inquérito Parlamentar sobre o BPN ,  inquérito a que o PSD se opôs então com unhas e dentes, como é  sabido. A tática então escolhida pelo polvo  laranja foi  desencadear um inquérito parlamentar paralelo, para averiguar  se Sócrates estava ou não a «asfixiar»  comunicação social  ! Mais uma vez, uma produção de ruído para abafar o caso BPN e  desviar as atenções.

4. Mas é interessante examinar  como é que o negócio IPO/Lima foi por água abaixo.

5.  Enquanto Lima filho, Raposo e Cia. criavam um fundo com  dezenas de milhões, amigavelmente cedidos pelo BPN de Oliveira  e Costa, Isaltino pressionava o governo para deslocar o IPO  para uns terrenos de Barcarena, concelho de Oeiras.   Isaltino comprometia-se a comprar os terrenos (aos Limas e  Raposo, como sabemos hoje) com dinheiro da autarquia e a  «cedê-los generosamente» ao Estado para lá construir o IPO.  Fazia muito jeito que fosse o município de Oeiras a comprar os  terrenos e não o ministério da Saúde, porque assim o preço  podia s ajustado entre os amigos vendedores e compradores,  quiçá com umas comissões a transferir para a Suíça.

6.  Duarte Lima tinha sido vogal da comissão de ética (!) do IPO  entre 2002 e 2005, estava bem dentro de todos os assuntos e  tinha ótimas relações para propiciar o negócio. Além disso,  construiu a imagem de homem que venceu o cancro, história  lacrimosa com que apagava misérias anteriores. O filho e o  companheiro do PSD Vítor Raposo eram os escolhidos para dar o  nome, pois ao Lima pai não convinha que o seu nome figurasse  como interessado no negócio.

7. Em Junho de 2007  Isaltino dizia ainda que as negociações para a compra dos  terrenos em causa estavam "em fase de conclusão" (só não disse  nunca foi a quem os ia comprar, claro). E pressionava o  ministro da Saúde: "Se se der uma mudança de opinião do  governo, o cancelamento do projeto não será da  responsabilidade do município de Oeiras."

8. Como  assim, "mudança de opinião do governo"?

9. Na verdade,  Correia de Campos apenas dissera à Lusa que o governo encarava  a transferência do IPO para fora da Praça de Espanha e que  estava a procurar um terreno, em Lisboa ou fora da cidade,  para esse efeito. Nenhuma decisão tinha sido tomada, nem nunca  o seria antes das eleições para a Câmara de Lisboa, que iam  realizar-se pouco depois, em  Julho de  2007.

10. No decorrer do ano de 2007, porém, a Câmara  de Lisboa, cuja presidência foi conquistada por António Costa,  anunciou que ia disponibilizar um terreno municipal para a  construção do novo IPO no Parque da Bela Vista Sul, em Chelas,  Lisboa. Foi assim que se lixou o projeto Lima-Isaltino: o  ministro Correia de Campos não cedeu às pressões de Isaltino e  a nova Câmara de Lisboa pretendia que o IPO se mantivesse em  Lisboa. Com Santana à frente da autarquia e um ministro da  Saúde do PSD teria tudo sido  muito diferente. E os Limas  e Raposos não teriam hoje as chatices que se sabe. E Duarte  Lima até talvez já tivesse uma estátua no Parque dos Poetas do  amigo Isaltino.

11. Sabemos como, alguns meses depois  deste desfecho, o ministro Correia de Campos foi atacado por  Cavaco no discurso presidencial de Ano Novo, em 1 de janeiro  de 2008. Desgostado com as críticas malignas do vingativo  Presidente, Correia de Campos pediu a sua demissão ainda nesse  mês. Não sabemos  o que terá levado Cavaco a visar dessa  maneira um ministro do governo Sócrates, por sinal um dos mais  competentes.  Que Cavaco queria a pele de Correia de  Campos, foi bem visível. Ele foi a causa do fracasso do  projeto do IPO/Oeiras e dos prejuízos causados ao clan do seu  amigo Duarte Lima e ao polvo laranja (ª).

É bem possível que essa tenha sido  a razão.

(ª) -  é bom que se entenda que o polvo laranja tem o seu pai no  Senhor Silva, hoje PR, que nunca falou sobre o BPN, mas o lodo  deste senhor é bem maior !!!