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domingo, 30 de março de 2014

A GRANDE TEODORA

Ave, Teodora!
 
28/03/2014 
Os que vão ser esmifrados te saúdam! E mais te agradecem por os teres ajudado a ver o túnel ao fim da luz, a compreender a sua imensa irrelevância perante o infinitamente misericordioso e omnipotente Estado! Atiraste-nos à cara com o ovo de Colombo: obrigatoriamente, os ordenados dos cidadãos portugueses serão depositados nos bancos em contas-poupança e, por cada levantamento que fizerem, terão de pagar um imposto ao Estado.
Claro que já todos sabíamos que aquilo que recebemos em troca do nosso trabalho pertence ao Estado. E à banca, naturalmente. Mas só tu, ó Teodora, foste capaz de sugerir publicamente que o Estado continue a deixar-nos utilizar esse dinheiro que Lhe pertence. E só a troco de uma pequena remuneração, taxa ou imposto, suavemente cobrada de cada vez que tivermos um impulso despesista. Custa a acreditar em tanta generosidade. São verdadeiros arrepios de prazer que sentimos ao imaginar este futuro radioso que nos auguras.
E estamos todos certos que esta tua ideia, que, modestamente, classificaste como interessante e que, com inteira justiça, consideramos como genial, vai ser lembrada pelos vindouros como o começo de uma era de felicidade e de paz entre os povos.
Ave, ó Teodora, porque nos fizeste ver, a nós que andávamos absurdamente preocupados com o crescimento descontrolado do Estado e a sua sistemática invasão da nossa privacidade, que, afinal, nós é que nos estávamos a pôr em bicos dos pés, nós é que estávamos a ser arrogantes, cegos e mesmo, porque não dizê-lo, estúpidos.
Nós que, por exemplo, ao lermos as notícias sobre a actuação da NSA e os programas de vigilância electrónica utilizados pelos EUA para espiarem a população norte-americana e de todo o mundo, pensámos que o Estado, na sua luta contra o terrorismo, estava francamente a exagerar, temos de reconhecer humildemente, agora e graças a ti, que quem estava a exagerar éramos nós.
Nós, que seríamos capazes de censurar com veemência os tribunais egípcios por condenarem à morte 529 muçulmanos por terem participado em manifestações das quais resultou um polícia morto, compreendemos, agora e graças a ti, que estaríamos a errar e que, por cada polícia, por cada representante de um Estado que morre, o extermínio de mil cidadãos não é suficiente.
Porque a Verdade, e só tu, ó Teodora, a revelaste, é esta: no princípio, era o Estado. E só depois, não ao sétimo dia mas ao fim do mês, o Estado segregou os cidadãos, um a um, para O servirem e para O glorificarem até ao fim dos tempos.
Nós, que não somos mais do que míseros grãos de areia perante a imensidade do Estado, tivemos, até segunda-feira passada, a estultícia de considerarmos que as nossas vidas eram nossas e que o nosso dinheiro era nosso. Não são e não é. Como é meridianamente claro, tudo vem do Estado e tudo vai para o Estado!
Nós – só agora o entendemos – mais não somos do que precários utilizadores dos bens do Estado. E isso conforta-nos, sendo mesmo um verdadeiro agasalho para os espíritos perturbados e iludidos que fomos até terça-feira passada. A nossa gratidão ao Estado por, segundo as tuas sábias palavras, só nos vir a cobrar uma parcela dessa imensa riqueza que nos cede mensalmente – mais a uns do que a outros, é certo –, é incomensurável, sem dúvida.
Mas uma dúvida nos atravessa a mente e a tua ajuda pedimos, ó Teodora.
Como fazer com aqueles a quem o Estado cedeu o dinheiro e se viram obrigados a colocá-lo em offshores? Como proceder com aqueles que guardam o dinheiro do Estado nos seus colchões e enxergas? Como proceder com aqueles que a sua vida é “chapa ganha, chapa gasta”? Ou, ainda, como assegurar que os arrumadores de carros ou os meros pedintes controlam as suas despesas quando utilizam o dinheiro – muito ou pouco, tanto faz – que ao Estado pertence? E será que os 25% dos cidadãos portugueses que, segundo as estatísticas, estão em risco de pobreza serão sensíveis à necessidade de combater o despesismo?
Estas dúvidas, que rapidamente se podem tornar em angústias e mesmo em crises de fé, exigem respostas urgentes. Tenho, contudo, a certeza que, se não tu, ó Teodora, qualquer outro dos sacerdotes que decerto te acompanham, sejam eles ex-ministros das Finanças, jornalistas económicos ou governantes encartados, no dará as respostas certas e exactas que nos farão descansar de novo. Porque, agora que já vimos o túnel, não mais queremos ser abandonados num mundo de incertezas e de interrogações. Na verdade, desde terça-feira passada, tudo se tornou tão claro e luminoso que se nos torna insuportável a sombra sequer da dúvida.
Porque, agora sim, percebemos que, quando o Estado gasta em submarinos ou em estádios de futebol, mais não está do que a gastar o que é Seu. Mais não está do que a fazer o que Lhe cabe. E a nós, o que nos cabe é pagar, devolver-Lhe o que Lhe pertence, para que possa viver em paz e sem défices.
Obrigado, ó Teodora!
 

 

segunda-feira, 24 de março de 2014

PARA MEDITAR



Concha Caballero é licenciada em filosofia e letras, é professora de línguas e literatura. Entre 1993 e 2008 ocupou um lugar no parlamento da Andaluzia.
Deputada autonómica entre 1994 e 2008 foi uma das deputadas chave na aprovação da Reforma do Estatuto Autonómico da Andaluzia a que imprimiu um caracter mais social e humano do que, no principio, os grupos maioritários do parlamento pretendiam.
Actualmente colabora em diferentes meios de comunicação. Escreve sobre actualidade politica. Em 2009 publicou o livro Sevilha cidade das palavras.
 
O dia em que acabou a crise!

Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários.

Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a actitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas.

Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objectivos foram claros e contundentes:

Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários

Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maliáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.

Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, ENTÃO TERÁ ACABADO A CRISE.


Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (excepto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenhas destruído todas as pontes de solidariedade. ENTÃO ANUCIARÃO QUE A CRISE TERMINOU.

Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.

Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.


Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entrarianovamente em disputa.

Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e ?voila?: A sua obra estará concluída.

Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.

Concha Caballero




sexta-feira, 21 de março de 2014

ELE CHAMA SE PASSOS...

Chamo-me Passos Coelho
Cortador de profissão
Corto ao jovem, corto ao velho,
Corto salário e pensão
Corto subsídios, reformas
Corto na Saúde e na Educação
Corto regras, leis e normas
E cago na Constituição
Corto ao escorreito e ao torto
Fecho Repartições, Tribunais
Corto bem-estar e conforto,
Corto aos filhos, corto aos pais
Corto ao público e ao privado
Aos independentes e liberais
Mas é aos agentes do Estado
Que gosto de cortar mais
Corto regalias, corto segurança
Corto direitos conquistados
Corto expectativas, esperança
Dias Santos e feriados
Corto ao polícia, ao bombeiro
Ao professor, ao soldado
Corto ao médico, ao enfermeiro
Corto ao desempregado
No corte sou viciado
A cortar sou campeão
Mas na gordura do Estado
Descansem, não corto, não.
Eu corto
a Bem da Nação
 

terça-feira, 18 de março de 2014

ALMOFADA DE PEDRA ...um texto a ler

Almofada de pedra



por VIRIATO SOROMENHO MARQUES
Como é que designaríamos o comportamento de um cidadão que, incapaz de
honrar um crédito pessoal a uma taxa de 3,35%, prestes a atingir a
maturidade, contraísse um novo empréstimo a uma taxa de 5,11% para
pagar o primeiro ("troca de dívida")? Sem dúvida, tratar-se-ia de um
comportamento pouco recomendável. E como seria classificado esse
comportamento se o cidadão em causa utilizasse parte do novo
empréstimo (de 11-02-2014) para antecipar, parcialmente, o pagamento
em 19,5 meses do primeiro empréstimo, pagando 102,89 euros por cada
100 euros de dívida ("recompra")? Seria, certamente, uma atitude
temerária, pois aumenta a despesa com juros para apenas empurrar a
dívida para o futuro. Pois é isso que o Governo pretende fazer hoje. O
leitor pode ir ao site eletrónico do IGCP. Abra o boletim mensal de
fevereiro sobre "Dívida Pública". Na p. 2, vê que o Estado vai ter de
resolver até 2016 cerca de 39 mil milhões de euros de empréstimos.
Esse imenso obstáculo tem sido o pretexto para a constituição de uma
volumosa "almofada" financeira. Tudo indica que o IGCP quer recomprar,
hoje, uma parte de uma série de dívida a dez anos, contraída a partir
de outubro de 2005 (ver p. 3). Se o fizer, às taxas mais recentes no
mercado secundário, isso significa que, para o montante que for hoje
amortizado, vamos pagar mais 3,53% de juros por ano até outubro de
2015 do que antes das duas operações financeiras supracitadas. Será
isto uma gestão prudente, ditada pelo interesse nacional, ou estará o
Tesouro público em risco para alimentar uma ilusão pré-eleitoral de
triunfo? Será esta uma almofada que alivia o País, ou uma pedra
amarrada às pernas que o atira para o fundo? Temos direito a saber a
lógica com que se joga o dinheiro sonegado aos salários e às pensões.
Direito a uma explicação, ou a uma beliscadela que nos acorde deste
pesadelo.

                ESTAMOS  ENTREGUES  AOS  BICHOS!!!

EU SEI O QUE FAZER...
DIVULGAR PARA CONSCENCIALIZAR OS ELEITORES...

segunda-feira, 17 de março de 2014

POEMA DA ISABEL

ISABEL DIANA BETTENCOURT MELO DE CASTRO ULRICH
(Tem mesmo pinta de assessora!!!!)
O banqueiro, a sua Isabelinha e o senhor Presidente

Era uma vez um banqueiro
À D. Isabel ligado.
Vive do nosso dinheiro,
Mas nunca está saciado.

Vai daí, foi a Belém
E pediu ao presidente
Que à sua Isabel, também,
Desse um job consistente.

E o burro do Dom Cavaco
Admitiu a senhora,
Arranjando-lhe um buraco
E o cargo de consultora.

O banqueiro é o Fernando,
Conhecido por Ulrich,
E que diz, de vez em quando,
«Quero que o povo se lixe!».

E o povo aguenta a fome?
«Ai aguenta, aguenta!».
E o que o povo não come
Enriquece-lhe a ementa.

E ela, D. Isabel,
Com Cavaco por amigo.
Não sabe da vida o fel
Nem o que é ser sem-abrigo.

Cunhas, tachos, amanhanços,
Regabofe à descarada.
É fartar, que nós, os tansos,
Somos malta bem mandada.

Mas cuidado, andam no ar
Murmúrios, de madrugada.
E quando o povo acordar
Um banqueiro não é nada.

É só um monte de sebo,
Bolorento gabiru.
Fora do banco é um gebo,
Um rei que passeia nu.

Cavaco, Fernando Ulrich,
Bancos, Troikas, Capital.
Mas que aliança tão fixe
A destruir Portugal!
 
Autor desconhecido
-------------------------Despacho
nº.5776/2011
Nos termos artigos 3º. nº2 e 16º. nºs 1 e 2 do Decreto-Lei nº. 28-A/96, de
 4 de Abril, nomeio consultora da Casa Civil Isabel Diana Bettencourt Melo de Castro Ulrich, funcionária do Partido Social Democrata, com efeito a partir desta data e em regime de requisição, fixando-lhe os abonosprevistos nos nºs. 1 e 2 do artigo 20º. do referido diploma em 50% dos
abonos de idêntica natureza estabelecidos para os adjuntos.
9 de Março de 2011.
 - O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva  
 
 
 
 
 
 

domingo, 16 de março de 2014

sábado, 15 de março de 2014


PARA REFLETIR


http://youtu.be/OB8pKYZmkqI

domingo, 9 de março de 2014

O MEU PAÍS

ARTIGO DE JOSÉ ALBERTO NOGUEIRA

ste país não é para novos, nem para velhos


Por Alberto Pinto Nogueira

 Ao fim de cinco anos, disseram-me que o curso acabara. Fiquei sem
bolsa de estudos e sem dinheiro. Tinha 22 anos. A cair de teso. Sem um
tostão para café ou tabaco. Mais seis longos meses à custa da família
que pouco ou nada tinha. Bati a algumas portas de advogados. Estágio
sim, mas gratuito. Requerimentos para aqui e para ali.

Num meio dia de princípios de Junho de 1971, recebi uma carta do
Ministério da Justiça. Tinha um ofício que transcrevia um despacho do
ministro, informava que me tinha nomeado Delegado do Procurador da
República interino na comarca de Moimenta da Beira.

A minha vida de magistrado do Ministério Público durante cerca de 42
anos começou aí. Vivia ainda em Lisboa, numa residência universitária.
Não tinha a mais ínfima ideia onde ficaria Moimenta da Beira.

Inquiri de um colega mais letrado. Terra de Aquilino Ribeiro, de
Quando os Lobos Uivam. Livro proibido que lera às ocultas na
faculdade.

Pousei em Moimenta num tarde tórrida de Verão de 1971, após dia e meio
de viagens de comboio até à Régua. Depois  carreira. Uma rua, poucas
ruelas, um restaurante, o Tamariz, um edifício enorme a cair. Era o
tribunal e outras repartições do Estado. No Verão, o meu "gabinete"
era de um calor ofegante, povoado por milhões de moscas. No Inverno,
um frio gélido, insuportável. Poucos fins-de-semana que a neve impedia
o trânsito. Terra de gente simples. Quase todos pobres. Aquilino o
descreveu muitas vezes.

Andei por lá uns dois anos. Numa solidão que enganava e amolecia de
paleio com o juiz, os funcionários e advogados. Falava com os
processos crime, os inventários obrigatórios, as investigações de
paternidade, os processos de baldios e comigo. Não havia ninguém.
Montanhas de pedras escuras, enormes, esvoaçadas por aves negras,
também enormes. Metiam medo. Numa ou outra diligência a Sernancelhe,
as pessoas recolhiam a casa, espreitavam pelos buracos feitos janelas.
Com razão, que os do tribunal representavam ou eram mesmo o poder.

O Estado era certinho a pagar vencimentos.

Havia poucos descontos. Para a Caixa Geral de Aposentações (CGA),
sempre. Nunca as Finanças se esqueceram, e bem, de descontar o que
iria garantir a minha reforma. Quando chegasse a doente ou o
calendário não me permitisse trabalhar com a mesma energia e
produtividade.

Foi assim cerca de 42 anos. A remuneração do meu trabalho foi objecto
dos descontos que a Lei determinou para a minha reforma. Era o
mealheiro, o seguro de vida.

Nunca me passou pela cabeça que um Governo viesse trair o contrato que
vigorou mais de 40 anos. Comigo e com milhões de cidadãos, que hoje me
tratasse como se tivesse sido um criminoso ao exercer as funções que
exerci. Inscrevesse no meu certificado do registo criminal um crime
hediondo: "Pensionista"!

A rondar a delinquência, governos sucessivos usaram dezenas de anos a
fio, às ocultas, como ladrão, os cofres da CGA para o que lhes
apeteceu. Dela retiraram contribuintes. Não entregaram milhares de
milhões na mesma como entidade patronal.

Responsabilizam os pensionistas pelo descalabro que criaram. Sempre
ávidos e famintos de cortes e mais cortes nas pensões e reformas!

José Manuel Fernandes, de parceria com Helena Matos, escreveu que Este
País Não é Para Jovens. Nem para velhos.



É para mercados, bancos, swaps, parcerias público-privadas, perdões
fiscais, clientelismos. Negócios sujos.

Procurador-Geral Adjunto



sábado, 8 de março de 2014

LIDO HO JORNAL "PÚBLICO"

O sonho de Pedro Passos Coelho
 Um terço é para morrer. 
Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa, se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. 
E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. 
Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. 
Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor.
É por isso que nós não os vamos matar. 
Eles é que vão morrendo. 
Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. 
E as estatísticas já mostram isso. 
O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. 
Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. 
Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? 
Eles lá sabem. 
Por isso, joga tudo a nosso favor. 
A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. 
Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. 
A natureza faz o resto. 
O Paulo Macedo também faz o que pode. 
Não é genocídio, é estatística. 
Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. 
Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. 
E as escolhas implicam sempre sacrifícios. 
Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. 
Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.
Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. 
Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
 
1. Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. 
Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. 
Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. 
Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. 
O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento?
Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. 
Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. 
E os deficientes. 
Não são todos. 
Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. 
Não era justo. 
E temos de promover a justiça social.

 
2. O outro terço temos de os pôr com dono. 
É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. 
Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. 
Não digo voltar à escravatura, é outro papão de que não se pode falar, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. 
Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. 
A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam, ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. 
O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. 
Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. 
Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. 
Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. 
E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.
3. O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. 
Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável, tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier, que para eles poderem viver com conforto. 
Não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI, e que para pagar a saúde deles, não podemos pagar a saúde dos pobres.
  • Um terço da população exterminada.
  • Um terço anestesiado.
  • Um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. 
A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. 
E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. 
Não vou ficar em Massamá a vida toda. 
O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»

 
José Vítor Malheiros
(in Público)
 




 

terça-feira, 4 de março de 2014

SERMÃO DO BOM LADRÃO

ERMÃO DO BOM LADRÃO,
do Padre António Vieira.


 António Vieira
"Não são ladrões apenas os que roubam as malas, as bolsas e outros pertences.
Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os poderosos encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades, reinos e repúblicas; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."

Padre António Vieira