quinta-feira, 31 de julho de 2008

A batalha não acabou...

Olá colegas,

Os professores deste país têm memória, têm sentido de dignidade e têm carácter, pelo que não esquecem,

nem desculpabilizam ou paliam, os sucessivos ataques a que foi sujeita a sua dignidade profissional (de que

o confinar constringente, tipo “gado”, de todos os professores, numa única sala e em consequência de uma

convocatória/requisição geral para os exames, constituiu o episódio mais deprimente da minha história

como professor e que, por vezes, reaparece, em pesadelos de vigília, sob a forma de indignidade e de

humilhação), a indiferença e o desprezo com que nunca fomos ouvidos nem achados para nada, a arrogância

e a truculência da equipa ministerial, a “coragem” destes actores que recorrem aos períodos de férias para

publicar a legislação mais gravosa, a arbitrariedade usada na fractura dos professores, a imposição de um

modelo de avaliação sem paralelo em nenhum dos países desenvolvidos, que faz do professor um burocrata

e que vai desencadear uma competição e uma conflitualidade doentias entre colegas, com efeitos perversos

na motivação e no empenhamento com que, habitualmente, cuidamos da preparação das aulas e da relação

pedagógica com os alunos, etc.

É lamentável que os professores “adesivos” e muitos professores socialistas (felizmente, não todos)

tenham silenciado a sua oposição às medidas do Governo, quando não as sancionaram mesmo, em

incompreensíveis exercícios de masoquismo. Talvez seja um sintoma da “claustrofobia asfixiante” a que se

referiram, ontem, alguns militantes do PS do distrito de Viseu para caracterizarem o ambiente que envolve o

PS.

Em anexo segue um dístico, cuja autoria desconheço, mas que circula por aí, que eu próprio já coloquei no

vidro do meu automóvel, como forma de publicitar o nosso descontentamento e de devolver a consideração

que o PS nos dispensou ao longo desta deplorável legislatura. Quem me quiser acompanhar nesta campanha

é só redefinir, a gosto, tamanhos para o dístico, imprimir e afixar.

Desejo de excelentes férias para todos e de um retemperar das energias para as lutas que não deixaremos de

persistir em encetar no próximo ano lectivo.

Octávio V Gonçalves

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