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terça-feira, 28 de agosto de 2012

MARCELO E RELVAS



Marcelo,

Eu sempre te admirei.
Eu sou aquela que quando te vê na Livraria Galileu fica embevecida,
orgulhosa de ser cascalense, que te admira a forma como cumprimentas
os transeuntes e folheias os livros usados com o mesmo cuidado que
fazes com os novinhos em folha.
Sou aquela que sintoniza a TVI todos os domingos só para te ouvir. Que
leva com a Judite de Sousa sem pestanejar só para te poder ouvir. Que
pede silêncio se a sala de estar estiver cheia de gente para não
perder pitada do que dizes.
Sou aquela que,  na quarta-feira passada, ao avistar-te na FIARTIL, te
defendeu com unhas e dentes junto a uma amiga que não te aprecia o
estilo.
Sou isso tudo, Marcelo.
E hoje tu atreves-te a defender o Relvas no teu comentário semanal?
Assim, com a maior cara de pau? À cara podre?
Dizes tu: que o Relvas é diferente do Sócrates. Que o Relvas tirou
direitinho 4 cadeiras enquanto que ninguém sabe em que circunstâncias
é que o Sócrates concluiu as suas cadeiras. Que há imensas
personalidades que não têm licenciatura e que depois, até a título de
honoris causa, lhes são atribuídos títulos académicos.
Mas, Marcelo, TU ESTÁS BOM DA CABEÇA, HOMEM?
Deixa-me explicar-te como se eu fosse o Professor e tu a grávida desmemoriada:
O Lula da Silva foi Presidente da República do Brasil. Não tem curso
nem nunca se apresentou como Dr. Não tem nenhum diploma pendurado no
gabinete nem nunca fez ninguém acreditar na sua competência académica.
As pessoas não lhe deixam de reconhecer mérito, especialmente, porque
o Lula nunca quis ser o que não era e sempre assumiu quem era, o que
era e o que poderia fazer com os recursos que tinha ao seu dispor. Que
não os académicos.
O Comendador Nabais não tem licenciatura e é um dos mais brilhantes
gestores do país. Nunca ninguém se dirige a ele através do título "Dr.
Nabais". O próprio Champalimaud- o velho-  não tinha nenhuma
licenciatura e conta-se que, certo dia, um dos funcionários
responsáveis por mandar fazer os seus cartões de visita lhe perguntou
o que ele queria que colocasse por debaixo do seu nome. Champalimaud
respondeu, sem hesitar: "Dono". Não colocou Dr. ou Licenciado pela
Universidade da Vida.
Nenhum destes senhores quis ser quem não era. Nenhum aspirou a um
título académico e o conseguiu de forma menos transparente.
A grande questão, Marcelo, é que ao Relvas saiu-lhe uma licenciatura
na farinha Amparo. E, estou crente, que, a partir de agora, a
Universidade Lusófona é capaz de receber dezenas de pedidos de
equivalências a licenciatura por mérito curricular. Até eu estou a
pensar pedir avaliação do meu currículo profissional e sacar uma
licenciatura em Gestão de Recursos Humanos, uma vez que a minha
experiência nesta área é muito mais vasta que a do Relvas em qualquer área.
O Relvas, Marcelo, foi da JSD e isso não é profissão. É saber engraxar
os grandes do partido, colar selos em cartas para se enviar para os
militantes, segurar bandeirinhas nos comícios e ir buscar militantes
não letrados aos bairros sociais limítrofes e pedir-lhe que, nos dias
e eleições do partido, metam a cruz nas suas listas. E é bater palmas
e fazer barulho quando o PSD ganha qualquer coisa. E não negues porque
I've been there. E isso não faz de mim uma iluminada com potencial
para sacar uma licenciatura em Anatomia Patológica Citológica e
Tanatológica por equivalência.
Se avançarmos no percurso profissional do Ministro pós experiência na
JSD o que vemos é um conjunto de tachos, cuja legitimidade dos
processos de recrutamento e selecção fariam rir qualquer auditor da
norma ISO 9001: 2008 e, mais ainda, na NP 4427:2004. Mas claro, cargos
políticos estão dispensados de normas de qualidade, já me esquecia.
O Relvas até podia não ter licenciatura que, quanto a mim tanto, me
fazia. O que o Relvas não podia era armar-se em chico esperto e
decidir ser Dr. (ou, se se lembrar da equivalência com o Pós-Bolonha,
já pode ser mestre, às páginas tantas) sem ir à Universidade.
Da mesma forma que eu nunca pude ser ninguém na secção do PSD, da qual
fui militante, sem lamber as botas aos grandes, sem ir bater palmas em
todas as reuniões de freguesia, sem ir dobrar circulares a pedir votos
numa determinada lista e enviar centenas de cartas dentro de
envelopes, sem servir de motorista e apanhar residentes analfabetos em
bairros sociais instruindo-lhes onde meter a cruz nas concelhias, sem
prometer aos novos militantes, angariados a todo o custo, bilhetes
para os filhos irem ao Optimus Alive em troca de mais votos, e afins.
No fundo, cada um é para o que nasce.
Eu assumo que nunca conseguiria ter carreira como política. Ele que
assuma que não é, legitimamente, licenciado.
E tu, Marcelo, não me lixes!
Que enervar uma prenha é coisa para te dar uma diarreia. Ou, se
pedires equivalência, uma catedrática gastroenterite. Coisa mais fina,
enfim. Mais lusófona.

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