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terça-feira, 12 de novembro de 2013

ELES

Economista acumula quatro pensões de 3 mil euros mas está disposto a abdicar de um terço Nenhum português deveria receber uma pensão de reforma acima dos 2 mil euros líquidos. A opinião é do ex-ministro das Finanças José Silva Lopes, que sustenta a sua opinião com a actual situação do país e com a sustentabilidade do sistema de Segurança Social. O economista defende ainda que as pensões de sobrevivência devem ser eliminadas para quem já tem rendimentos acima dos mil euros. Confrontado ontem pelo i com o facto de acumular quatro pensões, Silva Lopes começou por dizer que "mais que o número o que importa é o seu valor". "Eu tenho três pensões [de reforma] porque descontei em três sítios diferentes - tenho uma carreira contributiva de 53 anos -, mas não recebo a pensão completa nem do Estado nem da banca", afirmou o antigo governador do Banco de Portugal e ex-presidente do conselho de administração do Montepio. Garantindo que não recebe 12 mil euros mas apenas 3 mil euros por mês líquidos, Silva Lopes assegurou que está a disposto a abdicar de um terço do que ganha actualmente. O economista vai mais longe, ao defender ainda que, "se uma pessoa está num sítio e tem direito a uma pensão e depois vai para outro sítio e passa a ter direito a uma segunda pensão, deve perder o direito de receber a primeira e ficar só com a segunda". Anteontem, no programa "Olhos nos Olhos", da TVI 24, Silva Lopes já tinha afirmado que o país "não pode baixar o défice sem tocar" nos salários e nas pensões. "Nas despesas com pessoal já se tocou o suficiente, mas nas pensões, infelizmente, vamos ter de cortar mais", disse o economista, referindo-se não só às mais altas mas também às médias (mil euros). "Isto não é um problema de opinião política, é um problema de facto. A gente não pode continuar com o sistema actual, não há dinheiro para isso", justificou. Silva Lopes defendeu ainda que quem tem rendimentos acima de mil euros não deveria ter direito a receber pensão de sobrevivência. O economista admitiu que também recebe uma pensão de viuvez, de cerca de 400 euros. "Eu também recebo pensão de sobrevivência. Quer coisa mais imoral do que isto? Eu tenho vergonha de receber uma pensão de viuvez", disse o ex-governante. MEDINA CARREIRA: "NÃO INTERESSA NADA" "Isso é chinesice. Não interessa nada." Foi desta forma que Henrique Medina Carreira, ministro das Finanças no I Governo Constitucional e um dos principais defensores de cortes radicais no sistema de pensões, reagiu quando confrontado pelo i com a proposta de Silva Lopes. "Isso é indiferente. O problema tem de ser estudado de alto a baixo, pois o sistema não vai aguentar", acrescentou o comentador residente do programa da TVI. Já quando questionado sobre se estaria disposto, tal como Silva Lopes, a receber uma pensão de apenas 2 mil euros, Medina Carreira, que recebe uma pensão de 6900 euros da Caixa Geral de Aposentações, respondeu: "Não tenho nada de dar opiniões. São de natureza pessoal. O que é importante é que o nosso sistema tem de ser mudado. De resto é conversa fiada." -----

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