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sábado, 19 de janeiro de 2013

SILÊNCIOS

Assunto: Os silêncios
Um dia bateram-me à porta e anunciaram-me que o governo tinha decidido cortar-me meio subsídio de Natal. Apesar de inconstitucional, compreendi o
sacrifício que o Governo me pedia.

Noutro dia bateram à porta do meu pai e anunciaram-lhe que iam cortar meia pensão do Natal. Apesar de considerar que era um roubo, ainda admiti, porque o pais estava em estado de emergência.

Depois bateram-me à porta e anunciaram que me iam tirar dois meses de salário e dois meses de pensão ao meu pai. Depois da estupefacção,
resignação.

A 7 de Setembro, bateram-me à porta para me anunciar que tiravam 7% do salário para dar 5,75% ao patrão e ficavam com os trocos, em principio para
os cofres da Segurança Social.

Desta vez fiquei indignado. Achei que estava a ser roubado e que estavam a transformar os patrões em receptadores do dinheiro roubado.
Em reacção, corri para a rua para protestar.

Bateram-me mais uma vez à porta e informaram-me de que o ministro das finanças ia reescalonar as taxas de IRS, de modo a torna-lo mais progressivo.

Imaginando que iam poupar os rendimentos mais baixos e taxar fortemente os mais altos, pensei que o Governo, finalmente, voltava ao trilho da lei.

Mas para surpresa minha, voltaram a bater-me à porta para me ameaçarem com aumentos brutais no IMI. A minha indignação transformou-se em ira e
juntei-me ao movimento nacional de resistentes ao pagamento do IMI.

Ainda mal refeito do choque do IMI, bateram-me novamente à porta para me mostrarem nos jornais, em grandes parangonas e cinco colunas, os novos
escalões de IRS. Afinal aumentaram as taxas dos rendimentos mais baixos, menos os dos mais altos e não criaram nenhum escalão para os mais ricos. E a
progressividade do rei dos impostos diminuiu. A minha raiva subiu de tom e resolvi não mais voltar a votar estou preparado para qualquer acção
revolucionária que apareça. Ao fim e ao cabo eu o meu pai e a minha família já não temos nada a perder.

(J. Nunes de Almeida, Ericeira)
Maiakovski, poeta russo escreveu, no início do século XX :

> Na primeira noite, eles se aproximam
> e colhem uma flor de nosso jardim.
> E não dizemos nada.
> Na segunda noite,
> já não se escondem,
> pisam as flores, matam nosso cão.
> E na oportunidade
> E não dizemos nada.
> Até que um dia, o mais frágil deles,
> entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo,
> arranca-nos a voz da garganta.
> E porque não dissemos nada,
> já não podemos dizer nada.
>
> Maiakovski (1893-1930)
>
> Depois Bertold Brecht escreveu:
>
> Primeiro levaram os negros
> Mas não me importei com isso
> Eu não era negro
> Em seguida levaram alguns operários
> Mas não me importei com isso
> Eu também não era operário
> Depois prenderam os miseráveis
> Mas não me importei com isso
> Porque eu não sou miserável
> Depois agarraram uns desempregados
> Mas como tenho meu emprego
> Também não me importei
> Agora estão me levando
> Mas já é tarde.
> Como eu não me importei com ninguém
> Ninguém se importa comigo.

> Bertold Brecht (1898-1956)
>
> Em 1933 Martin Niemöller criou o seguinte poema:
>
> Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
> Como não sou judeu, não me incomodei.
> No dia seguinte, vieram e levaram
> meu outro vizinho que era comunista.
> Como não sou comunista, não me incomodei .
> No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
> Como não sou católico, não me incomodei.
> No quarto dia, vieram e me levaram;
> já não havia mais ninguém para reclamar?
Martin Niemöller,(1892-1984)?
> símbolo da resistência aos nazis.


> Em 2007 Cláudio Humberto presenteou-nos assim:
>
> Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima, Depois
> incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles; Depois fecharam ruas, onde
> não moro; Fecharam então o portão da favela, que não habito; Em seguida
> arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho?
Cláudio Humberto, em 09 Fevereiro de 2007

> Também Martin Luther King (1929.1968):
>
> O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos
> desonestos, dos sem carácter, dos sem ética? o que mais me preocupa é o
> silêncio dos bons!.

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